André Osowski: da Disney ao BankBoston e R$ 1 bi sob custódia
André Osowski passou pela Disney, pelo BankBoston e por 16 anos no Itaú antes de pedir demissão em 2021 e recomeçar na Manchester Investimentos com carteira quase zerada. Cinco anos depois, alcançou R$ 1 bilhão sob custódia.
André Osowski entrou na Manchester Investimentos, escritório ligado à XP, em 2021, depois de 16 anos de carreira bancária. Cinco anos depois, alcançou R$ 1 bilhão sob custódia. O número, segundo ele, veio depois: "O número é consequência", garante.
O porto-alegrense cursou Administração com ênfase em Comércio Exterior e também se formou em Economia. Jovem, precisava começar a ganhar dinheiro e viu no sistema financeiro uma possibilidade de carreira. A oportunidade apareceu no BankBoston, onde entrou na mesa de câmbio.
"Comecei a gostar, senti o gosto de como é o mercado, como era o trade de compra e venda de moeda estrangeira", lembra. A aquisição do BankBoston pelo Itaú o levou para dentro do banco brasileiro. Depois vieram a integração com o Unibanco e a passagem pelo Itaú BBA.
Ao longo de 16 anos, transitou por áreas que iam de operações ligadas ao comércio exterior à gestão comercial, atendendo empresas de diferentes portes até chegar ao ultra large corporate. Foi uma escola de produtos financeiros, mas também de conversa com executivos.
"Você começa a ter o sentimento de como é conversar com pessoas do alto escalão de empresas, o vocabulário, a tecnicidade, as formas de entender a necessidade do cliente. Isso foi uma escola incrível", conta.
Antes do banco, houve a Disney. Entre 2003 e 2004, durante a faculdade, Osowski passou cerca de quatro meses em um summer job experience nos Estados Unidos. A atividade principal era vendas em um quiosque, com passagem por atendimento ao público, backoffice e reposição de estoque. Anos depois, o aprendizado sobre atenção aos detalhes no relacionamento com o público continuou presente.
A mudança de rota começou com a certificação CFP, voltada ao planejamento financeiro. Ao estudar para a prova, percebeu lacunas no próprio conhecimento sobre investimentos e se aprofundou em planejamento financeiro, sucessório e tributário. A assessoria de investimentos deixou de ser apenas uma ideia.
Osowski já estudava a mudança quando a pandemia chegou. Tentava uma movimentação interna para o private banking, mas contratações e transferências foram congeladas. Em vez de adiar o plano, antecipou. "Se é para fazer, vamos fazer agora", recorda.
Em 2021, pediu demissão. Abriu mão de salário, bônus, previdência, plano de saúde e seguro acumulados em 16 anos. Na assessoria, o resultado dependeria da capacidade de construir carteira. E havia outro detalhe: praticamente não levou patrimônio sob custódia para a nova casa.
"Eu não tenho esse número, quase é zero, mas tenho responsabilidade, comprometimento e visão do negócio", lembra ter dito, quando questionado sobre quanto poderia trazer.
Hoje, prefere medir a carteira por "pontos de contato": são 43, que podem representar indivíduos, famílias ou grupos empresariais. Cinco profissionais trabalham diretamente com ele, embora não de forma exclusiva, em frentes que incluem assistência comercial e operacional, renda variável, fundos, renda fixa, seguros e câmbio.
Parte do crescimento veio de contas maiores assumidas dentro da própria estrutura, em momentos de movimentação de assessores. "Quem é que está preparado? Quem é que tem conhecimento? Quem é que aguenta psicologicamente receber uma conta grande e, daqui a pouco, perder?", relata.
Ao listar competências para crescer no mercado financeiro, começa pela curiosidade. "Qualquer adversidade, qualquer dificuldade, alguém já superou. Alguém deixou isso registrado", ensina. Ao lado dela, coloca a humildade: "Se você é ignorante, tem um caminho: buscar conhecimento. E o arrogante é aquela pessoa em que falta humildade", diz.