# BHIA3 dispara 47%: Casas Bahia tem recuperação judicial acelerada

> Casas Bahia (BHIA3) registrou alta de 47% nesta segunda-feira (31) após a Justiça de São Paulo aprovar a antecipação dos efeitos do pedido de recuperação judicial. A decisão suspende cobranças contra a varejista por 180 dias, acelerando o processo de reestruturação financeira. A medida visa proteger a operação da empresa durante o período de negociação com credores.

*Mercado Valor · Investimentos · 31 de agosto de 2026 · Bianca Solano*

As ações da Casas Bahia (BHIA3) disparam 47% nesta segunda-feira (31) após a Justiça de São Paulo aprovar a antecipação dos efeitos do pedido de recuperação judicial, suspendendo cobranças contra a varejista por 180 dias.

As ações da Casas Bahia (BHIA3) operam em forte alta nesta segunda-feira (31), após a companhia informar que a Justiça de São Paulo aprovou a antecipação dos efeitos do pedido de recuperação judicial. A decisão suspende cobranças contra a varejista por 180 dias (6 meses), o que animou investidores e levou o papel a disparar 47,50%, cotado a R$ 0,59 por volta das 11h50 (horário de Brasília).

A medida, assinada pelo Juízo da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, suspende, a contar de 19 de agosto e até 15 de fevereiro de 2027, "todas as ações e execuções contra as recuperandas (empresas do grupo)" e veda "novos atos constritivos". Ou seja, credores não podem, por ora, tomar medidas para cobrar dívidas da companhia.

Apesar do alívio no curto prazo, a juíza Taina Maria Leonardo de Oliveira não deferiu, neste momento, o processamento da recuperação judicial. Ela determinou trabalhos periciais para constatar a situação financeira da varejista, a cargo da ACFB Administração Judicial, que terá 30 dias para entregar o laudo. Na decisão, a magistrada ressalta que a lei autoriza "expressamente a concessão de tutela de urgência antecedente para suspender execuções e atos de constrição antes da decisão formal de processamento", e que "o perigo de dano revela-se concreto e atual".

A companhia também obteve o restabelecimento do acesso às suas contas no BTG Pactual, que foi acatado pela juíza. O bloqueio, segundo ela, "impede a gestão ordinária da atividade". O banco tem 24 horas para liberar o acesso, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Além disso, a empresa pediu o estorno de retenções sobre a "agenda de recebíveis" feitas pelas credenciadoras Cielo, Getnet e Redecard, que podem "configurar conduta unilateral incompatível com os arranjos de pagamento".

A disparada das ações, no entanto, precisa ser lida com cautela. Os papéis da varejista negociam na casa dos centavos, e pequenas oscilações geram variações percentuais expressivas. A recuperação judicial foi pedida em 16 de agosto, em conjunto com algumas subsidiárias, em meio a um cenário de juros elevados, restrição de crédito e pressão sobre o consumo. No segundo trimestre, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, 18 vezes maior que o saldo negativo de R$ 555 milhões do mesmo período do ano anterior, impactado por R$ 9,1 bilhões em eventos não recorrentes.

O mercado agora aguarda o laudo pericial para saber se a recuperação judicial será formalmente deferida. Enquanto isso, a decisão desta segunda-feira dá fôlego à companhia para reorganizar suas finanças sem a pressão imediata de execuções e bloqueios. Para o investidor, o movimento reforça o risco e a volatilidade típicos de ativos em recuperação, onde o desfecho ainda é incerto.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/casas-bahia-bhia3-por-acoes-disparam-47-nesta-segunda-feira-31/
