# Ações da Natura (NATU3) sobem com novo CEO, mas recuperação é dúvida

> A Natura (NATU3) registra alta de 4% nesta terça-feira, cotada a R$ 9,09, após a nomeação de Alessandro Carlucci como novo CEO. Bradesco BBI e Itaú BBA mantêm cautela sobre a recuperação dos resultados, citando incertezas operacionais e financeiras. A ação reage positivamente ao anúncio, mas analistas questionam a sustentabilidade do movimento.

*Mercado Valor · Investimentos · 01 de setembro de 2026 · Otávio Bandeira*

As ações da Natura (NATU3) operam em alta nesta terça-feira (1), após a escolha de Alessandro Carlucci como novo CEO. Papel sobe 4%, a R$ 9,09, mas bancos como Bradesco BBI e Itaú BBA ainda veem dúvidas sobre a recuperação dos resultados.

As ações da Natura (NATU3) operam entre os destaques positivos do Ibovespa (IBOV) no pregão desta terça-feira (1), estendendo o movimento de alta da véspera. A companhia anunciou a troca do atual CEO por um nome que já ocupou o cargo anteriormente: Alessandro Carlucci, que foi diretor-presidente entre 2005 e 2014, assume em 1º de outubro de 2026, no lugar de João Paulo Ferreira. A transição busca preservar a continuidade estratégica e fortalecer a execução operacional.

Por volta de 11h55 (horário de Brasília), as ações NATU3 subiam 4%, cotadas a R$ 9,09. Na máxima do dia, até esse horário, o avanço chegou a 4,92%. O Bradesco BBI destaca que os papéis chegaram a avançar cerca de 8% após o anúncio, mas perderam força ao longo da sessão, sinalizando que a reação positiva à mudança de liderança ainda convive com dúvidas sobre a recuperação dos resultados. "O papel lidera o ranking de taxa de aluguel, em 88,41%, e apresenta 12,58 dias de cobertura, evidenciando um posicionamento vendido relevante e de custo elevado", dizem os analistas. A leitura do BBI é que novas sinalizações favoráveis sobre execução e rentabilidade podem ampliar a pressão por cobertura de short, enquanto a ausência de melhor operacional tende a preservar a volatilidade do ativo.

O Itaú BBA pondera que ambos os executivos são bem avaliados pelo mercado e possuem amplo conhecimento da Natura, enquanto a transição ocorre após a recente reformulação do Conselho e a eleição de dois representantes ligados ao investimento da Advent. "Reforçamos que, no curto prazo, a Natura ainda precisa solucionar os problemas associados ao sistema de planejamento integrado, que esperamos que sejam totalmente resolvidos até o fim de 2026 ou no início de 2027", dizem os analistas. A execução continua sendo a questão central, na visão do Itaú BBA.

O Citi chama atenção para o timing do anúncio, que ocorre pouco depois da Assembleia Geral de Acionistas de 27 de agosto, que formalizou o acordo da Natura com a Advent e levou à nomeação de dois sócios da Advent, Juan Pablo Zucchini e Rafael Leão, para o Conselho. "Dessa forma, é provável que os investidores vejam as mudanças de gestão anunciadas como parte da transição mais ampla de governança em curso, embora nosso entendimento seja de que a decisão possa ter começado a ser discutida antes das recentes mudanças no Conselho", dizem os analistas. Embora a Natura tenha mudado significativamente desde que Carlucci deixou o cargo de CEO, em 2014, ele ocupa a presidência do Conselho desde abril de 2025. O Citi acredita que o profundo conhecimento da companhia e do negócio, especialmente do modelo de venda direta, o torna uma das pessoas mais bem posicionadas para apoiar a recuperação da empresa.

O movimento ocorre em um momento de desempenho ruim para a empresa de cosméticos. No segundo trimestre de 2026, a Natura reportou lucro líquido de R$ 35 milhões, resultado 82% menor na comparação com o mesmo período em 2025. Em teleconferência de resultados, João Paulo Ferreira reconheceu que os números do trimestre frustraram as expectativas devido à queda acentuada da receita no Brasil, que sofre com os impactos do cenário macroeconômico sobre a renda disponível, além de problemas relacionados à disponibilidade de produtos. "As dificuldades operacionais no Brasil superaram nossas expectativas", afirmou. "Reconhecemos, contudo, que grande parte dos problemas desse trimestre são internos, operacionais e fundamentalmente autoimpostos", completou o executivo.

O Itaú BBA destaca que a receita da Natura caiu cerca de 15% na comparação anual no segundo trimestre, enquanto problemas mais amplos de planejamento e integração de sistemas contribuíram para restrições na disponibilidade de produtos e pressão sobre a participação de mercado. "A recuperação deve ser gradual, mantendo a pressão sobre a alavancagem operacional, as margens e a geração de caixa até que haja maior visibilidade sobre a recuperação da receita no Brasil", dizem os analistas. Na leitura da casa, o catalisador continua adiado: ainda é necessário observar evidências de que o sistema de planejamento integrado se estabilizou e de que o Brasil voltou a uma trajetória de crescimento mais sustentável antes de revisar a recomendação de Market Perform (equivalente à neutra).

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/acoes-natura-natu3-sobem-boa-recepcao-ao-novo-ceo-mas-duvidas-sobre-recuperacao-/
