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Como começar pé-de-meia aos 50 anos: guia prático

Aos 50 anos, ainda há tempo de construir um pé-de-meia. O consumo dos brasileiros acima de 50 anos, que já era de R$ 1,8 trilhão em 2024, deve mais que duplicar até 2044, chegando a R$ 3,8 trilhões, segundo o estudo Brasil Prateado, da consultoria Data8. Economicamente ativa e com maior expectativa de vida, essa geração enfrenta mais escolhas financeiras do que os pais tiveram.

"Muitas pessoas continuam trabalhando, fazendo planos, consumindo, viajando, cuidando da família e, principalmente, tomando decisões sobre os próximos capítulos da vida", diz Antônio Leitão, do Instituto de Longevidade MAG. "Com mais anos pela frente, é possível rever escolhas e abrir espaço para novos projetos."

Não há idade certa para começar a se preocupar com o futuro. Mas, se aos 50 anos nunca foi feito um planejamento, ainda dá tempo de colocar previdência, saúde e outras preocupações na agenda. "O primeiro passo é revisar os gastos atuais e realizar um ajuste criterioso no orçamento", orienta Sérgio Batista, gerente de Análise e Planejamento Financeiro do Banco Mercantil.

As prioridades não são as mesmas de quando se tinha 20 anos. Manter despesas no automático pode ser um ponto de fuga de dinheiro. "As despesas de saúde tendem a aumentar ao longo dos anos e são uma das principais causas de desequilíbrio financeiro nessa fase da vida", alerta Batista. Papéis familiares podem e devem mudar: não se trata de abandonar o papel de provedor, mas de reconhecer limites para não comprometer a própria segurança financeira.

Um passo fundamental é construir uma reserva de emergência. "Ela permite enfrentar imprevistos sem recorrer a empréstimos", indica Leitão. O ideal é reservar parte do salário todo mês, mesmo que pouco, até chegar a um montante que cubra entre seis e 12 meses de gastos fixos. Tesouro Selic, fundos DI e CDBs com liquidez diária são boas opções para guardar o dinheiro com possibilidade de saque a qualquer momento.

Raio-X: durante um mês, registre tudo o que entra e sai, sem esquecer pequenos gastos. Liste dívidas, patrimônio, investimentos e fontes de renda futuras. Esse retrato ajuda a entender onde você está antes de decidir para onde ir.

Família: discuta responsabilidades e limites financeiros de forma aberta, sem transformar apoio aos filhos em obrigação sem prazo.

Dívidas: avalie compromissos de longo prazo. Priorize dívidas com juros mais altos e busque renegociar ou quitar.

Prioridades: reorganize o orçamento para direcionar recursos às prioridades da nova fase. Reveja tarifas, contratos antigos e hábitos de consumo. Saúde e bem-estar ganham importância.

Renda: planejamento não é só gastar menos. Avalie ampliar ou diversificar fontes de renda, como prestação de serviços, consultorias e novos empreendimentos.

Aos 50 anos, é inadiável programar a aposentadoria. Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Educação Financeira, recomenda estimar o ano em que se deseja parar de trabalhar e quanto precisará de complemento de renda. Assim, é possível calcular quanto reservar mensalmente para viver de parte do rendimento do dinheiro investido, sem prejudicar a recomposição dos valores.

"Quanto mais cedo começar a guardar recursos financeiros, o esforço será menor. Quando se começa aos 50 anos, é preciso mais sacrifício, mas é plenamente possível", pontua Domingos.

Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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