Trump leva à Suprema Corte batalha para endurecer regras do voto pelo correio
O governo Trump pediu à Suprema Corte dos EUA que autorize decreto que endurece regras do voto por correspondência em 23 estados e Washington, contestado por democratas. Decisão pode alterar o cenário eleitoral de novembro.
Trump leva à Suprema Corte batalha para endurecer regras do voto pelo correio
O governo do presidente Donald Trump recorreu à Suprema Corte dos Estados Unidos nesta segunda-feira para tentar implementar um decreto que endurece as regras do voto por correspondência. A medida, contestada por 23 estados e Washington, pode alterar o cenário das eleições de meio de mandato em novembro, que definirão o controle do Congresso.
O que está em jogo: a Suprema Corte autorizará a implementação de um decreto presidencial que torna mais rígidas as regras para o voto por correspondência a poucos meses das eleições. O Departamento de Justiça pediu que os ministros suspendam uma decisão judicial que impede a aplicação da diretiva nos estados que a contestaram, a maioria governada por democratas.
Como a decisão pode afetar você
Se você vota por correspondência ou planeja usar esse método nas próximas eleições, o decreto de Trump pode mudar as regras do jogo. A medida instrui o Departamento de Segurança Interna a compilar uma lista de eleitores elegíveis para cada estado e determina que o Serviço Postal entregue cédulas apenas a quem constar da lista de votação por correspondência aprovada.
Na prática, isso significa que eleitores que tradicionalmente usam o voto por correspondência, incluindo muitos democratas, podem enfrentar barreiras adicionais. A restrição beneficiaria desproporcionalmente os republicanos, já que eleitores democratas historicamente são mais propensos a usar esse método.
O caminho judicial até agora
A juíza federal Indira Talwani rejeitou em junho o argumento do governo de que os estados não tinham legitimidade para contestar a diretiva. Ela avaliou que Trump não tinha autoridade para ordenar mudanças na forma como os estados administram eleições federais, citando a Constituição dos EUA, que atribui aos estados a definição dos requisitos de elegibilidade dos eleitores.
O governo recorreu ao 1º Tribunal de Apelações do Circuito dos EUA, em Boston, mas o pedido foi rejeitado no sábado. Agora, a Suprema Corte deu prazo até 3 de agosto para os estados responderem ao pedido do Departamento de Justiça.
O que o decreto de Trump determina
Emitido em março, o decreto integra os esforços mais amplos de Trump para promover mudanças nas eleições dos EUA. Além de instruir o Departamento de Segurança Interna a compilar listas de eleitores, ele determina que o Departamento de Justiça priorize a investigação e o processo judicial contra autoridades eleitorais estaduais e locais que emitam cédulas para pessoas consideradas "não elegíveis".
O Serviço Postal dos EUA já tomou medidas para implementar a diretiva. Enquanto isso, estados como Califórnia e Massachusetts entraram com ação no tribunal federal de Boston para contestar a ordem. Um grupo de 12 procuradores-gerais estaduais republicanos interveio no caso para defender a diretiva.
O contexto político
Trump pressiona o Congresso, controlado pelos republicanos, a aprovar um polêmico pacote de restrições eleitorais chamado SAVE America Act. Ele prometeu acabar com o uso de cédulas por correspondência em todo o país antes das eleições de meio de mandato e questiona a segurança dessas cédulas, embora sejam raras as evidências de fraude eleitoral.
Em junho, a Suprema Corte rejeitou uma contestação apoiada pelos republicanos contra leis estaduais que permitem a contagem de cédulas enviadas pelo correio recebidas após o dia da eleição.
Perguntas Frequentes
Qual é o prazo para os estados responderem?
A Suprema Corte determinou que os estados contestadores respondam ao pedido do Departamento de Justiça até 3 de agosto.
Quantos estados contestam o decreto?
23 estados, a maioria governada por democratas, e Washington contestam a diretiva de Trump na Justiça.
O que diz a juíza que suspendeu o decreto?
Indira Talwani concluiu que os estados têm legitimidade para contestar a medida, pois enfrentariam perturbações na administração eleitoral, custos de conformidade e ameaça de processo criminal.
O decreto já está valendo?
Não. Uma decisão judicial suspendeu a aplicação da diretiva nos estados que a contestaram, e o governo Trump recorreu à Suprema Corte.
Quem defende o decreto na Justiça?
Um grupo de 12 procuradores-gerais estaduais republicanos interveio no caso para defender a diretiva de Trump.