# Cenário piorou, é hora de segurar a carteira, diz BofA; veja ação para comprar e duas para evitar

> Bank of America (BofA) alerta que o cenário macro piorou e recomenda segurar a carteira. Rubens Athayde analisa o relatório e aponta uma ação defensiva para comprar na B3, além de duas empresas para evitar, em meio a juros altos e inflação resiliente.

*Mercado Valor · Investimentos · 15 de julho de 2026 · Rubens Athayde*

Bank of America alerta que cenário macro piorou e recomenda cautela. Rubens Athayde analisa relatório do BofA, aponta uma ação defensiva para comprar e duas empresas para evitar na B3 neste momento de juros altos e inflação resiliente.

## O cenário piorou, e é hora de segurar a carteira, diz BofA; veja uma ação para comprar e duas para evitar

O Bank of America (BofA) revisou sua visão para o mercado brasileiro e o recado é claro: o cenário piorou, e a recomendação é segurar a carteira. O relatório do banco americano, divulgado em maio de 2026, aponta que a combinação de juros elevados, inflação resiliente e incerteza fiscal exige seletividade. Para o investidor pessoa física, isso significa saber onde colocar o dinheiro, e, principalmente, onde não colocar.

**Resposta direta:** O Bank of America revisou seu cenário macro para pior, recomendando cautela. Para o investidor, a orientação é priorizar ações defensivas com dividendos consistentes. Uma ação para comprar é a de uma utility elétrica com forte geração de caixa. Duas para evitar: varejistas expostas a crédito e siderurgia com dívida alta.

## Por que o BofA vê o cenário piorando

O Bank of America baseia sua análise em três pilares macroeconômicos que se deterioraram nos últimos meses. O primeiro é a taxa Selic, que, segundo o Banco Central, encerrou maio em 9,75%, patamar não visto desde 2024. Juros altos comprimem o consumo e encarecem o crédito corporativo.

O segundo é a inflação. O IPCA acumulado em 12 meses fechou maio em 4,2% (IBGE, IPCA mensal, mai/2026), acima do centro da meta de 3,5%. Isso reduz o espaço para cortes de juros e pressiona o custo de vida das famílias.

O terceiro é o risco fiscal. O mercado acompanha de perto a trajetória da dívida pública, que, de acordo com o Tesouro Nacional, atingiu 78% do PIB em abril de 2026. O aumento da dívida eleva o prêmio de risco e afeta a confiança do investidor estrangeiro.

## Ação para comprar: defensiva e com dividendos

O BofA recomenda uma ação do setor elétrico, especificamente uma utility com forte geração de caixa e histórico de distribuição de dividendos. A escolha se alinha à estratégia de portfólio defensivo: empresas que entregam resultados independentemente do ciclo econômico.

A ação indicada é a de uma empresa que opera hidrelétricas e linhas de transmissão, com contratos de longo prazo corrigidos pela inflação. O dividend yield projetado para 2026 é de 8,5%, de acordo com estimativas do próprio banco. Para quem busca renda passiva, essa é uma alternativa que combina previsibilidade e baixo risco de crédito.

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## Duas ações para evitar agora

### Varejo exposto a crédito

O BofA coloca no banco dos réus as varejistas com alta exposição a crédito ao consumidor. Com a Selic em 9,75% e a inflação acima da meta, a inadimplência tende a subir. Dados do Banco Central indicam que a inadimplência das famílias subiu para 4,8% em abril de 2026, maior nível desde 2023. Empresas que financiam compras próprias, como lojas de móveis e eletrodomésticos, sentem o aperto duplamente: vendas caem e calotes aumentam.

### Siderurgia com dívida alta

Outro setor na lista de evitação é o siderúrgico, especialmente empresas com alavancagem financeira elevada. O ciclo de juros altos encarece o serviço da dívida, e a demanda por aço no mercado interno perde força com a desaceleração da construção civil. O BofA estima que a relação dívida líquida/EBITDA de uma das principais siderúrgicas brasileiras subiu para 3,2 vezes em 2026, patamar que acende alerta vermelho.

## O que o investidor deve fazer na prática

A recomendação do BofA não é vender tudo e correr para a renda fixa, mas sim rebalancear com critério. O banco sugere reduzir exposição a setores cíclicos e aumentar alocação em empresas com:

- Baixo endividamento (dívida líquida/EBITDA abaixo de 1,5x)
- Receitas recorrentes ou contratos de longo prazo
- Histórico de distribuição de dividendos mesmo em crises
- Setores como energia elétrica, saneamento e seguros

O ciclo sempre vira, e quem se prepara agora colhe os frutos depois. Mas, enquanto o cenário não melhora, a palavra de ordem é seletividade.

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## Perguntas Frequentes

### O Bank of America recomenda vender todas as ações?

Não. O BofA recomenda cautela e seletividade, não uma saída geral da bolsa. A orientação é priorizar setores defensivos e evitar empresas endividadas ou expostas a crédito.

### Qual é a ação que o BofA recomenda comprar?

Uma utility do setor elétrico com forte geração de caixa e dividend yield projetado de 8,5% para 2026, segundo estimativas do banco.

### Por que evitar varejo exposto a crédito?

Porque a inadimplência das famílias subiu para 4,8% em abril de 2026, segundo o Banco Central, e juros altos comprimem o consumo, gerando dupla pressão sobre essas empresas.

### O que significa segurar a carteira?

Significa manter posições em ativos de qualidade, sem fazer movimentos bruscos de venda, mas também sem aumentar exposição a risco. É uma postura de espera e rebalanceamento.

### Como o cenário macro afeta as ações?

Juros altos e inflação resiliente comprimem lucros de empresas endividadas e dependentes de consumo. Setores defensivos, como utilities, são menos impactados.

### O BofA recomenda renda fixa agora?

O relatório não foca em renda fixa, mas, com a Selic em 9,75%, títulos pós-fixados e IPCA+ se tornam alternativas competitivas para o curto prazo.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/cenario-piorou-hora-segurar-carteira-diz-bofa-veja-uma-acao-comprar-duas-evitar/
