# BDRs ganham espaço na Bolsa como acesso a ETFs estrangeiros

> BDRs de ETFs representam uma nova categoria de investimento na Bolsa brasileira, permitindo acesso a fundos estrangeiros sem necessidade de conta no exterior. Esses certificados replicam ETFs internacionais, oferecendo diversificação global e exposição a mercados como o americano. A tendência amplia as opções para investidores locais, com custos e regulamentação adaptados ao mercado doméstico.

*Mercado Valor · Investimentos · 28 de julho de 2026 · Otávio Bandeira*

Os BDRs de ETFs estão se consolidando na Bolsa brasileira como uma alternativa aos ETFs tradicionais, representando uma nova forma de acesso a investimentos internacionais. Este artigo analisa essa tendência e seu impacto nos investidores.

## BDRs ganham espaço na Bolsa como via de acesso a ETFs estrangeiros

Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) de ETFs têm se consolidado como uma alternativa interessante na Bolsa brasileira, especialmente em um contexto de crescimento dos ETFs no país. Esses instrumentos financeiros são recibos emitidos no Brasil que têm como lastro cotas de ETFs estrangeiros. Eles vêm, assim, se sobrepondo aos ETFs de ETFs, que são fundos de índice locais que investem em outros fundos de índice no exterior.

Atualmente, há 300 BDRs de ETFs ativos listados na Bolsa brasileira. Em comparação, os ETFs brasileiros - sejam eles de ETFs ou não - totalizam 161, segundo dados da Economatica. Rodrigo Aloi, head de alocação da HMC Capital, observa que existe uma grande ineficiência nesse mercado que ainda não foi percebida. Para Aloi, os BDRs têm potencial para crescer ainda mais: "O investidor de ETF sempre argumenta que é orientado pelos custos; e se ele é mesmo sensível a custo, na teoria deveria preferir o BDR de ETF."

## Estrutura e custos: BDRs versus ETFs de ETFs

A diferença central entre BDRs de ETFs e ETFs de ETFs reside em sua estrutura. Enquanto o ETF de ETF atua como uma camada intermediária, construindo uma "casca" no Brasil para acessar um ETF no exterior, o BDR é um recibo que representa diretamente a cota do ETF estrangeiro. Como resultado, o investidor que opta pelos BDRs não enfrenta a taxa de administração adicional que caracteriza os ETFs de ETFs.

As taxas de administração dos ETFs de ETFs costumam variar entre 0,20% e 0,30% ao ano. Contudo, essa cobrança é apenas uma fração que remunera o custodiante e o gestor do veículo local. No caso dos BDRs, a estrutura não possui essa camada intermediária, e os investidores apenas pagam a taxa do fundo original, além de um custo de custódia que é considerado desprezível, conforme explica Aloi: "não chega nem perto dos 0,20%."

Aloi descreve o BDR como um ativo de "acesso 95% direto" ao ETF estrangeiro, ressaltando que "o resultado do investidor aqui vai ser necessariamente o resultado do ETF lá fora mais a variação cambial." Portanto, a diferença de custos entre as duas opções se resume à taxa de administração.

## Dividendos e rentabilidade

Contudo, essa análise de custos deve considerar os dividendos. Os ETFs americanos, como regra, distribuem proventos, e quando isso ocorre, o depositário do BDR retém cerca de 4% do valor distribuído ao investidor brasileiro. Para ETFs com baixo dividend yield, em torno de 1,3%, esse custo se torna inferior a 0,10% ao ano, o que mantém o BDR mais barato. No entanto, em produtos de renda fixa com yields próximos de 5%, a situação pode se equilibrar ou até se inverter. Aloi resume: "Para menos de 5% de dividend yield, o BDR de ETF via de regra é mais barato."

## Liquidez e transparência

A liquidez é um argumento frequentemente levantado contra os BDRs, mas Aloi contesta essa percepção comum. Ele argumenta que "a liquidez de tela de um ETF é menos relevante do que a liquidez do ativo subjacente." Se as ações que compõem o índice no exterior possuem boa liquidez, o formador de mercado consegue emitir e resgatar cotas, aplicando-se a mesma lógica aos recibos.

A transparência e a governança entre as duas estruturas também são comparáveis. A carteira do ETF estrangeiro é divulgada diariamente em ambas as opções, garantindo que os investidores tenham acesso às informações necessárias.

## Tributação: BDRs e ETFs globais

No que diz respeito à tributação, Aloi afirma que não há diferença entre ETF global e ETF de ETF para o investidor local. A principal distinção está no domicílio do ETF no exterior. Os dividendos pagos por ETFs americanos estão sujeitos a uma retenção de 30% na fonte, enquanto os ETFs irlandeses, conhecidos como UCITS, têm uma retenção de 15%. Apesar dessa diferença, na prática, ela não impacta significativamente, pois a maioria dos BDRs está concentrada em ETFs americanos.

## O futuro dos BDRs de ETFs

Diante da vantagem de custo dos BDRs na maioria dos casos, pode-se questionar por que os ETFs de ETFs ainda permanecem populares. Aloi atribui essa situação à falta de maturidade do mercado, uma vez que os BDRs são relativamente novos e foram liberados para o público geral apenas em 2020. Além disso, muitos alocadores ainda não estão familiarizados com esse instrumento.

Entretanto, Aloi não vê a taxa de administração do ETF de ETF como indevida. Ele observa que "tem uma gestora que precisa desse 0,20% e talvez sem ela as pessoas não tivessem conhecimento sobre o instrumento, materiais de qualidade, suporte." Além disso, existem funções que somente a estrutura local pode cumprir, como acumular dividendos em vez de distribuí-los e oferecer versões com hedge cambial, o que é "impossível de fazer" através de BDRs.

## O ritmo de lançamentos e a percepção do mercado

O ritmo de lançamentos de BDRs de ETFs reflete um mercado em desenvolvimento. Em 2020, foram lançados 39 BDRs de ETF, enquanto 2022 registrou um pico de 81. Em 2024, esse número caiu para 14, mas em 2025 houve uma recuperação com 48 lançamentos, além de 8 lançamentos até julho deste ano, conforme dados da Economatica. Aloi acredita que a expansão da oferta não é um problema, afirmando que "é só pedir para listar que lista." O que realmente representa um desafio é a percepção do mercado. "O ETF de ETF está exatamente onde deveria estar. É o BDR de ETF que precisa acompanhar o ritmo."

## Conclusão

O crescimento dos BDRs de ETFs na Bolsa brasileira representa uma evolução no acesso a investimentos internacionais, oferecendo uma alternativa mais direta e geralmente mais barata aos ETFs de ETFs. Conforme o mercado amadurece, é provável que mais investidores se familiarizem com esses instrumentos e explorem suas vantagens, resultando em um cenário ainda mais dinâmico e diversificado para o investidor brasileiro.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/bdrs-ganham-espaco-bolsa-como-via-acesso-etfs-estrangeiros/
