# Tragédia no Himalaia: mortes passam de 900 e desaparecidos somam 4.800

> A tragédia no Himalaia, causada pelo colapso de uma geleira no Nepal e na China, registra 919 mortos e 4.800 desaparecidos. Equipes de resgate de múltiplos países atuam no sexto dia de buscas. O desastre natural atingiu vilarejos e rotas de montanhismo, com esforços concentrados em áreas de difícil acesso.

*Mercado Valor · Economia · 31 de agosto de 2026 · Bianca Solano*

Pelo menos 919 pessoas morreram e cerca de 4.800 seguem desaparecidas no Nepal e na China após o colapso de uma geleira. Resgates entram no sexto dia com equipes de vários países.

Pelo menos 919 pessoas morreram e cerca de 4.800 seguem desaparecidas no Nepal e na China após o colapso de uma geleira que provocou enchentes e deslizamentos de detritos na região de fronteira. O desastre entrou no sexto dia de buscas, com equipes de resgate enfrentando dificuldades para chegar a comunidades isoladas.

O Nepal registra 903 mortes e 4.247 desaparecidos, enquanto autoridades chinesas informaram 16 mortos e 546 desaparecidos no condado de Gyirong, no Tibete. O número de desaparecidos aumentou significativamente nos últimos dias, segundo a fonte oficial.

A catástrofe começou na quarta-feira, quando o colapso de uma geleira liberou uma massa de gelo, lama, pedras e água em alta velocidade por um vale no Nepal. A enxurrada destruiu assentamentos, derrubou pontes e linhas de transmissão de energia, arrastou veículos e isolou vilarejos ao interromper acessos rodoviários. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram moradores tentando fugir enquanto prédios eram engolidos.

O desastre também causou danos a infraestruturas estratégicas. Pelo menos 12 projetos hidrelétricos nos distritos nepaleses de Nuwakot e Rasuwa foram afetados, segundo a Associação Independente de Produtores de Energia do Nepal. Dados oficiais mostram que 933 pessoas desapareceram apenas em projetos hidrelétricos. As Forças Armadas do Nepal seguem trabalhando para resgatar pessoas presas em túneis de várias hidrelétricas, afirmou o porta-voz do Exército, Raja Ram Gautam.

Mais de 10 mil pessoas já foram resgatadas, com quase 20 mil agentes de segurança mobilizados, informou a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal. Equipes da China, Índia e África do Sul participam das operações em diferentes locais.

No sábado, o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, afirmou que o país busca apoio internacional especializado para as operações de resgate e recuperação. Entre os pedidos estão assistência para abrir túneis onde há pessoas presas, drones de grande porte para levar suprimentos a áreas isoladas e apoio forense para identificação das vítimas.

Uma das economias mais pobres da Ásia, o Nepal enfrenta agora uma complexa tarefa de reconstrução em um momento em que já sofre pressão do aumento dos custos de combustíveis provocado pela guerra no Irã, além da desaceleração do turismo e do crescimento econômico. A tragédia agrava os desafios do primeiro-ministro Balendra Shah, de 36 anos, que chegou ao poder neste ano impulsionado pelo descontentamento da geração Z com a política tradicional.

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