# Data centers de IA podem destravar R$ 100 bi por ano no Brasil; quais ações ganharão?

> Data centers de inteligência artificial no Brasil podem gerar R$ 100 bilhões por ano, impulsionando ações de energia como Axia, Auren, Copel, CPFL, Engie e Cemig. Hiperescaladores como Amazon e Microsoft preveem investir US$ 725 bilhões globalmente em 2026, com impacto significativo no setor elétrico brasileiro.

*Mercado Valor · Investimentos · 23 de julho de 2026 · Caetano Vidal*

Hiperescaladores como Amazon e Microsoft preveem investir US$ 725 bilhões em 2026. No Brasil, data centers de IA podem gerar R$ 100 bi ao ano e impulsionar ações de energia como Axia, Auren, Copel, CPFL, Engie e Cemig. Veja a análise completa.

O maior ciclo de investimento da história está em curso, puxado pelos hiperescaladores de tecnologia. Amazon (AWS), Microsoft (Azure), Alphabet (Google), Meta e Oracle, juntas, devem investir cerca de US$ 725 bilhões em 2026, alta de aproximadamente 77% frente a 2025, com aproximadamente 75% direcionados à infraestrutura de IA (GPUs, chips e data centers). "Para se ter dimensão, esse montante se aproxima do PIB da Argentina e mais que dobra tudo o que foi investido pelo grupo entre 2022 e 2024", destaca a Ágora Investimentos.

No Brasil, o país já concentra 48% da capacidade instalada e 71% da capacidade em construção de data centers da América Latina, combinando energia limpa abundante e disponibilidade - atributos escassos nos EUA e Europa. Com o eventual avanço do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), os investimentos locais podem alcançar R$ 100 bilhões ao ano, elevando a capacidade instalada de 750 MW (megawatt) para 3 GW (gigawatt) até 2032.

## Por que o Brasil atrai data centers de IA?

O Brasil dispõe de ampla capacidade de geração para sustentar um eventual crescimento de IA. No Nordeste, por exemplo, devido às características regionais de oferta e demanda, uma parcela significativa de energia tem sido desperdiçada por restrições em fontes renováveis, com mais de 20% da geração renovável sendo desligada por falta de demanda regional e de capacidade de transmissão. Essa energia é simplesmente eliminada do sistema e poderia ser utilizada para abastecer a nova capacidade de data centers.

O Sudeste e o Sul do Brasil, por sua vez, abrigam diversas usinas hidrelétricas com reservatórios. Com a expansão do mercado livre de energia (ACL) no país, os contratos de fornecimento se tornaram mais curtos. Até pouco tempo atrás, um produtor independente (IPP) normalmente contava com contratos médios superiores a 10 anos. Esse cenário mudou, e hoje todas as empresas possuem uma parcela significativa de sua capacidade descontratada.

"A estabilidade e a confiabilidade da rede elétrica no Brasil melhoraram nas últimas décadas. Os padrões de qualidade exigidos pelo regulador se tornaram muito mais rigorosos, e todas as distribuidoras de energia que monitoramos investiram múltiplas vezes seus QRRs (depreciação)", ressaltou a equipe de análise do BTG Pactual.

## Quais ações da B3 se beneficiam?

### Empresas de energia com geração e transmissão

No país, Axia (AXIA3), Auren (AURE3), Copel, CPFL Energia (CPLE3), Engie (EGIE3) e Cemig (CMIG4) poderiam ser empresas da Bolsa beneficiadas, em razão de seus portfólios de geração, avaliou a equipe do banco. Todas as companhias impactadas por restrições de produção renovável também poderiam se beneficiar, incluindo Equatorial (EQTL3), CPFL (CPFE3) e Neoenergia.

Mais recentemente, o Goldman Sachs manteve recomendação neutra para CPFL, mas ressaltou que, entre os principais riscos de alta para o papel, estavam possíveis sinais de expansão de data centers de inteligência artificial em Campinas e outros locais do estado de São Paulo. Isso impulsionaria aumento dos volumes de energia e investimentos na área de concessão da CPFL.

### WEG e a modernização da rede elétrica

Em relatório recente, o JPMorgan aponta que as conversas entre investidores focados na WEG (WEGE3) têm se concentrado justamente em como modernizar as redes de energia para que elas deem conta de toda a carga. A WEG possui exposição direta a essa tendência por meio de seu segmento de Energia GTD (Geração, Transmissão e Distribuição), divisão responsável por fabricar desde geradores até grandes transformadores. Somente essa área responde por cerca de 38% da receita da companhia no primeiro trimestre de 2026.

Os analistas do JPMorgan destacam que os novos complexos tecnológicos de IA vão exigir tanto poder que a infraestrutura atual das cidades vai precisar ser completamente atualizada para que o sistema não entre em colapso. As projeções mostram que o setor precisará de uma capacidade gigante medida em GW (Gigawatts). "Espera-se que a demanda global de energia dos data centers atinja cerca de 240-280 GW até 2030 vs. cerca de 115 GW em 2025, o que implica em mais do que dobrar de tamanho - criando uma atração direta para atualizações em transmissão, distribuição, interconexão e equipamentos", avalia o JPMorgan.

### Empresas com uso interno de IA

Além disso, também há líderes de IA na Bolsa brasileira que adotaram a tecnologia no último ano e tiveram os melhores resultados, conforme aponta o Santander. Entre elas, Totvs (TOTS3), Nubank (BDR: ROXO34), Itaú (ITUB4), TIM (TIMS3), Magazine Luiza (MGLU3), C&A (CEAB3), Coca-Cola FEMSA (negociada em Nova York e México) e YDUQS (YDUQ3).

No caso da Totvs, a visão é de que a empresa está construindo uma das narrativas de IA mais diferenciadas do setor de software corporativo. Em 2025, a companhia informou que os habilitadores relacionados à IA já representavam mais de 17% da receita de 2025. Já o Itaú reportou mais de 500 casos de uso internos de IA voltados para eficiência e produtividade, além do PIX via WhatsApp impulsionado por IA e por capacidades transacionais.

## Oportunidade transversal: infraestrutura e crédito

O tema deixou de ser uma "história de tecnologia" e se tornou transversal: impacta ações globais, crédito corporativo (recorde de US$ 428 bilhões em bonds emitidos pelo setor em 2025) e abre uma nova avenida de infraestrutura no Brasil, com potencial de captura por nomes ligados à cadeia elétrica. Na B3, as ações de empresas de infraestrutura e de energia aparecem entre as beneficiadas com esses movimentos.

## Perguntas Frequentes

### O que são hiperescaladores?

Hiperescaladores são gigantes de tecnologia que operam infraestrutura de nuvem em escala industrial, como Amazon (AWS), Microsoft (Azure), Alphabet (Google), Meta e Oracle.

### Quanto os hiperescaladores devem investir em 2026?

Cerca de US$ 725 bilhões, alta de aproximadamente 77% frente a 2025, com aproximadamente 75% direcionados à infraestrutura de IA.

### Qual a capacidade atual de data centers no Brasil?

O Brasil concentra 48% da capacidade instalada e 71% da capacidade em construção de data centers da América Latina.

### Quanto o Redata pode alavancar de investimentos?

Com o eventual avanço do Redata, os investimentos locais podem alcançar R$ 100 bilhões ao ano, elevando a capacidade instalada de 750 MW para 3 GW até 2032.

### Quais ações de energia são mais citadas?

Axia (AXIA3), Auren (AURE3), Copel, CPFL Energia (CPLE3), Engie (EGIE3), Cemig (CMIG4), Equatorial (EQTL3), CPFL (CPFE3) e Neoenergia.

### A WEG tem exposição direta a data centers?

Sim, por meio do segmento de Energia GTD, que responde por cerca de 38% da receita da companhia no primeiro trimestre de 2026.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/data-centers-ia-podem-destravar-r-100-bi-por-ano-brasil-quais-acoes-ganharao/
