# Xixi de alpinistas derrete geleira do Everest? Veja o estudo

> A geleira Khumbu, no Monte Everest, sofre derretimento acelerado devido à atividade humana no acampamento-base. O estudo científico identificou urina de alpinistas e combustível de geradores como fatores contribuintes para o aquecimento local. A pesquisa quantifica o impacto antropogênico no gelo, além das mudanças climáticas globais, oferecendo dados para estratégias de mitigação no local.

*Mercado Valor · Economia · 07 de setembro de 2026 · Rubens Athayde*

Atividade humana no acampamento-base do Everest acelera derretimento da geleira Khumbu, aponta estudo. Urina e combustível são fatores analisados.

A atividade humana no acampamento-base do Everest pode estar acelerando o derretimento da geleira Khumbu, uma das mais importantes do Himalaia. Estudo publicado em junho na revista Springer Nature Link analisou o impacto de urina e combustível no local, com dados entre 1991 e 2023.

Segundo o New York Times, cerca de 6 mil litros de urina são produzidos diariamente no acampamento durante a temporada de escaladas. Os pesquisadores estimam que, ao longo de uma primavera, a urina humana seja responsável por aproximadamente 154 toneladas de derretimento da geleira.

O estudo também revelou que, em 2023, cerca de 1.600 barracas consumiram 824 cilindros de gás liquefeito de petróleo, 18.935 litros de querosene e 5.130 litros de gasolina para cozinhar, aquecer e gerar energia. O resultado: a temperatura no acampamento-base aumentou cerca de duas vezes mais rápido do que em outras áreas da geleira. Na região coberta por neve, o aumento foi equivalente a apenas metade do registrado no acampamento.

"Se você bebe mais água, precisa eliminá-la", disse ao New York Times Khim Lal Gautam, principal autor do estudo, explicando a produção de urina em grandes altitudes.

A urina, porém, está longe de ser a principal responsável pelo fenômeno. Para o coautor Sudeep Thakuri, o combustível utilizado para aquecimento, cozinha e iluminação tem impacto maior. O estudo também não contabilizou fontes adicionais de calor, como helicópteros, excursionistas e animais usados no transporte.

A equipe alerta que o derretimento representa um risco não apenas para a paisagem, mas também para fontes de água, agricultura, geração de energia e segurança dos próprios alpinistas. Uma das propostas dos pesquisadores é transferir o acampamento-base para uma área de terreno mais estável, reduzindo o impacto direto sobre a geleira impacto ambiental em regiões de alta montanha.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/xixi-alpinistas-esta-8216derretendo8217-everest-estudo-mede-impacto/
