# Camil (CAML3): dados mostram cenário desafiador e ação cai 18% após resultado fraco

> A Camil (CAML3) registrou queda de 18% nas ações na B3 após divulgar resultados do 1º trimestre de 2026. A receita recuou 5,2% e a dívida líquida subiu para R$ 3,2 bilhões, indicando cenário desafiador para a companhia.

*Mercado Valor · Investimentos · 15 de julho de 2026 · Caetano Vidal*

As ações da Camil (CAML3) despencaram 18% na B3 após a divulgação de resultados do 1º trimestre de 2026. Receita caiu 5,2% e dívida líquida subiu para R$ 3,2 bilhões. Entenda os números e o que esperar do papel.

As ações da Camil (CAML3) caíram 18% na B3 nesta quinta-feira, 12 de junho de 2026, após a divulgação do balanço do 1º trimestre fiscal. Os números mostraram receita líquida de R$ 2,1 bilhões, queda de 5,2% em relação ao mesmo período de 2025. A dívida líquida subiu para R$ 3,2 bilhões, alta de 12%. A margem bruta encolheu de 22,1% para 18,3%, pressionada por custos de commodities e frete. O mercado reagiu com vendas pesadas: o papel fechou a R$ 4,82, menor patamar desde novembro de 2024.

Segundo o relatório gerencial da companhia, a receita líquida consolidada somou R$ 2,1 bilhões no trimestre encerrado em maio de 2026, contra R$ 2,215 bilhões um ano antes (Camil, Releases de Resultados, jun/2026). O EBITDA ajustado foi de R$ 198 milhões, recuo de 15,3% na comparação anual. A margem EBITDA passou de 10,5% para 9,4%. O lucro líquido atribuível aos controladores ficou em R$ 62 milhões, queda de 31%.

## Por que a Camil (CAML3) caiu tanto?

O mercado penalizou a Camil por três razões principais. Primeiro, a receita veio abaixo do consenso de R$ 2,25 bilhões (Bloomberg, estimativas de mercado, jun/2026). Segundo, a dívida líquida de R$ 3,2 bilhões representa 3,8 vezes o EBITDA dos últimos 12 meses, acima do teto de 3,0 vezes que a própria empresa estabeleceu como meta. Terceiro, a margem bruta de 18,3% é a mais baixa desde 2022, quando a inflação de alimentos pressionou custos.

### O peso das commodities

A Camil é uma das maiores processadoras de arroz, feijão e açúcar do Brasil. Nos últimos 12 meses, o preço do arroz em casca subiu 22% no Rio Grande do Sul, principal região produtora (Cepea/Esalq, Indicador do Arroz, jun/2026). Já o açúcar cristal teve alta de 14% no mercado interno. A empresa repassou parte desses custos aos consumidores, mas não o suficiente para manter a margem.

### Dívida e juros

A dívida líquida de R$ 3,2 bilhões é composta 65% por CDI + 2,5% ao ano e 35% por operações atreladas à TJLP. Com a Selic em 9,75% ao ano (Banco Central, maio/2026), o custo financeiro líquido foi de R$ 187 milhões no trimestre, alta de 18%. A empresa já anunciou que vai reduzir investimentos em 2026 para priorizar desalavancagem.

## O que esperar da Camil (CAML3) em 2026?

A Camil revisou sua projeção de receita para 2026 de R$ 9,5 bilhões para R$ 9,0 bilhões, segundo comunicado ao mercado (Camil, Fato Relevante, 11/jun/2026). A empresa espera margem bruta entre 19% e 20% no segundo semestre, desde que os preços das commodities arrefeçam. O plano de desalavancagem prevê venda de ativos não estratégicos, como terrenos e silos, para levantar até R$ 400 milhões.

### O papel ainda vale a pena?

A Camil (CAML3) negocia a 6,2 vezes o lucro estimado para 2026, abaixo da média histórica de 10,5 vezes (Economatica, dados históricos, jun/2026). O dividend yield projetado é de 4,8%, com base no payout de 40% do lucro líquido. Para investidores de longo prazo, o risco é de nova deterioração das margens se os custos agrícolas continuarem subindo.

## Análise técnica de CAML3

O gráfico diário de CAML3 mostra suporte em R$ 4,50, testado três vezes em maio. A resistência imediata está em R$ 5,20. O RSI (índice de força relativa) de 14 períodos está em 32, perto da zona de sobrevenda. O volume médio diário de negociação subiu para 2,8 milhões de ações, contra 1,2 milhão na média dos últimos 3 meses, indicando maior atenção do mercado.

### Riscos adicionais

Além do cenário macro, a Camil enfrenta riscos climáticos. O La Niña previsto para o segundo semestre de 2026 pode reduzir a safra de arroz no Rio Grande do Sul em até 8%, segundo a Conab (Conab, Acompanhamento da Safra Brasileira, jun/2026). Isso pressionaria ainda mais os custos da empresa.

## Concorrência e mercado

A Camil compete com a M Dias Branco (MDIA3) no segmento de massas e biscoitos, e com a Jalles Machado (JALL3) no açúcar. A M Dias Branco reportou margem bruta de 24,5% no mesmo trimestre, beneficiada por custos mais baixos de trigo. Já a Jalles Machado tem 70% da receita atrelada ao mercado externo, onde os preços do açúcar caíram 6% no ano.

Para quem quer diversificar no setor de alimentos, vale comparar as empresas ações do agronegócio para 2026. A Camil oferece exposição ao consumo interno, mas com risco de margens apertadas.

## Perguntas Frequentes

### Por que as ações da Camil caíram 18%?

A queda de 18% reflete a reação do mercado ao balanço do 1º trimestre de 2026, que mostrou receita abaixo do esperado, dívida alta e margem bruta em declínio.

### A Camil vai pagar dividendos em 2026?

Sim, a empresa mantém política de payout de 40% do lucro líquido. O dividend yield projetado é de 4,8% para 2026.

### Qual o preço-alvo para CAML3?

Analistas consultados pela Bloomberg projetam preço-alvo médio de R$ 6,20 para os próximos 12 meses, com recomendação de neutro para compra.

### A Camil pode quebrar?

A dívida líquida de R$ 3,2 bilhões é alta, mas a empresa tem geração de caixa positiva e ativos para vender. O risco de calote é baixo no curto prazo.

### Como investir em CAML3?

As ações da Camil são negociadas na B3 sob o ticker CAML3. Qualquer corretora de valores mobiliários habilitada pode comprar o papel.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/camil-caml3-dados-mostram-cenario-desafiador-acao-cai-18-apos-resultado-fraco/
