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Bolsas da Ásia fecham mistas após alta do Fed

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta quinta-feira (17), um dia depois de Wall Street recuar na esteira da primeira alta de juros do Federal Reserve (Fed) em três anos. O índice japonês Nikkei subiu 0,33% em Tóquio, a 64.136,25 pontos. O sul-coreano Kospi ficou praticamente estável em Seul, com baixa de 0,04%, a 6.715,41 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 0,44%, a 24.604,29 pontos, enquanto o Taiex avançou 0,96% em Taiwan, a 46.288,00 pontos.

Na China continental, o pregão foi negativo: o Xangai Composto caiu 0,41%, a 3.875,60 pontos, e o Shenzhen Composto recuou 0,21%, a 2.471,39 pontos. O Fed elevou os juros básicos dos EUA em 25 pontos-base, como previsto, mas surpreendeu ao anunciar decisão unânime e sinalizar a possibilidade de mais uma alta ainda neste ano. Pressionadas pelo anúncio, as bolsas de Nova York caíram na quarta-feira.

A expectativa é que o Banco do Japão (BoJ) também aumente juros amanhã. A queda do petróleo pelo segundo dia consecutivo deu alguma sustentação aos mercados asiáticos: no fim da madrugada, o Brent caía 1,3%, para cerca de US$ 104,5 o barril. Na Oceania, a bolsa australiana terminou em alta de 0,41%, com o S&P/ASX 200 a 8.732,40 pontos.

Para o investidor brasileiro de renda fixa, o movimento externo importa menos pelo que aconteceu na Ásia e mais pelo que ele sinaliza sobre a trajetória dos juros aqui. Uma alta adicional do Fed tende a pressionar o câmbio e, por consequência, a inflação importada, o que costuma reduzir o espaço para cortes agressivos na Selic. Quem tem Tesouro IPCA+ na carteira sente esse efeito no médio prazo, não no fechamento de hoje.

O Copom define o futuro da Selic na próxima reunião, e a decisão do BoJ amanhã entra no radar como termômetro do apetite global por risco. Enquanto isso, o juro composto não perdoa quem fica parado na poupança: com o Fed ainda em ciclo de aperto, a renda fixa brasileira segue oferecendo prêmios que exigem atenção, não pressa.

Lia Hartmann
Especialista em renda fixa
Especialista em renda fixa.
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