# O dilema da perpetuidade: gigantes brasileiros entre legado e inovação

> JBS, Rede D'Or, Gerdau e Grupo Muffato, representados por CEOs na Expert XP, discutem estratégias para perpetuar empresas no Brasil. Reinvenção, alocação de capital e sucessão são pilares para construir legados que atravessam gerações sem perder relevância. O debate aborda o equilíbrio entre tradição e inovação como chave para a longevidade corporativa.

*Mercado Valor · Investimentos · 24 de julho de 2026 · Rubens Athayde*

No palco da Expert XP, CEOs e presidentes de quatro dos maiores grupos empresariais do Brasil, JBS, Rede D'Or, Gerdau e Grupo Muffato, revelaram como constroem empresas que duram gerações sem perder relevância. Reinvenção, alocação de capital e sucessão estiveram no centro do deb

## O dilema da perpetuidade: Como os gigantes brasileiros equilibram legado e inovação

O dilema da perpetuidade nos gigantes brasileiros envolve equilibrar legado e inovação com disciplina cultural e alocação de capital. No painel da Expert XP, líderes da JBS, Rede D'Or, Gerdau e Grupo Muffato destacaram resiliência, adaptação ao cliente e investimentos em biotecnologia e IA como chaves para atravessar gerações sem perder relevância.

## Como construir empresas que atravessam gerações

Em um país onde o curto prazo costuma ditar o ritmo dos negócios, representantes de quatro dos maiores grupos empresariais do Brasil subiram ao palco da Expert XP para discutir o que realmente importa: como construir empresas que atravessam gerações sem perder a relevância. O painel, mediado por Rafael Furlanetti, sócio-diretor institucional da XP, revelou que, por trás dos balanços bilionários, a longevidade é fruto de uma disciplina quase obsessiva com a cultura e uma alocação de capital que não se deixa seduzir pelo modismo.

## Resiliência e reinvenção: o segredo da longevidade

Para André Gerdau, presidente do Conselho da Gerdau, que representa a quinta geração de uma companhia fundada em 1901, a longevidade não é um acidente, mas uma capacidade constante de reinvenção. "A maior característica de uma empresa de tantos anos é a resiliência, a capacidade de se adaptar e se reinventar", afirmou. O desafio, segundo ele, é manter essa agilidade em um setor intensivo em capital e sob pressão global. "Apesar do nosso negócio ser aço, a velocidade com que o negócio se adapta ao serviço e ao cliente é o grande segredo da longevidade", diz Gerdau.

## Alocação de capital: aquisições versus greenfield

O debate sobre alocação de capital expôs visões distintas. Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, foi enfático na preferência por aquisições como motor de crescimento, citando a velocidade e a previsibilidade de caixa como diferenciais. "Nós preferimos fazer uma aquisição de uma companhia que já existe a começar uma nova frente de negócio porque já conhecemos o que estamos comprando e sabemos o potencial de geração de valor", diz.

Já Paulo Moll, CEO da Rede D'Or, defende um modelo híbrido. Embora a empresa tenha crescido via aquisições, o cenário atual tem aberto espaço para projetos greenfield em regiões carentes. "A empresa foi criada por meio de aquisições, mas nos últimos anos, temos feito mais greenfield [começar projetos do zero]", diz Moll. Ele explica que, por um lado, aquisições bem integradas são rápidas, porém, há regiões do país carentes de hospitais de porte onde o retorno maior pode estar no greenfield. "Ainda que seja um investimento de mais longo prazo, existe uma vantagem de estar construindo um hospital do zero, com todos os fluxos e equipamentos versus adaptar prédios antigos e culturas diferentes", explica.

## Novos hábitos de consumo: apostas online e medicamentos

Entre os desafios atuais, Ederson Muffato, diretor do Grupo Muffato, destaca como novos hábitos e tecnologias estão reconfigurando o consumo. Para ele, o varejo alimentar enfrenta hoje duas tendências poderosas: as apostas online e os medicamentos para perda de peso. Sobre o impacto das apostas, Muffato foi direto: "O fenômeno das apostas online, sem dúvida, é o nosso maior concorrente. Se parar para analisar, ele já é do tamanho do mercado do varejo alimentar no Brasil", diz. Quanto às canetas emagrecedoras, o executivo vê uma mudança estrutural no mix de produtos. "Com o Mounjaro, estamos no começo da maior revolução no varejo alimentar do mundo", diz. O executivo explica que as canetas emagrecedoras já provocam um trade-off de categorias, com a redução de algumas e o aumento das vendas de outras. E, com a redução dos preços dos medicamentos, o impacto no varejo alimentar e em outros setores, como o de saúde, deve ser ainda maior, diz.

## Investimentos em biotecnologia e inteligência artificial

De olho na mudança dos hábitos alimentares, a JBS está investindo em biotecnologia. "Sabemos que a alimentação das pessoas vai mudar. Por isso, o desenvolvimento de proteínas, aminoácidos e peptídeos é o grande foco dos nossos investimentos no momento, porque são pontos transformacionais no sistema da alimentação", diz Tomazoni. Na Rede D'or, por outro lado, um dos grandes investimentos é em inteligência artificial, que já usa a tecnologia na ponta. "O médico não precisa mais digitar todas as informações no prontuário, a IA captura, preenche essas informações e ainda dá sugestões e apoio ao diagnóstico médico. Mas só de você liberar esse tempo de qualidade do médico para ter mais tempo com o paciente, já é uma revolução na qualidade do atendimento", diz Moll.

## Sucessão e legado: o bastão entre gerações

Em empresas com décadas de vida, é inevitável falar sobre sucessão. André Gerdau detalhou o processo de transição para um CEO que não fazia parte da família fundadora e destacou a importância de separar o conselho da operação. "Quando a empresa familiar muda para um CEO que não é da família, tem o risco da família continuar querendo operar. Neste caso, é importante entender que o conselho é sobre estratégia, pessoas e relações institucionais. Mas não deve mais tratar do dia a dia", diz. Para o Grupo Muffato, que superou a perda trágica do fundador há 30 anos, o legado é a bússola. "Se fosse analisar o meu legado, o que eu quero deixar ao passar o bastão é a continuidade da cultura e dos valores da empresa, que o nosso fundador nos deixou", diz Muffato.

## O consenso dos líderes

Ao final, o consenso entre os líderes foi claro: o sucesso de longo prazo no Brasil exige coragem para investir, disciplina para gerir o endividamento e, acima de tudo, a humildade de saber que, mesmo com décadas de história, a empresa deve continuar em constante aprendizado.

## Perguntas Frequentes

### O que é o dilema da perpetuidade nas empresas?

É o desafio de construir empresas que atravessam gerações sem perder relevância, equilibrando tradição e inovação.

### Quais empresas participaram do painel na Expert XP?

JBS, Rede D'Or, Gerdau e Grupo Muffato, com seus líderes Gilberto Tomazoni, Paulo Moll, André Gerdau e Ederson Muffato.

### Qual o segredo da longevidade segundo André Gerdau?

A capacidade de se adaptar e se reinventar, mantendo agilidade mesmo em setores intensivos em capital.

### Como a JBS está se preparando para mudanças na alimentação?

Investindo em biotecnologia para desenvolvimento de proteínas, aminoácidos e peptídeos.

### Qual o maior concorrente do varejo alimentar hoje, segundo Ederson Muffato?

As apostas online, que já têm tamanho equivalente ao do mercado de varejo alimentar no Brasil.

### Como a Rede D'Or usa inteligência artificial?

Na captura e preenchimento de prontuários, liberando tempo do médico para atendimento ao paciente.

sucessão familiar em empresas brasileiras impacto das apostas online no varejo inovação em saúde com IA

---

Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/dilema-perpetuidade-como-gigantes-brasileiros-equilibram-legado-inovacao/
