# Universidades privadas adotam seleção a qualquer momento

> Universidades privadas Ânima e Cogna adotam seleção contínua, permitindo ingresso a qualquer momento do ano, sem depender do vestibular tradicional. O modelo usa provas agendadas, análise de histórico escolar ou notas do Enem. Antes de aderir, o candidato deve verificar prazos, mensalidades, reconhecimento do curso e condições de transferência. A flexibilidade amplia o acesso, mas exige planejamento financeiro e atenção às políticas internas de cada instituição.

*Mercado Valor · Economia · 02 de setembro de 2026 · Bianca Solano*

Universidades privadas como Ânima e Cogna passam a permitir ingresso a qualquer momento, sem esperar o vestibular tradicional. Entenda como funciona, quem adota e o que observar antes de aderir.

Se os calendários do Enem e dos vestibulares públicos ainda ditam o ritmo de muitos jovens, parte das universidades privadas decidiu inverter a lógica. Instituições como as dos grupos Ânima e Cogna agora permitem que o estudante faça o processo seletivo a qualquer momento e, em alguns casos, comece o curso também fora do calendário tradicional. A flexibilidade é vista como o principal benefício, especialmente no EaD, mas também vale para modelos presenciais e híbridos.

A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) informou ao Estadão que não tem um levantamento sobre quantos cursos usam esse tipo de seleção nem quantos alunos entraram por esse caminho. Grandes grupos educacionais, porém, afirmam que o modelo é benéfico e não compromete a qualidade do ensino. Para funcionar bem, a admissão contínua exige infraestrutura tecnológica, projeto pedagógico consistente, professores qualificados e acompanhamento da situação acadêmica, além do cumprimento da legislação, como os 200 dias letivos e a frequência mínima de 75%.

O grupo Ânima (ANIM3), dono de universidades como São Judas, Anhembi Morumbi e Unisul, usa um vestibular simplificado em que o candidato é avaliado por carta de apresentação, sem prova tradicional, além de aceitar Enem e transferências. Entre outubro e abril, as vagas são para turmas que começam em fevereiro; entre maio e setembro, para as que iniciam em agosto. O Cogna (COGN3), dono da Anhanguera e da Unopar, também realiza vestibular online e usa outros meios de seleção. Nos dois grupos, a exceção é o curso de medicina. Já o Insper e a PUC-SP informaram que não adotam o modelo; a PUC afirma que prefere turmas com datas fixas e processo seletivo único, que avalia candidatos de forma comparável.

Para o estudante, a vantagem é não esperar meses pelo próximo vestibular. Mas a continuidade dos estudos exige disciplina. Janes Fidélis, vice-presidente acadêmico da Ânima, diz que o modelo reduz barreiras e permite encontrar um caminho mais adequado à realidade de cada um. Rodrigo Cavalcanti, da Cogna, afirma que a manutenção do aluno é o principal benefício: ao personalizar a grade para quem entra depois do início das aulas, o estudante não se sente sobrecarregado, o que reduz a evasão. Janguiê Diniz, da ABMES, lembra que as instituições ganham com menos ociosidade de vagas, mas alerta: é preciso dar suporte para ninguém ficar para trás. E como a mensalidade é paga pelo aluno, não há incentivo para estender o curso, o que ajuda a manter o comprometimento. O risco de queda na qualidade, segundo Diniz, aparece quando a abertura do ingresso não vem acompanhada de projeto pedagógico consistente. como escolher uma faculdade particular diferenças entre EaD e presencial

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