# Taxas de DIs sobem com tarifaço de Trump e leilão do Tesouro

> As taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs) subiram no mercado brasileiro de juros futuros. O movimento foi impulsionado pelo anúncio de tarifas comerciais pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo resultado de um leilão de títulos do Tesouro Nacional. O tarifaço elevou a aversão ao risco global, enquanto o leilão indicou demanda fraca, pressionando as taxas para cima.

*Mercado Valor · Economia · 16 de julho de 2026 · Bianca Solano*

As taxas de DIs subiram com o tarifaço de Trump e o leilão do Tesouro. Entenda o movimento, as causas e as perspectivas para o mercado de juros futuros no Brasil.

## Taxas de DIs sobem com tarifaço de Trump e leilão do Tesouro

As taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs) subiram nesta quarta-feira, impulsionadas pelo tarifaço de Donald Trump e pelo leilão de títulos do Tesouro Nacional. O movimento reflete a percepção de maior risco global e a expectativa de juros mais altos no Brasil. A alta foi generalizada, com os contratos mais longos registrando os maiores avanços.

## O que está por trás da alta das taxas de DIs?

Dois fatores principais explicam o movimento de alta das taxas de DIs: o tarifaço de Trump e o leilão do Tesouro. O anúncio de novas tarifas comerciais dos EUA elevou a aversão global ao risco, pressionando os juros futuros. Já o leilão de títulos do Tesouro Nacional, que ofertou papéis prefixados e indexados à inflação, indicou demanda mais fraca, contribuindo para a pressão altista.

### Tarifaço de Trump: impacto global

O tarifaço de Trump, anunciado nesta semana, impõe sobretaxas de 10% a 25% sobre produtos importados de diversos países. A medida gerou incerteza nos mercados globais, elevando a demanda por ativos seguros e pressionando os juros futuros. Segundo analistas, o movimento reflete o temor de que as tarifas acelerem a inflação global e forcem os bancos centrais a manter juros elevados.

### Leilão do Tesouro: oferta de títulos

O leilão do Tesouro Nacional, realizado nesta quarta-feira, ofertou títulos prefixados e indexados à inflação (NTN-B). A demanda abaixo do esperado para os papéis mais longos indicou que os investidores exigem prêmios maiores para carregar esses títulos, o que pressionou as taxas. Dados oficiais do Tesouro Nacional mostram que a taxa média dos títulos prefixados subiu para 12,35% ao ano, ante 12,10% no leilão anterior.

## Como as taxas de DIs se comportaram?

Os contratos de DIs com vencimento em janeiro de 2027 subiram de 12,80% para 12,95% ao ano. Já os contratos para janeiro de 2029 avançaram de 13,10% para 13,30% ao ano (dados da B3, 26/05/2026). A alta foi mais intensa nos contratos mais longos, refletindo a percepção de que os juros podem se manter elevados por mais tempo.

### Contratos de curto prazo

Os DIs de curto prazo (janeiro de 2027) subiram 15 pontos-base, indicando que o mercado projeta a Selic em 12,75% ao ano na próxima reunião do Copom. Segundo o Banco Central, a Selic está atualmente em 12,50% ao ano.

### Contratos de longo prazo

Os DIs de longo prazo (janeiro de 2029) subiram 20 pontos-base, para 13,30% ao ano. Esse movimento reflete o prêmio de risco exigido pelos investidores diante do cenário fiscal e externo incertos.

## O que esperar para os próximos dias?

A trajetória das taxas de DIs dependerá de novos desdobramentos do tarifaço de Trump e da pauta fiscal no Brasil. O mercado monitora de perto a votação de medidas de ajuste fiscal no Congresso, que podem influenciar a percepção de risco país.

### Próximos eventos

- Leilão do Tesouro: novo leilão de títulos na próxima semana, que pode sinalizar a demanda dos investidores.
- Copom: reunião nos dias 17 e 18 de junho, com expectativa de manutenção da Selic em 12,50% ao ano.
- Tarifaço de Trump: possíveis anúncios de retaliação comercial por parte de outros países.

## Impacto no mercado de juros futuros

A alta das taxas de DIs reflete a combinação de fatores externos e internos. O tarifaço de Trump aumenta a incerteza global, enquanto o leilão do Tesouro sinaliza demanda mais fraca. Para o investidor, o momento exige cautela e diversificação.

### Estratégias para investidores

- Prefixados: taxas elevadas podem ser atrativas para prazos mais curtos, mas exigem cuidado com a marcação a mercado.
- Indexados à inflação: NTN-B com taxas reais acima de 6% ao ano podem proteger contra a inflação.
- Pós-fixados: títulos atrelados à Selic oferecem baixo risco de marcação a mercado.

## Perguntas Frequentes

### O que são taxas de DIs?

As taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs) são as taxas de juros praticadas entre os bancos no mercado interbancário. Elas servem de referência para os contratos futuros de juros negociados na B3.

### Por que o tarifaço de Trump afeta as taxas de DIs?

O tarifaço de Trump gera incerteza global, elevando a aversão ao risco e pressionando os juros futuros. Investidores exigem prêmios maiores para carregar títulos de risco, como os brasileiros.

### O que é o leilão do Tesouro?

O leilão do Tesouro Nacional é um evento em que o governo emite títulos públicos para captar recursos. A demanda e as taxas praticadas no leilão influenciam o mercado de juros futuros.

### Como as taxas de DIs impactam os investimentos?

As taxas de DIs influenciam a rentabilidade de títulos públicos, CDBs e outros ativos de renda fixa. Quando sobem, os títulos existentes perdem valor de mercado (marcação a mercado).

### Qual a perspectiva para as taxas de DIs?

A perspectiva depende do cenário fiscal e externo. Se o tarifaço de Trump se intensificar e o ajuste fiscal não avançar, as taxas podem continuar subindo.

### O que fazer com a carteira de renda fixa?

Diversificar entre títulos prefixados, indexados à inflação e pós-fixados pode reduzir riscos. Para prazos curtos, títulos atrelados à Selic são mais seguros.

_Nota: dados oficiais do Banco Central e do Tesouro Nacional indicam ranges entre 12,50% e 13,30% ao ano para as taxas de DIs, com base no cenário atual._

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/taxas-dis-sobem-tarifaco-trump-leilao-tesouro/
