# ETF irlandês volta ao radar com juro em alta nos EUA

> ETF irlandês UCITS volta ao radar de investidores brasileiros com a alta dos juros dos títulos americanos. A simulação da XP indica ganho extra de US$ 7.560 em sete anos, abrindo janela para diversificação em dólar. O produto combina exposição internacional com eficiência tributária, atraindo quem busca rendimento adicional no cenário atual.

*Mercado Valor · Investimentos · 07 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

Juros dos títulos americanos abrem janela para diversificação em dólar. ETF irlandês UCITS promete ganho extra de US$ 7.560 em 7 anos, segundo simulação da XP.

Os juros dos títulos do Tesouro americano estão nos maiores patamares em quase duas décadas e abriram nova janela para o investidor brasileiro diversificar em dólar. Entre as alternativas, ganham destaque os ETFs europeus domiciliados na Irlanda ou em Luxemburgo, os chamados UCITS, que oferecem vantagens fiscais sobre os fundos listados nos EUA.

A principal diferença está no tratamento dos juros semestrais dos Treasuries. Nos ETFs europeus de acumulação, esses valores são reinvestidos no próprio fundo, sem distribuição ao cotista, o que evita a retenção de imposto na fonte nos EUA e potencializa o ganho ao longo dos anos. Simulação da XP Investimentos mostra que, em uma aplicação de US$ 100 mil por sete anos, um ETF UCITS de títulos públicos americanos entregaria ganho adicional de US$ 7.560 frente a um ETF americano equivalente, cerca de 7,5% no período, ou perto de 1% ao ano. A projeção compara os rendimentos do IB01 (UCITS) e do SHV (EUA), ambos com vencimento de até 1 ano.

A diferença está nas regras: ETFs americanos de renda fixa precisam distribuir rendimentos, sobre os quais incide imposto de 30% na fonte. O investidor estrangeiro é isento, mas as instituições retêm o valor de todos os cotistas, e o não residente só recupera via restituição. Os UCITS ficam fora dessa engrenagem, pois podem reinvestir os valores. "Os UCITS de acumulação nunca distribuem dividendos e reinvestem os valores no próprio ETF, o que não ocorre nos ETFs americanos por regulação", explica Marcelo Cabral, gestor e sócio fundador da Stratton Capital. "Para o investidor brasileiro ele é muito melhor."

Outro ponto favorável é o Estate Tax, imposto sobre herança americano que incide sobre ativos nos EUA acima de US$ 60 mil, com alíquotas de 18% a 40%. A cobrança atinge ETFs listados nos EUA, mas não os UCITS, que têm domicílio fiscal na Irlanda ou Luxemburgo, com acordos fiscais com o governo americano, explica Clara Sodré, analista de fundos da XP.

Para Sodré, o momento é de iniciar a diversificação internacional, mantendo ao menos 15% da carteira em ativos globais. Cabral recomenda o miolo da curva, entre dois e cinco anos, onde o rendimento é maior com menor volatilidade. Bruno Perri, da Forum Investimentos, vê oportunidade nos vencimentos próximos de 10 anos. Os papéis de 10 anos pagam cerca de 4,7% ao ano; os de 30 anos, 5,2% ETF irlandês vs americano.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/etf-irlandes-promete-ganho-extra-volta-ao-radar-juro-alta-eua/
