Economia

Trump assina acordo nuclear com Arábia Saudita: mudança de política dos EUA

ResumoO acordo nuclear entre Estados Unidos e Arábia Saudita, assinado por Donald Trump, permite o compartilhamento de tecnologia de enriquecimento de urânio. A mudança de política dos EUA rompe com tratados anteriores e gera alerta de especialistas sobre risco de proliferação nuclear e potencial corrida armamentista no Oriente Médio.

Os EUA e a Arábia Saudita fecharam um acordo de compartilhamento de tecnologia nuclear que permite o enriquecimento de urânio, rompendo com tratados anteriores. Especialistas alertam para risco de proliferação e corrida nuclear no Oriente Médio.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 22 de julho de 2026
Trump assina acordo nuclear com Arábia Saudita: mudança de política dos EUA

Trump assina acordo nuclear com Arábia Saudita em mudança de política dos EUA

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita fecharam um aguardado acordo de compartilhamento de tecnologia nuclear que pode abrir caminho para que empresas americanas construam reatores no país árabe. Pela primeira vez, o entendimento permite que o reino enriqueça o próprio combustível nuclear, rompendo com tratados anteriores que vedavam explicitamente essa prática.

O acordo pode beneficiar a Westinghouse Electric e outras companhias americanas do setor, mas representa uma ruptura em relação a tratados anteriores de cooperação nuclear, que proibiam de forma explícita o enriquecimento de urânio. A mudança gerou preocupação entre especialistas em não proliferação nuclear e alguns integrantes do Congresso dos EUA, que veem risco de a Arábia Saudita usar esse processo para obter material com potencial uso militar.

Como funciona o acordo de cooperação nuclear?

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e o ministro da Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, assinaram um "acordo de cooperação nuclear pacífica" e também um "acordo bilateral de salvaguardas", segundo informou o Departamento de Energia americano. Wright afirmou em comunicado que os acordos "seguem os mais altos padrões de segurança nuclear e de não proliferação, com apoio da melhor tecnologia nuclear e dos melhores cientistas do mundo, desenvolvidos aqui mesmo nos Estados Unidos."

Uma parte central do acordo, avaliado em dezenas de bilhões de dólares, prevê que empresas americanas poderão construir uma instalação de enriquecimento de urânio na Arábia Saudita, caso um estudo conjunto dos dois países conclua que isso é necessário, segundo o Wall Street Journal.

Por que o acordo preocupa especialistas?

"Se os detalhes divulgados estiverem corretos, isso sinaliza uma mudança na política de não proliferação dos EUA e pode desencadear uma corrida nuclear no Oriente Médio", disse Dina Esfandiary, analista da Bloomberg Economics. "Os EUA estão dando à Arábia Saudita justamente aquilo que foram à guerra com o Irã para impedir: o enriquecimento."

Grupos de monitoramento ligados à não proliferação afirmam que o acordo pode abrir precedente para que outros países do Oriente Médio também reivindiquem o direito de produzir combustível nuclear, aproximando a região da possibilidade de uma corrida armamentista atômica.

Qual o contexto geopolítico?

Um entendimento com os sauditas também pode ajudar empresas americanas a ganhar espaço em uma região onde concorrentes vêm avançando, especialmente a Rússia. Turquia e Egito, duas das maiores economias do Oriente Médio e aliados importantes dos EUA, vêm trabalhando com a estatal russa Rosatom na construção de usinas nucleares. A primeira unidade turca deve entrar em operação ainda neste ano.

Acordos anteriores de compartilhamento de tecnologia nuclear com países como o Japão vedavam expressamente o enriquecimento e o reprocessamento de urânio já utilizado. Mas, no início deste ano, a Casa Branca enviou ao Congresso um relatório de três páginas defendendo o compartilhamento de tecnologia nuclear sensível com Riad, incluindo possível cooperação em enriquecimento de urânio e reprocessamento de plutônio.

O que dizem os críticos?

"Assim como ocorreu no governo Biden, a equipe de Trump aposta na ideia fantasiosa de que existe algum mecanismo secreto e infalível capaz de impedir que a Arábia Saudita enriqueça urânio para fabricar bombas", disse por e-mail Henry Sokolski, diretor-executivo do Nonproliferation Policy Education Center. "Na prática, essa proteção não existe."

Segundo Dina Esfandiary, para os sauditas, o acordo vai além da questão nuclear. "Trata-se também de aprofundar o vínculo com os EUA na área de segurança, garantindo que Washington tenha interesse direto na proteção do reino."

Perguntas Frequentes

O que muda com o acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita?

O acordo permite que empresas americanas construam reatores e uma instalação de enriquecimento de urânio na Arábia Saudita, rompendo com tratados anteriores que proibiam o enriquecimento.

Por que o acordo preocupa especialistas em não proliferação?

Especialistas temem que a Arábia Saudita possa usar o enriquecimento de urânio para obter material com potencial uso militar, desencadeando uma corrida nuclear no Oriente Médio.

Quem assinou o acordo?

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e o ministro da Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, assinaram os acordos.

Qual o valor do acordo?

O acordo é avaliado em dezenas de bilhões de dólares, segundo o Wall Street Journal.

Como o acordo afeta a concorrência com a Rússia?

O entendimento pode ajudar empresas americanas a ganhar espaço em uma região onde a Rússia, via Rosatom, vem avançando com usinas nucleares na Turquia e no Egito.

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