# Bolsa e eleições: Ibovespa entre turnos em 5 ciclos

> O Ibovespa registrou alta entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais em quatro dos últimos cinco ciclos eleitorais. O desempenho, porém, foi marcado por volatilidade acentuada, com destaque para 2014, quando seis pregões superaram variações de 3% em aproximadamente duas semanas.

*Mercado Valor · Investimentos · 16 de setembro de 2026 · Bianca Solano*

O Ibovespa subiu entre o primeiro e o segundo turno em quatro das últimas cinco eleições presidenciais. Mas o caminho foi irregular: em 2014, seis pregões passaram de 3% em cerca de duas semanas.

O Ibovespa fechou o intervalo entre o primeiro e o segundo turno em alta em quatro das últimas cinco eleições presidenciais. O saldo, no entanto, esconde um percurso bem menos uniforme do que o número final sugere. É o que aponta estudo de André Moraes, analista, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, com base nos ciclos de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022.

Em 2014, foram seis pregões com variações superiores a 3% em cerca de 14 dias úteis entre as votações. Em 2022, o período teve uma sessão isolada de queda de 4,4%, mesmo com o índice encerrando o intervalo no campo positivo. Olhar só para os pontos de partida e chegada, diz Moraes, esconde a intensidade do que aconteceu no meio do caminho.

## O que o saldo entre turnos não mostra

Uma valorização acumulada pode incluir quedas acentuadas, recuperações e mudanças rápidas de direção antes do resultado final. O ciclo de 2014 é o exemplo mais claro disso: em aproximadamente duas semanas de negociação, seis sessões registraram movimentos acima de 3%. Já em 2022, uma queda isolada de 4,4% conviveu com um saldo positivo no fim do intervalo.

Para o analista, a leitura dos ciclos eleitorais vai além de saber se o índice terminou em alta ou em queda. O comportamento das sessões ajuda a dimensionar como o mercado absorveu as novas informações surgidas entre as duas votações.

## Expectativa já precificada e dispersão entre setores

Outro ponto do estudo é o papel das expectativas formadas antes da votação. Segundo Moraes, o mercado incorpora diferentes cenários eleitorais aos preços antes mesmo da contagem dos votos. A reação após as urnas não dependeria só do resultado, mas da diferença entre o que aconteceu e o que já estava precificado.

"O risco não é o resultado da eleição. O risco é a distância entre o resultado e o que já estava no preço", afirma Moraes.

Nessa leitura, a confirmação de um cenário amplamente esperado pode gerar reação diferente da observada quando o resultado surpreende. Parte do movimento pode ocorrer antes da votação, conforme pesquisas, declarações e propostas econômicas alteram expectativas e posições.

Moraes também destaca que os setores não andam juntos em eleição. Estatais, bancos, elétricas, exportadoras e empresas voltadas ao consumo doméstico reagem de formas distintas ao mesmo resultado, conforme a exposição de cada grupo a juros, câmbio, atividade econômica e decisões de governo. Uma alta do Ibovespa, portanto, não significa valorização generalizada, e um pregão negativo pode esconder papéis andando na direção contrária.

O histórico ajuda menos a apontar uma direção predeterminada para a Bolsa e mais a mostrar quais movimentos merecem atenção entre uma votação e outra. O estudo ressalta ainda que o desempenho passado não representa garantia de resultado futuro.

---

Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/bolsa-eleicoes-5-ciclos-revelam-sobre-ibovespa-entre-turnos/
