Tarifas dos EUA: BTG calcula alíquota efetiva de 9,3% sobre produtos brasileiros
O BTG calcula que as tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros subam para 9,3%, mas o impacto deve ser limitado. Entenda os setores mais afetados e as perspectivas para o comércio bilateral.
Tarifas dos EUA: BTG calcula salto da alíquota efetiva para 9,3% sobre produtos brasileiros, mas vê impacto limitado
O BTG estima que as tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros subam para uma alíquota efetiva de 9,3%, ante os atuais 2,7%, conforme relatório do banco. O cálculo considera as tarifas já anunciadas e as esperadas para os próximos meses. Apesar do salto percentual, o banco projeta impacto limitado na economia brasileira, pois os setores mais expostos representam parcela pequena do PIB.
Como o BTG calcula a alíquota efetiva de 9,3%
O BTG utilizou dados do Departamento de Comércio dos EUA e da Secretaria de Comércio Exterior do Brasil (Secex) para estimar a alíquota efetiva. O cálculo considera tarifas já aplicadas sobre aço, alumínio e produtos químicos, além de sobretaxas em estudo para veículos e semicondutores.
Segundo o Banco Central, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 42,3 bilhões em 2025. Desse total, cerca de 35% são de produtos que podem sofrer tarifas adicionais.
Setores mais impactados pelas tarifas dos EUA
Entre os setores mais expostos, destacam-se:
- Aço e ferro: alíquota de 25% já em vigor desde 2024, afetando US$ 3,2 bilhões em exportações (Secex, 2025)
- Alumínio: tarifa de 10%, com impacto estimado em US$ 1,1 bilhão
- Produtos químicos: sobretaxa de 7,5% em estudo, abrangendo US$ 2,8 bilhões
O economista do BTG, Rubens Athayde, afirma que "o ciclo sempre vira" e que as tarifas podem ser renegociadas após a pressão política. "A alíquota efetiva de 9,3% é um número alto, mas não catastrófico para o Brasil", diz o relatório.
Por que o impacto na economia brasileira deve ser limitado
O BTG argumenta que o impacto é limitado por três razões:
- Os setores mais afetados representam apenas 1,2% do PIB brasileiro (IBGE, Contas Nacionais, 2025)
- As exportações para os EUA são diversificadas, com destaque para petróleo e café, que não sofreram tarifas
- O Brasil pode redirecionar parte das exportações para a China e a União Europeia
"A economia brasileira tem mostrado resiliência a choques externos", afirma o Banco Central em seu Relatório de Inflação de junho de 2026. A autoridade monetária projeta crescimento do PIB de 2,1% para 2026, mesmo com as tarifas.
O que esperar das tarifas dos EUA nos próximos meses
As negociações entre Brasil e EUA devem se intensificar. O Itamaraty já anunciou que buscará um acordo bilateral para reduzir as tarifas. Enquanto isso, o BTG recomenda cautela com investimentos em setores expostos.
Para quem quer proteger a carteira, uma alternativa são os títulos públicos atrelados à inflação, como o IPCA+. Segundo o Banco Central, a inflação acumulada em 12 meses encerrou maio em 4,2% (IBGE, IPCA mensal, mai/2026), patamar que garante rentabilidade real positiva.
Perguntas Frequentes
O que é alíquota efetiva?
É a média ponderada das tarifas aplicadas sobre o total de produtos exportados. O BTG calcula que, com as novas tarifas, a alíquota efetiva brasileira suba de 2,7% para 9,3%.
Quais setores brasileiros são mais afetados?
Aço, alumínio e produtos químicos são os mais impactados. Juntos, representam US$ 7,1 bilhões em exportações para os EUA.
O Brasil pode retaliar?
Sim. O governo brasileiro estuda medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos americanos, mas prefere a via diplomática.
Como proteger investimentos?
Diversificar a carteira com ativos atrelados à inflação e exposição a mercados emergentes, como China e Europa, reduz riscos.
Qual a previsão do PIB para 2026?
O Banco Central projeta crescimento de 2,1%, mesmo com as tarifas, confirmando o impacto limitado.