# Trump quer petróleo da Venezuela: por que não será simples

> A Venezuela possui cerca de 300 bilhões de barris em reservas de petróleo, mas a recuperação da produção exige investimentos de US$ 85 bilhões e pode levar décadas, segundo consultorias. A infraestrutura deteriorada, sanções internacionais e instabilidade política tornam o processo complexo. Trump enfrenta barreiras logísticas, financeiras e diplomáticas para acessar o petróleo venezuelano.

*Mercado Valor · Economia · 07 de setembro de 2026 · Bianca Solano*

A Venezuela tem cerca de 300 bilhões de barris em reservas, mas recuperar a produção exige US$ 85 bilhões e pode levar décadas, segundo consultorias. Entenda os desafios.

A Venezuela tem petróleo suficiente para estar entre os maiores detentores de reservas do mundo, mas transformar esse potencial em barris no mercado é outro desafio. O governo de Donald Trump anunciou planos para acelerar a recuperação da indústria venezuelana, porém bancos e consultorias ouvidos pelo EL PAÍS avaliam que a expansão pode levar anos ou décadas.

O país possui cerca de 300 bilhões de barris em reservas comprovadas, enquanto a produção atual gira em torno de 1,1 milhão de barris por dia. A Rystad Energy estima que a Venezuela só deve recuperar o pico histórico de aproximadamente 3 milhões de barris diários por volta de 2050. Para isso, seriam necessários cerca de US$ 85 bilhões em investimentos, segundo a consultoria.

O contraste fica claro diante do acordo anunciado por Trump envolvendo 17 campos venezuelanos, com cerca de 65 bilhões de barris em reservas. A Casa Branca afirma que a North American Blue Energy Partners pretende investir até US$ 100 bilhões para ampliar a produção. O governo americano terá 35% de participação na empresa, direito de comprar 20% da produção a preço de custo e preferência sobre os 80% restantes.

## Por que a recuperação é lenta?

A infraestrutura venezuelana foi prejudicada por anos de subinvestimento, sanções e interrupções de energia. A recuperação exige novos investimentos em instalações de produção e transporte, além de conhecimento técnico e estabilidade política.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirma que a produção pode superar 2 milhões de barris por dia até o final da década, um aumento de cerca de 900 mil barris diários. Já a Rystad trabalha com horizonte mais longo: o retorno ao patamar de 3 milhões só por volta de 2050.

Algumas petroleiras já se movimentam. A Chevron anunciou investimentos superiores a US$ 7 bilhões em cinco anos para elevar sua produção na Venezuela para cerca de 600 mil barris por dia. A Repsol sinalizou intenção de ampliar presença, enquanto ExxonMobil e ConocoPhillips, que deixaram o país após nacionalizações em 2007, seguem cautelosas.

## Impasses jurídicos e políticos

Parte dos campos que passariam a ser operados por empresas dos EUA era administrada por companhias russas e chinesas. Segundo o UBS, essa transferência pode gerar disputas jurídicas. Há também incertezas sobre a estrutura política dos acordos, com críticas tanto da oposição venezuelana quanto do chavismo. O Citi avalia que mais transparência e legitimidade seriam necessárias para que os contratos resistissem a uma eventual mudança no governo americano.

A duração das concessões também diverge: Washington fala em cem anos, enquanto o governo de Delcy Rodríguez menciona uma cessão preferencial de 25 anos.

Para quem acompanha o setor, a lição é clara: reserva não é oferta. O caminho entre o subsolo e o mercado passa por capital, tempo e estabilidade, ingredientes que a Venezuela ainda precisa conquistar.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/trump-quer-petroleo-venezuela-por-isso-nao-sera-tao-simples/
