# Correção nas ações de IA: ajuste saudável, dizem especialistas

> A correção nas ações de inteligência artificial é vista por especialistas de Wall Street como um ajuste saudável do mercado, não como o fim da corrida tecnológica. O movimento reflete uma reprecificação das expectativas exageradas dos investidores, enquanto os investimentos em infraestrutura e aplicações de IA seguem em expansão.

*Mercado Valor · Investimentos · 15 de setembro de 2026 · Otávio Bandeira*

Vendas em ações ligadas à IA reacenderam o debate em Wall Street: correção saudável ou fim da corrida? Especialistas apontam reprecificação de expectativas, com investimentos ainda em expansão.

Os alertas recentes de líderes da indústria de inteligência artificial provocaram uma onda de vendas em ações do setor nesta segunda-feira e reacenderam um debate em Wall Street: a corrida da IA estaria chegando ao limite ou o mercado apenas passa por uma correção após valorização excessiva?

Especialistas ouvidos pelo mercado apontam a segunda hipótese como predominante. O discurso mais cauteloso de executivos como Dario Amodei, da Anthropic, levantou dúvidas sobre o ritmo de evolução dos modelos mais avançados, mas a avaliação geral é que a tecnologia continua em expansão e o movimento atual está mais ligado à reprecificação de expectativas do que a uma mudança estrutural da tese de investimento.

Análise do Goldman Sachs destaca que os comentários de Amodei, endossados em diferentes graus por outros líderes do setor, como Sam Altman e Elon Musk, pressionaram empresas ligadas ao tema. O temor é que preocupações com segurança e alinhamento de sistemas levem a regulações mais rígidas e reduzam os múltiplos de valuation das companhias de IA.

Apesar disso, a casa afirma que o mercado pode estar exagerando na leitura negativa. Segundo a análise, os próprios alertas dos executivos podem ser interpretados como demonstração da velocidade dos avanços tecnológicos. Na visão do banco, dificilmente gigantes como Microsoft, Meta ou os grupos chineses interromperão seus investimentos, sendo mais provável a adoção de mecanismos adicionais de supervisão e controle.

Para Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás, o cenário está longe de representar um colapso. "Estamos longe do 'fim do mundo'. Pelo contrário, estamos no início de uma nova era de desenvolvimento e escala", afirma. Segundo ele, a IA acelera a transição para uma economia cada vez mais digital, marcada pela interação entre agentes autônomos e novos modelos de negócios. Parte do pessimismo, diz, é alimentada por um ambiente em que mensagens alarmistas ganham visibilidade. "O medo vende e traz atenção. Em muitos casos, isso acaba atrasando a adoção da tecnologia e prejudicando o processo de requalificação profissional", afirma.

A avaliação é semelhante à de Flavio Terni, cofundador da Revert. Para ele, o mercado passou os últimos anos precificando uma trajetória praticamente perfeita para a IA. "Não é fim do mundo, é uma reprecificação. O mercado tratou a IA como uma certeza linear e colocou no preço um cenário de perfeição", afirma. Segundo Terni, quando os próprios líderes do setor discutem desaceleração e cautela, o que sai do preço não é a tese da inteligência artificial, mas o prêmio associado às expectativas mais otimistas.

Na mesma linha, Gabriel Pinheiro, sócio da GT Capital, afirma que a queda recente pode ser interpretada como um processo saudável de retorno aos fundamentos. "A inteligência artificial veio para ficar. O que pode estar acontecendo é apenas uma correção porque os preços avançaram mais rápido do que os resultados", afirma. Para ele, a tecnologia continua transformadora para diversos setores, mas os investidores voltam a questionar quais empresas conseguirão converter os enormes investimentos em geração de caixa e lucro.

O Goldman Sachs reforça essa visão ao destacar que as mensagens apresentadas em sua conferência de tecnologia continuam apontando para forte expansão dos investimentos no setor. Segundo o banco, Jensen Huang, CEO da Nvidia, reiterou projeções de US$ 3 trilhões a US$ 4 trilhões em investimentos globais em infraestrutura de IA até 2030. A demanda permanece acima da oferta em segmentos como data centers, energia elétrica e terrenos para novas instalações. O banco também destaca que fabricantes de equipamentos para semicondutores continuam reportando carteiras robustas de pedidos, enquanto aplicações de inferência de IA e o crescimento do volume de dados sustentam perspectivas positivas para o mercado de memória e armazenamento.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/correcao-ou-fim-mundo-especialistas-veem-ajuste-saudavel-acoes-ligadas-ia/
