# Crescimento dos FIDCs é só ponta do iceberg, preveem gestores

> Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) aproximam-se de R$ 1 trilhão em patrimônio, com crescimento acelerado nos últimos anos. Gestores Bruno Spilberg, Delano Macedo e Gustavo Cortes preveem expansão adicional impulsionada por desbancarização, entrada de novos investidores e nichos resilientes. O movimento representa apenas o início de um ciclo maior de crédito privado no Brasil.

*Mercado Valor · Investimentos · 27 de julho de 2026 · Rubens Athayde*

Os FIDCs dobraram de tamanho em poucos anos e se aproximam de R$ 1 trilhão, mas gestores veem espaço para mais. Bruno Spilberg, Delano Macedo e Gustavo Cortes apontam desbancarização, novos investidores e nichos resilientes. Entenda como isso afeta suas aplicações.

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) não param de crescer. Em poucos anos, o patrimônio desses fundos dobrou e já se aproxima de R$ 1 trilhão. Mesmo assim, gestores avaliam que esse movimento é apenas o começo.

Para Bruno Spilberg, gestor de crédito da SPX Capital, os FIDCs "ainda estão só arranhando a ponta do iceberg". Ele afirmou durante a Expert XP 2026 que os bancos enxergam o instrumento como interessante para alocação de capital, as empresas veem vantagem sobre o crédito bancário e o investidor encontra planejamento tributário e diversificação com boa relação risco-retorno.

**Desbancarização e novos investidores**

O crescimento dos FIDCs está ligado à desbancarização, tendência que já ocorreu em países como os Estados Unidos, onde o mercado de capitais assume o papel de fornecedor de crédito para o setor privado. Gustavo Cortes, sócio-gestor de private credit da Vinci Partners, destacou que os fundos trazem novas tecnologias para levar crédito a setores diversos.

Delano Macedo, sócio-fundador e diretor de crédito da Solis Investimentos, lembrou que o próprio Banco Central estimula a redução da concentração do crédito nos bancos, hoje centrada em cinco grandes instituições. "A decisão da CVM de liberar os FIDCs para o investidor de varejo é um sinal de maturidade do mercado, e vemos o número de investidores triplicar de 2005 para cá", afirmou no mesmo debate.

**Bancos como parceiros**

Os bancos têm procurado gestoras de FIDCs para oferecer operações em que não querem atuar diretamente, como crédito para pequenas e médias empresas, consignado privado e segmentos onde a escala não compensa. Segundo Macedo, os FIDCs funcionam como "canivete suíço", adaptando-se a cada tipo de ativo, o que reduz riscos e aproxima os fundos da economia real.

**Riscos e recomendações**

Gustavo Cortes recomenda que o investidor avalie o histórico do gestor e como o setor de atuação do FIDC se comportou em crises. Ele lembra que os fundos já passaram por várias crises desde os anos 2000, e a estrutura de tranches e cotas subordinadas ajuda a amortecer a inadimplência.

Bruno Spilberg alerta que, quando "11 em cada 10 pessoas" falam de FIDCs, é preciso cautela. Mas defende que o segmento já enfrentou crises e saiu bem pela própria estrutura das securitizações. Delano Macedo acrescenta que o crescimento exige disciplina, governança e regras rígidas para concessão de crédito, com prazos compatíveis entre recebíveis e resgates.

## Perguntas Frequentes

### O que é um FIDC?

É um fundo que investe em direitos creditórios, como duplicatas, cheques e contratos, oferecendo ao investidor exposição a crédito privado com diversificação.

### Qual o valor atual dos FIDCs?

O patrimônio dos FIDCs se aproxima de R$ 1 trilhão, tendo dobrado em poucos anos.

### Como investir em FIDCs?

A CVM liberou os FIDCs para investidores de varejo. É possível investir por meio de corretoras, avaliando o histórico do gestor e o setor de atuação do fundo.

### FIDCs são seguros?

Os gestores destacam que a estrutura de tranches e cotas subordinadas reduz riscos, mas é preciso analisar o gestor e o comportamento do setor em crises.

### Qual a diferença entre FIDC e CDB?

Enquanto o CDB é um título bancário com garantia do FGC, o FIDC investe em uma carteira de créditos, com potencial de retorno maior, mas sem garantia do fundo garantidor.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/crescimento-fidcs-so-8220ponta-iceberg8221-dizem-gestores/
