Xi diz que IA não deve ser dominada por apenas um país e anuncia plano com Brics
Em discurso recente, Xi Jinping afirmou que a inteligência artificial não deve ser controlada por um único país e propôs uma iniciativa conjunta entre os Brics para regular e desenvolver a tecnologia de forma colaborativa.
O presidente chinês Xi Jinping afirmou que a inteligência artificial (IA) não deve ser controlada por um único país e anunciou uma nova iniciativa de cooperação entre os Brics para regular e desenvolver a tecnologia de forma conjunta. A declaração foi feita durante a cúpula do bloco, na Rússia, em outubro de 2024.
A IA não pode ser dominada por apenas um país, disse Xi, defendendo uma governança global que evite a concentração de poder tecnológico. A proposta chinesa prevê a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento de IA entre os Brics, além de diretrizes éticas comuns.
O contexto da fala de Xi
A declaração ocorre em meio à crescente rivalidade tecnológica entre Estados Unidos e China. Enquanto Washington busca restringir o acesso chinês a chips avançados e softwares de IA, Pequim aposta na cooperação Sul-Sul para ampliar sua influência. A iniciativa com os Brics, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de novos membros como Arábia Saudita e Irã, é um movimento estratégico para criar um bloco alternativo de governança digital.
O plano com os Brics
Xi propôs três pilares para a cooperação: 1) compartilhamento de infraestrutura de computação, 2) desenvolvimento conjunto de modelos de IA abertos e 3) criação de um código de conduta para uso militar e civil da tecnologia. A China já ofereceu acesso à sua supercomputação para países do bloco. O plano prevê ainda a realização de fóruns anuais sobre ética em IA.
Implicações para o Brasil
O Brasil, como membro fundador dos Brics, pode se beneficiar do acesso a tecnologias e investimentos chineses em IA. Em 2023, o governo brasileiro lançou a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA), que prevê investimentos de R$ 6 bilhões até 2028. A parceria com a China pode acelerar a implementação de soluções de IA em áreas como saúde e agricultura. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de alinhamento com as leis de proteção de dados brasileiras, como a LGPD.
Reações internacionais
A proposta chinesa foi recebida com cautela por países ocidentais. A União Europeia, que aprovou o AI Act em 2024, defende uma abordagem baseada em riscos. Os Estados Unidos, por sua vez, reforçaram as restrições à exportação de chips para a China. A iniciativa dos Brics pode criar um ambiente regulatório fragmentado, com diferentes padrões éticos e técnicos.
O que esperar
A curto prazo, a China deve sediar um encontro técnico dos Brics sobre IA no primeiro semestre de 2025. A médio prazo, o bloco pode lançar um modelo de IA de código aberto, competindo com sistemas fechados como o ChatGPT. A longo prazo, a governança global da IA dependerá de negociações multilaterais que vão além do Brics.
Perguntas Frequentes
O que Xi Jinping disse sobre a IA?
Xi afirmou que a inteligência artificial não deve ser dominada por apenas um país e propôs uma iniciativa de cooperação entre os Brics para regular e desenvolver a tecnologia.
Qual é o plano dos Brics para a IA?
O plano inclui a criação de um centro de pesquisa, compartilhamento de infraestrutura de computação, desenvolvimento de modelos abertos e um código de conduta ético.
Como o Brasil pode se beneficiar?
O Brasil pode acessar investimentos e tecnologia chinesa, acelerando sua Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial, que prevê R$ 6 bilhões até 2028.
Quais são as reações internacionais?
A UE defende o AI Act, os EUA reforçam restrições à China, e o Brics pode fragmentar a governança global da IA.
Quando a iniciativa começa?
A China deve sediar um encontro técnico dos Brics sobre IA no primeiro semestre de 2025.