# Flávio fala em tesouraço, mas não quantifica ajuste fiscal

> Flávio Bolsonaro (PL) citou um "tesouraço" nos gastos públicos durante sabatina na TV Globo, sem quantificar o ajuste fiscal necessário para estabilizar a dívida. O senador listou cortes de ministérios e cargos, mas não apresentou meta em reais ou percentual do PIB. A proposta carece de parâmetros objetivos para avaliação de impacto econômico.

*Mercado Valor · Economia · 30 de agosto de 2026 · Rubens Athayde*

Em sabatina na TV Globo, Flávio Bolsonaro (PL) citou um "tesouraço" nos gastos públicos, mas não quantificou o ajuste necessário para estabilizar a dívida. O senador listou cortes de ministérios e cargos, sem meta em reais ou % do PIB.

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse nesta sexta-feira (28), em sabatina da TV Globo, que pretende fazer um ajuste fiscal caso seja eleito, mas não quantificou o esforço necessário para estabilizar a dívida pública. O senador foi pressionado a explicar como colocaria as contas em ordem, porém não apresentou meta em reais ou em pontos do PIB.

Questionado sobre o patamar da dívida, Flávio repetiu a lista de medidas: redução de ministérios, corte de cargos comissionados, revisão de normas e combate à corrupção. "Eu vou fazer um governo enxuto, eu vou reduzir a quantidade de ministérios, eu vou cortar a burocracia, eu vou fazer tesouraço nos impostos", afirmou. Disse ainda que pretende revogar mais de mil atos normativos no início do governo, quando possível por decreto.

O candidato relacionou o desequilíbrio fiscal ao nível elevado dos juros e tentou aproximar o tema da vida das famílias, responsabilizando o governo do presidente Lula (PT). Segundo ele, o aumento da dívida pressiona a Selic e encarece financiamentos. "Quanto sobe a taxa de juro, a taxa de juro do seu financiamento, do seu endividamento cresce junto", declarou.

Flávio garantiu que não fará ajuste sobre o salário mínimo ou benefícios previdenciários. "Não farei economia com quem ganha salário mínimo, não farei economia com aposentados", disse. Os recursos viriam de cortes na burocracia, combate a fraudes e redução de despesas. Ele também afirmou que a confiança após uma eventual vitória derrubaria os juros: "Só com o anúncio da eleição de Flávio Bolsonaro como presidente da República, a taxa de juros já vai cair na reunião seguinte do Copom".

Apesar das cobranças, o candidato não respondeu qual seria, em números, o ajuste fiscal pretendido nem em quanto tempo espera estabilizar a dívida pública. Para o eleitor, a ausência de metas dificulta avaliar o impacto real das promessas no bolso e na economia. como funciona a dívida pública o que é a Selic e como afeta seus financiamentos

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