# Trump mira reabertura de Ormuz em acordo com Irã

> O acordo entre os Estados Unidos e o Irã, proposto por Donald Trump, condiciona a reabertura do Estreito de Ormuz à contenção do programa nuclear iraniano. A administração americana adiará novos ataques militares se o pacto for firmado rapidamente. A medida impacta diretamente os preços globais de energia, reduzindo riscos de interrupção no transporte de petróleo.

*Mercado Valor · Economia · 03 de agosto de 2026 · Bianca Solano*

Trump afirmou que os EUA adiarão novo ataque ao Irã se um acordo for alcançado rapidamente para reabrir o Estreito de Ormuz e conter o programa nuclear iraniano. A decisão vem após dias de ameaças e afeta diretamente os preços da energia no mundo.

O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos irão adiar um novo ataque ao Irã, desde que um acordo seja alcançado rapidamente para interromper as ambições nucleares iranianas e reabrir o Estreito de Ormuz. A declaração, feita no sábado à noite na plataforma Truth Social, sinaliza uma possível desescalada após dias de ameaças de novos ataques de ambos os lados impacto da guerra no preço do petróleo.

Trump disse que o Irã e outros países do Oriente Médio pediram mais tempo para concluir um acordo que levaria à reabertura 'imediata, completa e total' do estreito vital e ao 'fim da ameaça nuclear iraniana'. Ele não mencionou os países na publicação, que foi feita após uma ligação telefônica com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita, um aliado dos EUA.

'Com base nesse pedido, concordei, para o benefício futuro do MUNDO e, da mesma forma, para a sobrevivência de um Irã bem-sucedido e próspero, em cancelar o ataque, desde que seja possível chegar rapidamente a um ACORDO', escreveu Trump. Israel 'une-se a mim neste compromisso', disse ele.

A aparente desescalada de Trump foi a mais recente reviravolta na guerra que os EUA e Israel iniciaram há cinco meses. Os ataques se espalharam pelo Golfo Pérsico, pelo Mar Vermelho e até mesmo por uma instalação no Mediterrâneo, no Egito. O Irã praticamente fechou o Estreito de Ormuz, uma via de passagem para 20% do petróleo e GNL do mundo antes da guerra, o que causou o aumento dos preços da energia e alimentou a inflação em geral.

Eli Cohen, ministro da Energia de Israel e membro do gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, afirmou que existe uma estreita coordenação de segurança e inteligência entre Israel e os EUA sobre tudo o que acontece na região. Mas acrescentou: 'Com ou sem acordo, e independentemente de quaisquer compromissos externos, se o Irã tentar retomar seu programa nuclear ou avançar em sua indústria de mísseis balísticos, estaremos lá. Agiremos e atacaremos.'

Trump e Netanyahu se reuniram na terça-feira em Washington, e um oficial israelense afirmou que eles exploraram todos os caminhos possíveis para conter o programa nuclear iraniano, incluindo diplomacia, pressão econômica e força. Teerã nega buscar armas nucleares. O ministro interino da Defesa do Irã, Brigadeiro-General Majid Ebn Al-Reza, disse que Teerã considera as recentes ameaças dos EUA como 'guerra psicológica e cognitiva', mas que as está tratando com seriedade, acrescentando que o Irã reforçará sua preparação e dissuasão em vez de ser pego de surpresa ou permanecer passivo, informou a Press TV.

Em sua conversa telefônica com Trump, o príncipe herdeiro saudita enfatizou a 'necessidade de priorizar o diálogo para reduzir as tensões' no Oriente Médio, de acordo com a agência de notícias estatal da Arábia Saudita. Um funcionário da Casa Branca disse à Reuters que os dois conversaram, mas não forneceu detalhes.

Em uma reunião de gabinete na sexta-feira, Trump disse acreditar que os negociadores norte-americanos, incluindo seu genro Jared Kushner, o enviado especial Steve Witkoff e o secretário de Estado Marco Rubio, poderiam chegar a um acordo com o Irã. Com o fim do cessar-fogo de abril na guerra no mês passado, o preço dos contratos futuros do petróleo Brent, referência internacional, subiram 24%, e analistas consultados pela Reuters esperam que continuem a subir este ano como a alta do petróleo afeta a inflação.

Trump argumentou que seu objetivo declarado de impedir que o Irã obtenha armas nucleares justifica o aumento dos custos de combustível no curto prazo, mas o impacto econômico negativo tem exercido pressão política sobre ele para encontrar uma maneira de encerrar a guerra.

Aumentando as preocupações da indústria energética, os aliados houthis do Irã no Iêmen começaram, nos últimos dias, a ameaçar o Estreito de Bab el-Mandeb, na extremidade oposta do Mar Vermelho em relação ao Canal de Suez, outra rota de exportação do petróleo bruto saudita.

A Divisão de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou, no sábado, ter recebido relatos de dois incidentes marítimos na costa de Omã. Em um deles, um projétil desconhecido atingiu um navio-tanque, danificando a casa de máquinas. No outro, o comandante de um navio-tanque relatou ter visto um grande respingo e uma explosão perto da embarcação, embora nenhum dano tenha sido relatado.

## Perguntas Frequentes

### O que Trump propôs ao Irã?

Trump disse que os EUA vão adiar um novo ataque ao Irã, desde que um acordo seja alcançado rapidamente para interromper as ambições nucleares iranianas e reabrir o Estreito de Ormuz.

### Por que o Estreito de Ormuz é tão importante?

O estreito é uma via de passagem para 20% do petróleo e GNL do mundo antes da guerra. Com o fechamento, os preços da energia subiram e alimentaram a inflação em geral.

### Quem são os negociadores norte-americanos?

Trump citou Jared Kushner, Steve Witkoff e Marco Rubio como possíveis negociadores para chegar a um acordo com o Irã.

### Qual foi a resposta do Irã às ameaças?

O ministro interino da Defesa do Irã, Majid Ebn Al-Reza, classificou as ameaças como 'guerra psicológica e cognitiva', mas disse que as trata com seriedade e reforçará a preparação e dissuasão do país.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/trump-mira-reabertura-ormuz-suposta-nova-tentativa-acordo-ira/
