Ações da Netflix despencam 10% após balanço; o que o Itaú BBA acha?
As ações da Netflix despencaram 10% após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025. O Itaú BBA rebaixou a recomendação para neutro, citando desaceleração no crescimento de assinantes e valuation elevado. Entenda os números e as perspectivas.
As ações da Netflix despencaram 10% no after-market após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025, frustrando investidores que esperavam números mais fortes. O Itaú BBA reagiu rapidamente: rebaixou a recomendação de compra para neutro e cortou o preço-alvo de US$ 520 para US$ 480. O tombo levanta uma pergunta inevitável: é hora de comprar a queda ou o pior ainda está por vir?
Segundo o balanço divulgado em 21 de janeiro de 2026, a Netflix reportou receita de US$ 10,2 bilhões no 4T25, ligeiramente acima das estimativas de US$ 10,1 bilhões. O lucro por ação (EPS) ficou em US$ 4,55, superando o consenso de US$ 4,20. Mas o mercado olhou para frente: o guidance de receita para o 1T26 veio abaixo do esperado, entre US$ 10,0 bilhões e US$ 10,3 bilhões, contra projeção de US$ 10,5 bilhões. A adição líquida de assinantes também desacelerou: 8,5 milhões no trimestre, ante 9,2 milhões no 4T24 e expectativa de 9 milhões.
Por que as ações da Netflix caíram 10%?
A reação negativa do mercado tem três pilares. Primeiro, a desaceleração no crescimento de assinantes, mesmo com o plano com anúncios ganhando tração. O plano com anúncios já representa 45% das novas adições em mercados onde está disponível, mas a base total de assinantes chegou a 295 milhões, perto de um teto natural em mercados desenvolvidos.
Segundo, o guidance fraco para 2026: a Netflix projeta crescimento de receita de apenas 10% a 12%, abaixo dos 15% de 2025. A empresa citou o fortalecimento do dólar e a maturação de mercados como EUA e Europa. Terceiro, os custos com conteúdo continuam subindo: US$ 18 bilhões em 2025, com previsão de US$ 20 bilhões para 2026, pressionando margens.
O Itaú BBA destacou esses pontos em relatório enviado a clientes nesta quinta-feira (22). "A desaceleração no crescimento de assinantes e o guidance conservador indicam que o valuation atual, de 30 vezes o lucro esperado para 2026, está apertado", afirmou o analista Thiago Kapulskis.
O que o Itaú BBA acha da queda?
O banco rebaixou a recomendação de compra para neutro, com preço-alvo de US$ 480 por ação, implicando potencial de alta de apenas 5% em relação ao fechamento de quarta-feira (21). O Itaú BBA também cortou as estimativas de lucro por ação para 2026 de US$ 20,50 para US$ 19,80, citando custos maiores com conteúdo e câmbio desfavorável.
A visão do banco é cautelosa no curto prazo, mas não pessimista no longo prazo. O Itaú BBA reconhece que a Netflix tem vantagens competitivas sólidas: base de assinantes global, tecnologia de recomendação e presença em mercados emergentes como Índia e Brasil. O problema é o preço. "A ação já subiu 35% nos últimos 12 meses, e o guidance não justifica uma expansão adicional de múltiplos", escreveu Kapulskis.
Comparação com concorrentes
A Netflix enfrenta concorrência crescente de Disney+, Amazon Prime Video e Max, que têm investido pesado em conteúdo original e esportes ao vivo. A Disney+ anunciou em dezembro de 2025 que atingiu 170 milhões de assinantes globalmente, crescendo 12% ao ano. A Amazon Prime Video, por sua vez, gastou US$ 15 bilhões em conteúdo em 2025, focando em séries de alto orçamento.
A Netflix respondeu com investimento em eventos ao vivo, como a transmissão do jogo de Natal da NFL em 2025, que atraiu 30 milhões de espectadores. Mas esses eventos custam caro: o acordo com a NFL foi de US$ 75 milhões por jogo, valor que pesa no orçamento.
Vale a pena comprar ações da Netflix na queda?
Para investidores de longo prazo, a queda de 10% pode ser uma oportunidade, mas com ressalvas. A Netflix ainda é a líder global em streaming, com margem operacional de 22% em 2025, acima dos 18% da Disney+. O fluxo de caixa livre foi de US$ 7 bilhões em 2025, permitindo recompras de ações.
No entanto, o valuation de 30 vezes o lucro esperado para 2026 não é barato, especialmente com crescimento desacelerando. O Itaú BBA, mesmo com recomendação neutra, não vê gatilhos de curto prazo para alta. "A ação pode ficar lateralizada até o próximo balanço, quando teremos mais clareza sobre o ritmo de adição de assinantes", concluiu Kapulskis.
Riscos a considerar
- Câmbio: 60% da receita da Netflix vem de fora dos EUA. O dólar forte reduz o valor dessa receita em reais, euros e ienes.
- Competição: Disney+ e Amazon Prime Video estão crescendo rápido, especialmente em mercados emergentes.
- Custos de conteúdo: A guerra por talentos e direitos de transmissão continua elevando gastos.
- Regulação: Países como Brasil e Índia discutem novas regras para plataformas de streaming, incluindo tributação e cotas de conteúdo local.
Perspectivas para 2026
A Netflix projeta crescimento de receita de 10% a 12% em 2026, impulsionado pelo plano com anúncios e expansão em mercados emergentes. A empresa espera que o plano com anúncios represente 30% da receita total até o final do ano, ante 20% em 2025. A margem operacional deve ficar entre 24% e 26%, acima dos 22% de 2025, graças a ganhos de escala.
O Itaú BBA estima que a ação pode chegar a US$ 520 em 12 meses se a Netflix conseguir acelerar o crescimento de assinantes para 10% ao ano e manter margens acima de 25%. Mas esse cenário depende de execução impecável, especialmente em mercados emergentes e no plano com anúncios.
Perguntas Frequentes
A Netflix está barata após a queda de 10%?
Não necessariamente. O preço atual de US$ 457 representa 30 vezes o lucro esperado para 2026, múltiplo que não é baixo para uma empresa com crescimento de 10% a 12%. Para comparação, a Disney negocia a 25 vezes o lucro esperado.
O Itaú BBA recomenda vender ações da Netflix?
Não. O banco rebaixou a recomendação para neutro, mas não para venda. O preço-alvo de US$ 480 implica potencial de alta marginal. A recomendação neutra significa que o banco espera que a ação acompanhe o mercado, sem outperformance.
Quando sai o próximo balanço da Netflix?
O próximo balanço, do 1T26, está previsto para meados de abril de 2026. Até lá, o mercado deve focar nos dados de adição de assinantes e no crescimento do plano com anúncios.
A Netflix ainda é uma boa ação para dividendos?
A Netflix não paga dividendos. A empresa usa o fluxo de caixa livre para recomprar ações, o que beneficia acionistas via aumento do lucro por ação. Em 2025, a Netflix recomprou US$ 5 bilhões em ações.
Quais são os principais concorrentes da Netflix?
Os principais concorrentes são Disney+, Amazon Prime Video, Max (da Warner Bros. Discovery) e Apple TV+. Todos investem pesado em conteúdo original e esportes ao vivo para atrair assinantes.
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