Vendas no Varejo crescem 0,1% de abril para maio, diz IBGE: impacto no consumo
As vendas no varejo brasileiro registraram alta de 0,1% de abril para maio, segundo o IBGE. O resultado, divulgado nesta quarta-feira, mostra estabilidade no consumo das famílias, com destaques para supermercados e farmácias.
Vendas no Varejo crescem 0,1% de abril para maio, diz IBGE
As vendas no varejo brasileiro registraram alta de 0,1% de abril para maio, segundo o IBGE. O dado, divulgado nesta quarta-feira pela Pesquisa Mensal do Comércio, mostra que o volume de vendas no varejo restrito ficou praticamente estável no período, com avanço de 0,1% na série com ajuste sazonal. O resultado veio dentro do esperado por analistas e mantém a trajetória de desaceleração do consumo das famílias observada desde o início do ano.
As vendas no varejo cresceram 0,1% de abril para maio, segundo o IBGE, o que representa o menor avanço mensal desde janeiro. No acumulado dos últimos 12 meses, o volume de vendas subiu 3,2%, abaixo dos 3,8% registrados até abril (IBGE, PMC, mai/2026). O resultado reflete a perda de fôlego do consumo em um cenário de juros altos e endividamento das famílias.
O que puxou as vendas para cima
Entre os setores, três atividades puxaram o resultado positivo de maio. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceram 0,8% no mês (IBGE, PMC, mai/2026). Farmácias e perfumarias avançaram 1,2%, impulsionadas por medicamentos e itens de cuidado pessoal. Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria também tiveram alta, de 1,1%.
O setor de combustíveis e lubrificantes, por sua vez, recuou 0,5%, influenciado pela redução nas vendas de gasolina e etanol. Já móveis e eletrodomésticos caíram 0,9%, refletindo a menor disposição das famílias para compras de maior valor, em um ambiente de crédito mais caro.
O que explica a desaceleração
A desaceleração das vendas no varejo está alinhada com o cenário macroeconômico. A taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, encarece o crédito e reduz o poder de compra das famílias (Banco Central, COPOM, mai/2026). Além disso, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 48,2% da renda em abril, segundo dados do Banco Central.
Outro fator é a inflação dos alimentos. O IPCA de maio mostrou alta de 0,46% no mês, com destaque para os preços de carnes e hortaliças (IBGE, IPCA, mai/2026). Isso reduz a renda disponível para outros itens, especialmente em supermercados, que justamente puxaram o resultado para cima.
Varejo ampliado: veículos e material de construção
O varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, teve desempenho misto. As vendas de veículos, motos, partes e peças caíram 1,5% em maio, após alta de 2,1% em abril. Material de construção recuou 0,3%, refletindo a desaceleração do mercado imobiliário e o crédito mais restrito.
O resultado do varejo ampliado ficou em -0,2% no mês, segundo o IBGE. No acumulado do ano, porém, o setor ainda apresenta alta de 2,1%, puxado pelo desempenho do primeiro trimestre.
O que esperar para os próximos meses
Para os próximos meses, a expectativa de analistas é de manutenção do ritmo fraco. A pesquisa Focus do Banco Central projeta crescimento do PIB de 1,8% em 2026, abaixo dos 2,5% de 2025. O consumo das famílias deve crescer 1,5%, segundo a mediana das projeções.
O mercado de trabalho, porém, segue aquecido. A taxa de desemprego ficou em 7,5% no trimestre encerrado em maio, segundo o IBGE. Isso sustenta a renda das famílias, mas não é suficiente para compensar o aperto do crédito e a inflação.
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Perguntas Frequentes
O que significa a alta de 0,1% nas vendas do varejo?
É uma alta muito pequena, indicando estabilidade no consumo. Na prática, o volume de vendas ficou praticamente igual ao de abril.
Quais setores cresceram em maio?
Hipermercados e supermercados (0,8%), farmácias e perfumarias (1,2%) e artigos farmacêuticos (1,1%) puxaram o resultado.
Quais setores caíram?
Combustíveis (-0,5%), móveis e eletrodomésticos (-0,9%), veículos (-1,5%) e material de construção (-0,3%) recuaram.
O que esperar para o varejo em 2026?
Analistas projetam crescimento moderado, com consumo das famílias subindo 1,5%, abaixo do ritmo de 2025.
Como a Selic afeta as vendas no varejo?
A Selic alta encarece o crédito, reduzindo a disposição das famílias para compras parceladas e de maior valor, como eletrodomésticos e veículos.