# Azzas (AZZA3): o que o mercado ganha com o divórcio, segundo JP Morgan

> Azzas 2154 (AZZA3) recebe avaliação positiva do JP Morgan após a decisão de desfazer a fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma. A reorganização societária elimina problemas de governança corporativa, mas o banco aponta incertezas remanescentes sobre a execução da cisão. O mercado ganha com a simplificação estrutural, embora a conclusão do processo dependa de detalhamento operacional futuro.

*Mercado Valor · Investimentos · 02 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

JP Morgan avalia positivamente a decisão da Azzas 2154 (AZZA3) de desfazer a fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma. Reorganização elimina problemas de governança, mas ainda há incertezas sobre a execução da cisão.

A decisão da Azzas 2154 (AZZA3) de desfazer a fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma foi recebida de forma positiva pelo JP Morgan. Em relatório divulgado nesta terça-feira (2), o banco afirma que a reorganização elimina um dos principais obstáculos para a companhia: os problemas de governança que afetavam a operação e o planejamento de longo prazo das marcas.

Após meses de negociações, os controladores Alexandre Birman e Roberto Jatahy chegaram a um acordo para dividir a empresa em duas companhias independentes, listadas no Novo Mercado da B3. A operação marca o retorno das estruturas da Arezzo&Co e da Soma, pouco mais de dois anos após a criação da Azzas 2154.

Na avaliação dos analistas do JP Morgan, a separação permitirá que cada grupo opere com gestão própria e foco total em seus negócios. "O acordo agora permite a existência de duas empresas com gestão e governança independentes, além de reorganizar a Farm em uma estrutura separada", escreveram.

A reorganização também cria uma terceira sociedade para concentrar a Farm e suas extensões, incluindo Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula. A nova estrutura terá participação de 57,4% da futura Arezzo&Co e de 42,6% da Soma. Segundo o banco, esse desenho prepara o terreno para uma eventual venda ou IPO da Farm Rio, definindo com clareza quanto caberá a cada bloco controlador.

De acordo com a proposta anunciada pela companhia, a Arezzo&Co ficará com a plataforma de calçados e acessórios, reunindo marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman e Carol Bassi, além da Hering. Já a Soma concentrará Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros, Foxton, Oficina e Reserva.

Depois da reorganização, o bloco Birman terá 32,13% da Arezzo&Co e manterá 6,18% da Soma. O bloco Jatahy ficará com 25,95% da Soma.

Apesar da avaliação positiva, o JP Morgan destaca que ainda há poucos detalhes sobre a execução da cisão. Entre os pontos em aberto estão a distribuição de dívida e caixa, a alocação de ativos e passivos fiscais, e os números financeiros de cada unidade. A expectativa é que o processo leve mais de seis meses.

O banco espera que dívida e caixa sejam repartidos para manter níveis semelhantes de alavancagem, próximos de 2 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda do segundo trimestre de 2026. Mas a separação pode gerar perda de sinergias e aumento de despesas. Outro ponto de atenção é a participação residual de cerca de 6% do bloco Birman na Soma, que pode pressionar as ações caso seja vendida.

O JP Morgan manteve recomendação neutra para os papéis da Azzas 2154. A ação negocia a cerca de 4,5 vezes o lucro projetado para 2027, múltiplo atrativo, mas insuficiente para justificar otimismo diante das incertezas da reestruturação.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/azzas-azza3-mercado-ganha-divorcio-entre-arezzo-soma-segundo-jp-morgan/
