Embraer (EMBJ3) sobe com BNDES, voo da Eve e pedido; veja
As ações da Embraer (EMBJ3) sobem 3,73% nesta segunda-feira (3), a R$ 90,13, com financiamento do BNDES, avanço do eVTOL da Eve e um novo pedido no radar. Analistas do Bradesco BBI comentam o impacto no backlog.
Embraer (EMBJ3): ações sobem com financiamento do BNDES, voo da Eve e novo pedido no radar; veja
As ações da Embraer (EMBJ3) operam entre os destaques positivos do Ibovespa (IBOV) nesta segunda-feira (3), impulsionadas por uma sequência de eventos: o financiamento aprovado pelo BNDES, o primeiro voo de transição parcial do eVTOL da subsidiária Eve e um possível novo pedido da Colômbia. Por volta de 14h45 (horário de Brasília), os papéis subiam 3,73%, cotados a R$ 90,13.
O BNDES aprovou financiamento de R$ 3,3 bilhões a R$ 3,7 bilhões para a Embraer exportar até 19 aeronaves do modelo E195-E2 para a canadense Porter Aviation Holdings. As entregas estão previstas até 2030. A Porter, por meio da Porter Airlines, atende clientes na América do Norte, Canadá, EUA, Caribe e América Latina.
Financiamento do BNDES à Embraer: o que se sabe
Segundo o banco, a Porter já recebe aviões da Embraer desde 2023, num total de 54 das 75 aeronaves previstas, sendo três delas com apoio de financiamentos do BNDES. O novo aporte amplia essa relação, mas ainda está sujeito a condições contratuais.
Para quem acompanha o setor aéreo, o ritmo de entregas à Porter é um termômetro da demanda por jatos regionais. O E195-E2, foco do financiamento, é um dos modelos mais eficientes da fabricante, mas a execução do cronograma até 2030 depende de fatores logísticos e de mercado.
Novo pedido da Colômbia: KC-390 no radar
No radar do mercado, está um contrato da Força Aérea da Colômbia para aquisição de dois aviões Embraer KC-390, incluindo suporte de serviços, por US$ 366,4 milhões. O cronograma previsto inclui pagamentos entre 2027 e 2030, com a primeira entrega esperada até outubro de 2029 e a segunda até novembro de 2030.
A notícia é positiva para a Embraer, segundo analistas do Bradesco BBI. A casa ressalta, porém, que a assinatura do contrato ainda não foi confirmada pela companhia.
"Até o momento, a assinatura do contrato ainda não foi confirmada pela companhia, mas as tratativas com a Colômbia para o pedido do KC-390 seguem em andamento. Considerando os valores divulgados, o pedido de duas aeronaves, incluindo serviços, representaria cerca de 1% de upside para o backlog consolidado atual da Embraer, com entregas previstas para 2029 e 2030", diz a casa.
O percentual de 1% pode parecer modesto, mas, em um backlog consolidado, qualquer acréscimo relevante ajuda a sustentar a tese de crescimento da companhia. Ainda assim, a ausência de confirmação oficial exige cautela.
Voo da Eve: avanço do eVTOL em fase de transição
A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, informou nesta segunda-feira (3) avanço no desenvolvimento de sua aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL). A empresa realizou o primeiro voo da fase de transição com o protótipo de engenharia.
De acordo com o comunicado, o voo incluiu a ativação da hélice propulsora traseira (pusher), marcando o início da etapa em que a aeronave passa do voo vertical para o voo horizontal. No ensaio, a aeronave atingiu velocidade estabilizada de 27 nós (50 km/h) e velocidade máxima de 30 nós (55 km/h), com a hélice operando até 1.200 RPM.
O voo durou 3 minutos e 9 segundos, percorreu cerca de 0,84 milha náutica (1.550 metros) e alcançou 90 pés (27 metros) de altura acima do nível do solo.
Para o Bradesco BBI, o sucesso do voo de transição parcial representa um avanço relevante no desenvolvimento do eVTOL da Eve, reduzindo riscos de execução da tese tecnológica e, indiretamente, contribuindo para a visão positiva sobre o ecossistema de inovação da Embraer.
O que esperar dos próximos passos
A combinação de financiamento, avanço técnico e possível contrato coloca a Embraer em posição de destaque no Ibovespa. Porém, o investidor deve acompanhar dois pontos: a confirmação do contrato com a Colômbia e a evolução das entregas à Porter. Sem esses desdobramentos, a alta de hoje pode ser apenas reação pontual a notícias.
Em termos de valuation, o upside de 1% citado pelo Bradesco BBI é pequeno, mas o efeito simbólico de um cliente militar na América Latina fortalece a narrativa de expansão da fabricante. A diversificação entre aviação comercial, defesa e mobilidade urbana é o que sustenta a tese de longo prazo.
Para quem já acompanha a Embraer há anos, a trajetória da Eve é um caso clássico de aposta tecnológica: os resultados aparecem em etapas, e cada voo de teste reduz o risco, mas não elimina a incerteza regulatória e de mercado.
Perguntas Frequentes
Por que as ações da Embraer subiram hoje?
As ações subiram 3,73%, a R$ 90,13, após o BNDES aprovar financiamento para exportação de aeronaves à Porter, o voo de transição do eVTOL da Eve e um possível pedido da Colômbia.
Qual o valor do financiamento do BNDES à Embraer?
O BNDES aprovou financiamento de R$ 3,3 bilhões a R$ 3,7 bilhões para a exportação de até 19 aeronaves E195-E2 à Porter Aviation Holdings.
O que é o voo de transição do eVTOL da Eve?
É a fase em que a aeronave passa do voo vertical para o horizontal, ativando a hélice propulsora traseira. No teste, a Eve atingiu 50 km/h de velocidade estabilizada.
A Embraer confirmou o contrato com a Colômbia?
Ainda não. As tratativas seguem em andamento, e o Bradesco BBI estima que o pedido de dois KC-390 representaria cerca de 1% de upside no backlog.
Qual o prazo de entrega dos aviões à Porter?
As entregas dos E195-E2 estão previstas até 2030, segundo o financiamento aprovado pelo BNDES.
Com informações da Reuters e Estadão Conteúdo