# Taxas de juros curtas e intermediárias caem com dados no Brasil e EUA

> As taxas dos DIs com prazos curtos e intermediários fecharam em baixa nesta quinta-feira, influenciadas por dados econômicos no Brasil e nos EUA. O DI para janeiro de 2028 caiu 6 pontos-base, a 13,88%, e o IGP-M registrou deflação de 1,16% em julho, contribuindo para o movimento de queda.

*Mercado Valor · Economia · 30 de julho de 2026 · Otávio Bandeira*

As taxas dos DIs com prazos curtos e intermediários fecharam em baixa nesta quinta-feira, impulsionadas por uma bateria de dados econômicos no Brasil e nos EUA. O DI para janeiro de 2028 caiu 6 pontos-base, a 13,88%, enquanto o IGP-M registrou deflação de 1,16% em julho.

## Taxas de juros curtas e intermediárias caem com dados no Brasil e EUA

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) com prazos curtos e intermediários fecharam a quinta-feira em baixa, na esteira de uma bateria de dados econômicos divulgados no Brasil e no exterior. Os rendimentos dos Treasuries de curto prazo oscilaram entre estabilidade e leves quedas, enquanto os de longo prazo subiram.

**O que aconteceu com as taxas de juros no Brasil?** O DI para janeiro de 2028 caiu 6 pontos-base, para 13,88%, ante 13,942% do ajuste anterior. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 subiu 3 pontos-base, para 14,66%.

## Por que as taxas curtas caíram?

O recuo foi atribuído ao 'conjunto da obra', segundo o economista-chefe do banco Bmg, Flavio Serrano. Ele citou o IPCA-15 baixo, a deflação do IGP-M, a desaceleração da atividade e confianças, além da queda dos juros curtos no exterior.

### IPCA-15 e IGP-M

Na manhã de quinta-feira, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o IGP-M caiu 1,16% em julho, após recuo de 0,50% em junho. A expectativa em pesquisa da Reuters era de queda de 1,09%. Com o resultado, o índice acumula alta de 2,76% em 12 meses.

### Confiança do setor de serviços

A FGV também divulgou que o índice de confiança do setor de serviços recuou 3 pontos em julho, para 87,8 pontos.

### Mercado de trabalho

O IBGE anunciou que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em junho foi de 5,4%, em linha com a projeção de economistas ouvidos pela Reuters. No mesmo período de 2024, a taxa era de 5,8%. A renda média real caiu 1,5% no trimestre até junho ante o trimestre anterior, para R$ 3.738. Em relação a um ano antes, houve alta de 2,8%.

## Arrecadação federal recorde

A Receita Federal informou que a arrecadação do governo federal teve alta real de 7,72% em junho sobre o mesmo mês de 2024, somando R$ 264,437 bilhões, maior nível já observado para o mês. No primeiro semestre, a arrecadação cresceu 6,63% acima da inflação, para R$ 1,587 trilhão, recorde para o período na série histórica desde 1995.

## Déficit primário e arcabouço fiscal

O Tesouro Nacional informou que o governo central teve déficit primário de R$ 48,178 bilhões em junho, gerando rombo de R$ 92,227 bilhões no primeiro semestre, o pior resultado para o período desde 2020. O resultado de junho ficou em linha com os R$ 48 bilhões esperados pelo mercado.

Apesar dos resultados fiscais, os agentes receberam positivamente notícias de que o governo estuda reduzir o limite anual de crescimento das despesas federais. O secretário do Tesouro Nacional substituto, David Athayde, confirmou que a redução de 2,5% para 1,5% no teto de crescimento real das despesas está em estudo.

## Impacto dos dados dos EUA

No exterior, os rendimentos dos Treasuries de curto prazo oscilaram entre estabilidade e leves baixas, favorecendo o viés negativo dos DIs. Já os títulos de longo prazo subiram.

O Departamento do Comércio dos EUA informou que o PIB do país subiu 1,5% no segundo trimestre, abaixo dos 2,1% projetados em pesquisa da Reuters. Os gastos do consumidor dispararam 3,2% no período, após crescimento de 0,5% de janeiro a março.

O núcleo do índice de inflação PCE avançou 0,1% em junho, menos que os 0,2% esperados. Os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA atingiram 197 mil na semana passada, levemente abaixo dos 200 mil projetados.

### Movimento dos Treasuries

Às 16h37, o rendimento do Treasury de dois anos mostrava estabilidade a 4,238%. O retorno do título de dez anos subia 5 pontos-base, a 4,667%.

## Perguntas Frequentes

### O que é o DI?

O DI (Depósito Interfinanceiro) é um título de renda fixa emitido por bancos para captar recursos no mercado interbancário. Suas taxas refletem as expectativas para a Selic e as condições de liquidez.

### Por que as taxas longas subiram?

As taxas longas, como o DI para janeiro de 2035, subiram devido ao aumento dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo nos EUA, que pressionaram a curva brasileira.

### Qual foi o impacto do IGP-M?

O IGP-M registrou deflação de 1,16% em julho, acima da expectativa de queda de 1,09%, contribuindo para a queda das taxas curtas ao sinalizar menor pressão inflacionária.

### O que é o arcabouço fiscal?

O arcabouço fiscal é o conjunto de regras que limita o crescimento das despesas do governo, vinculado à arrecadação. O estudo de redução do teto de crescimento real de 2,5% para 1,5% foi recebido positivamente pelo mercado.

### Como os dados dos EUA afetam o Brasil?

Dados mais fracos de PIB e inflação nos EUA reduzem as expectativas de alta dos juros americanos, o que favorece a queda das taxas brasileiras ao diminuir o prêmio de risco global.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/taxas-juros-curtas-intermediarias-caem-meio-dados-brasil-eua/
