BofA inicia cobertura da Bradsaúde com compra e alvo R$ 19
O Bank of America (BofA) iniciou a cobertura da Bradsaúde (SAUD3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 19. A tese se apoia na escala e na resiliência da operação de seguros de saúde da companhia, segundo o banco.
Em resumo, o que mudou: o BofA passou a cobrir o papel com viés positivo, defende que a avaliação atual não reflete o potencial de ganho de mercado, cita a dinâmica de MLR e vê espaço para mais distribuição aos acionistas ao longo do tempo.
O que sustenta a recomendação de compra
O banco descreve a companhia como uma combinação de resultados defensivos, balanço patrimonial sólido e caminhos de crescimento considerados confiáveis. Na visão dos analistas, o preço atual não captura três frentes: ganho de mercado, a dinâmica do índice de sinistralidade médica (MLR, na sigla em inglês) e o espaço para aumento das distribuições aos acionistas.
A rede de distribuição do Bradesco entra como vetor de crescimento no segmento de pequenas e médias empresas (PMEs). Com esse apoio, a Bradsaúde tem caminho facilitado para ampliar participação nas principais regiões. Recentemente, a companhia ganhou participação em SP, RJ, MG e SC e ainda tem espaço para avançar onde a Unimed possui forte presença, segundo os economistas.
A expansão de participação de mercado é um dos principais fatores apontados pelo banco na criação de valor. Além dela, os analistas citam o aumento da penetração dos fatores moderadores e a expansão da plataforma hospitalar por meio da Atlântica, voltada para investimentos no setor hospitalar.
Coparticipação e MLR abaixo do pré-pandemia
O MLR está abaixo dos níveis pré-pandemia, impulsionado pelos fatores moderadores, mecanismos de coparticipação que reduzem o uso excessivo dos serviços médicos. Cerca de 67% da base de clientes possui coparticipação na Bradsaúde, contra 54% em 2021. Entre os pares, é uma das maiores proporções do mercado.
Em 2020, a companhia adotou postura conservadora para suavizar a volatilidade da MLR e retardar possíveis deteriorações das margens. Com essa estratégia, os analistas explicam que a Bradsaúde se mantém competitiva ao longo dos ciclos de preços e protege a rentabilidade.
Números da tese
A companhia é negociada a 8,3x o P/L projetado para 2027. As projeções do banco indicam crescimento de 15% dos lucros e dividend yield de 6%.
Para quem acompanha o setor, a leitura fria é que a tese depende de execução: ganho de share, coparticipação alta e disciplina de margem. Nem tudo que sobe vira tendência, e aqui o gatilho é operacional, não narrativo. Vale acompanhar os próximos dados de sinistralidade e a evolução da participação nas regiões citadas.