# Acima do CDI com emoção: os 5 multimercados campeões em 2026

> O levantamento do InfoMoney com dados da Economatica identificou cinco fundos multimercado com retorno acima do CDI no primeiro semestre de 2026. Adam Macro lidera o ranking, seguido por Clave Alpha (BTG Asset), Verde (Stuhlberger) e outros gestores. Apenas cinco dos 70 fundos analisados alcançaram esse desempenho.

*Mercado Valor · Investimentos · 20 de julho de 2026 · Caetano Vidal*

Dos 70 fundos multimercado com estratégia macro analisados, apenas cinco entregaram retorno acima do CDI no primeiro semestre de 2026. O levantamento do InfoMoney com dados da Economatica mostra que o Adam Macro lidera, seguido por Clave Alpha (BTG Asset), Verde (Stuhlberger), Pa

O primeiro semestre de 2026 foi um teste de fogo para os fundos multimercado brasileiros. Entre janeiro e junho, apenas 5 de uma amostra de 70 fundos com estratégia macro, levantamento do InfoMoney com dados da Economatica, conseguiram entregar retorno acima do CDI. O feito é ainda mais relevante porque o CDI manteve-se em 0,05% ao dia ao longo do período, o que torna qualquer ganho relativo um exercício de precisão tática. Entre os gestores mais badalados e com maior patrimônio, apenas o Verde, de Luís Stuhlberger, se manteve acima do referencial no semestre. Em comum, os fundos que se saíram bem apresentam grandes posições no exterior, principalmente em ações americanas de tecnologia.

O destaque absoluto do ano continua sendo o Adam Macro, da Adam Capital. O fundo mantém uma visão otimista para a economia dos Estados Unidos e para o avanço da inteligência artificial, alocando em ações de empresas americanas de tecnologia e no dólar, moeda que a gestora espera ver se valorizando diante da maioria das divisas. Ao mesmo tempo, aposta na queda da bolsa brasileira e do euro, e em uma alta das taxas de juros no mercado local. Essa combinação de posições vendidas no Brasil e compradas no exterior tem sido a receita que explica boa parte do desempenho.

Outro fundo de destaque, o Clave Alpha, da BTG Asset, adota uma estratégia mais equilibrada. Está levemente comprado em ações brasileiras do setor elétrico e de bancos, e aposta na queda dos juros de curto prazo no país. No fim de junho, zerou as posições no exterior em empresas de memória e aumentou a exposição em Nvidia (NVDC34). Também opera na queda do dólar e na alta de moedas como peso chileno, rand da África do Sul, iene e won sul-coreano. No lado das commodities, está comprado em cobre e prata.

O Verde, de Luís Stuhlberger, mesmo com perdas em ações brasileiras em junho, conseguiu se manter acima do CDI no semestre. O fundo aumentou os investimentos na Bolsa por meio de opções e manteve as posições em renda variável global. Em carta mensal, o fundo informa que segue aplicado em juro real nos Estados Unidos, em ouro e prata e em crédito no Brasil.

O Parcitas Hedge, da Parcitas Investimentos, é outro destaque do ano. Acumula ganho de 10,44% até junho e de 27,72% em 12 meses, que equivalem a 152,49% e 187,56% do CDI, respectivamente. Segundo Rodrigo Gatti, diretor de Relações com Investidores da Parcitas, o fundo se diferencia por não se limitar a taxa de juros, câmbio ou Brasil, mas sim alocar em várias classes de ativos aqui e no exterior. A carteira ganhou bastante dinheiro com juros e, recentemente, está se beneficiando da alta das ações de tecnologia americanas. O setor, em especial as hyperscalers, representa um terço da carteira. Outras apostas estão no setor elétrico no Brasil, que respondem por outros 20%. A gestora também montou uma posição na seguradora americana Chub, setor estável e com boa rentabilidade em dividendos. "Diversificamos bem a carteira de ações globais, mas com aposta maior em IA", explica Gatti.

Gatti afirma que a Parcitas vê o investimento em IA como uma alocação de mais longo prazo, apesar da instabilidade recente que mexeu com os papéis. "É uma tendência geracional, um mundo que não tem volta", diz. O trabalho agora é estudar e tentar identificar quem serão os grandes vencedores e onde está a maior margem da cadeia de IA. "Hoje esse ganho está mais ligado a fabricantes de chips de memória, mas estamos constantemente olhando para quem será vencedor", afirma. Também ajudaram na performance deste ano as ações de commodities, especialmente de petróleo e gás. "Já víamos no começo do ano Petrobras (PETR4) como um ativo de qualidade, com bastante desconto e bom carrego de dividendos", explica Gatti. Apesar de avaliar que a situação no Oriente Médio trazia risco para o petróleo, a Parcitas decidiu se posicionar na petroleira porque, além dos bons dividendos, teria um hedge caso a tensão voltasse a escalar, o que acabou acontecendo. Além disso, a gestora já contava com a persistência da demanda para a commodity, mesmo com os preços mais baixos e o avanço da transição energética. O fundo também tem apostas em outros ativos ligados a commodities, com ganhos nos mercados futuros e de derivativos com matérias-primas ligadas ao mundo de IA, como urânio, alumínio e cobre.

Hoje, a maior parte da carteira do fundo está aplicada fora do país, mas Gatti diz que se houver um cenário mais favorável aqui a gestora estará pronta para aproveitar. "Quando olhamos a bolsa brasileira, tem muita coisa já no preço em comparação a boas oportunidades que encontramos internacionalmente, mas prever eleição é difícil e acabamos usando a alocação lá fora para modular o risco político/econômico brasileiro", diz. "Quando o cenário de Brasil estiver mais claro, fica mais fácil de tomar decisões de investimento um pouco mais assertivas, por isso, aproveitamos oportunidades lá fora para trazer ganhos para o cotista", explica.

fundos multimercado 2026: como escolher o melhor

O quinto fundo da lista, que completa o seleto grupo dos 5, não é nominalmente destacado no levantamento original, mas segue o mesmo padrão dos demais: exposição significativa ao exterior, especialmente a ações de tecnologia americanas, e alguma aposta em commodities ou juros.

CDI 2026: previsão e impacto nos investimentos

## Perguntas Frequentes

### O que significa um fundo render acima do CDI?

Significa que o retorno do fundo superou a taxa do Certificado de Depósito Interbancário, referência básica para renda fixa no Brasil. No primeiro semestre de 2026, com o CDI diário em 0,05%, superá-lo exigiu estratégias mais arrojadas.

### Quais os riscos de investir em multimercado?

Os multimercados podem alocar em renda variável, câmbio, juros e derivativos, o que aumenta a volatilidade. O desempenho passado não garante retorno futuro, e fundos com exposição ao exterior estão sujeitos a risco cambial e geopolítico.

### Como os fundos que superaram o CDI conseguiram isso?

Em comum, eles apostaram em ações de tecnologia americanas, dólar, commodities (cobre, prata, petróleo) e, em alguns casos, em juros no Brasil e nos EUA. A diversificação internacional foi o principal motor.

### Qual o melhor multimercado para investir em 2026?

Não há resposta única. O Adam Macro lidera em retorno no ano, mas cada fundo tem perfil de risco diferente. É recomendável analisar a estratégia, o patrimônio e o histórico do gestor antes de investir.

### O que é o CDI e como ele é calculado?

O CDI é a taxa média dos empréstimos entre bancos, calculada diariamente pela B3. Em 2026, tem se mantido estável em 0,05% ao dia, refletindo a política monetária do Banco Central.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/investimentos/acima-cdi-emocao-5-multimercados-campeoes-2026/
