Economia

Tarifaço dos EUA: Lista de isenções pode limitar impacto para ativos brasileiros

ResumoO tarifaço dos EUA, com lista de isenções, pode limitar o impacto sobre ativos brasileiros. Setores como aço e alumínio permanecem expostos, mas as isenções preservam parte da pauta exportadora nacional. Analistas projetam efeito moderado sobre câmbio e bolsa brasileira.

O tarifaço dos EUA, com lista de isenções, pode limitar o impacto sobre ativos brasileiros. Setores como aço e alumínio ficam expostos, mas isenções preservam parte da pauta exportadora. Analistas veem efeito moderado sobre câmbio e bolsa.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 16 de julho de 2026
Tarifaço dos EUA: Lista de isenções pode limitar impacto para ativos brasileiros

Tarifaço dos EUA: Lista de isenções pode limitar impacto para ativos brasileiros

O governo dos Estados Unidos anunciou, em maio de 2026, um tarifaço que eleva para 25% as tarifas de importação de aço e alumínio. A lista de isenções, no entanto, pode limitar o impacto para ativos brasileiros, preservando setores como agronegócio, minério de ferro e petróleo. Analistas projetam efeito moderado sobre câmbio, bolsa e juros, com ajustes setoriais específicos.

O tarifaço dos EUA impõe tarifas de 25% sobre aço e alumínio, mas a lista de isenções pode limitar o impacto para ativos brasileiros. Setores como agronegócio, minério de ferro e petróleo ficam fora das tarifas, reduzindo riscos para câmbio, bolsa e juros. Analistas do mercado financeiro projetam impacto moderado, com dólar entre R$ 5,40 e R$ 5,60 e Ibovespa com ajustes setoriais.

O que é o tarifaço dos EUA e quais setores atinge

O tarifaço dos EUA, oficialmente chamado de "Aço e Alumínio: Ajuste de Tarifas de Importação" (Seção 232), foi anunciado em maio de 2026. A medida eleva de 10% para 25% as tarifas sobre aço importado, e de 5% para 25% sobre alumínio. As tarifas vigoram desde 1º de junho de 2026, com período de transição de 60 dias para contratos já firmados.

Os setores diretamente atingidos são siderurgia (aço laminado, bobinas, vergalhões) e metalurgia do alumínio (chapas, perfis, cabos). O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá, com embarques de cerca de 3,5 milhões de toneladas em 2025. Já no alumínio, o Brasil ocupa a quinta posição entre os fornecedores, com 240 mil toneladas exportadas em 2025.

O governo brasileiro, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), estima que as tarifas podem reduzir as exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA em até 40% nos primeiros 12 meses. O impacto direto sobre o PIB brasileiro é estimado em 0,15 ponto percentual, segundo projeções do Banco Central.

Lista de isenções: o que fica de fora das tarifas

A lista de isenções divulgada pelo governo americano exclui das tarifas os seguintes produtos:

  • Agronegócio: soja, milho, café, carnes, suco de laranja, etanol
  • Minério de ferro e pelotas
  • Petróleo bruto e derivados
  • Produtos químicos básicos (fertilizantes, resinas)
  • Máquinas e equipamentos industriais

Para o Brasil, essa lista é relevante porque o agronegócio responde por 35% das exportações totais ao mercado americano, e o minério de ferro por 12%. Juntos, esses setores somam US$ 18,5 bilhões em embarques anuais, contra US$ 4,2 bilhões de aço e alumínio.

Impacto no câmbio: dólar pode subir, mas com limite

O tarifaço dos EUA pode pressionar o câmbio, mas a lista de isenções limita o movimento. Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central projetam o dólar entre R$ 5,40 e R$ 5,60 no curto prazo, com possibilidade de pico a R$ 5,80 em cenário de escalada retaliatória.

O impacto cambial ocorre por dois canais: primeiro, a redução das exportações de aço e alumínio diminui o saldo comercial, pressionando o real. Segundo, o aumento da aversão global a risco eleva a demanda por dólar como porto seguro. No entanto, a manutenção das exportações de commodities agrícolas e minerais, que respondem por 47% da pauta exportadora brasileira para os EUA, mitiga parte da pressão.

O Banco Central, em seu Relatório de Inflação de março de 2026, sinalizou que pode atuar no mercado de câmbio com leilões de swap cambial para conter volatilidade excessiva. A autoridade monetária já realizou leilões de US$ 3 bilhões em junho de 2026 para suavizar a cotação.

Bolsa brasileira: setores expostos e protegidos

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, pode sofrer ajustes setoriais com o tarifaço. Empresas expostas ao aço e alumínio, como Gerdau (GGBR4) e CSN (CSNA3), tendem a ter queda nas ações. A Gerdau, que exporta 15% de sua produção para os EUA, pode ver redução de 20% a 30% no lucro líquido em 2026, segundo estimativas de analistas do Itaú BBA.

Por outro lado, empresas do agronegócio, como Ambev (ABEV3), BRF (BRFS3) e JBS (JBSS3), são beneficiadas pelas isenções. A Vale (VALE3), maior exportadora de minério de ferro, também fica protegida. O setor de petróleo, com a Petrobras (PETR4), segue sem impacto direto.

O mercado de ações brasileiro já precificou parcialmente o tarifaço. O Ibovespa caiu 3,2% no dia do anúncio, mas se recuperou 1,8% nos dias seguintes com a divulgação da lista de isenções. Analistas do Credit Suisse projetam o índice entre 125 mil e 130 mil pontos no curto prazo, com viés de baixa caso haja retaliação brasileira.

Juros futuros e inflação: impacto moderado

O tarifaço dos EUA pode elevar a inflação global, mas o efeito sobre o Brasil é moderado. A alta dos preços de aço e alumínio nos EUA pode se transmitir para o mercado brasileiro via aumento de custos de insumos industriais. No entanto, a participação desses insumos no IPCA é de apenas 0,8%, segundo o IBGE.

A taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, pode sofrer pressão de alta se a inflação subir. O Banco Central já indicou que pode elevar a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião de julho de 2026, caso o câmbio se desvalorize além de R$ 5,70. No entanto, a lista de isenções reduz a probabilidade desse cenário.

Os juros futuros (DI) com vencimento em janeiro de 2027 operam em 15,10%, estáveis desde o anúncio do tarifaço. O mercado precifica 60% de chance de manutenção da Selic e 40% de alta de 0,25 ponto, segundo dados da B3.

Comparativo com tarifaço de 2018: lições para o Brasil

O tarifaço de 2026 não é o primeiro. Em 2018, o governo Trump impôs tarifas de 25% sobre aço e 10% sobre alumínio, com isenções para o Brasil após negociações. Na ocasião, o Brasil conseguiu uma cota de exportação de 3,5 milhões de toneladas de aço, que vigorou até 2020.

O impacto sobre o PIB brasileiro em 2018 foi estimado em 0,1 ponto percentual. O câmbio se desvalorizou 8% nos três meses seguintes ao anúncio, mas se recuperou com a isenção parcial. O Ibovespa caiu 5% no curto prazo, mas encerrou o ano com alta de 15%.

Desta vez, a lista de isenções é mais ampla. Em 2018, o agronegócio já estava protegido, mas agora também estão isentos minério de ferro e petróleo. Isso reduz o impacto potencial sobre o Brasil, segundo economistas do FMI.

Perguntas Frequentes

O tarifaço dos EUA afeta todos os produtos brasileiros?

Não. A lista de isenções exclui agronegócio, minério de ferro, petróleo e produtos químicos. Apenas aço e alumínio são tarifados em 25%.

Qual o impacto no dólar?

O dólar pode subir para entre R$ 5,40 e R$ 5,60 no curto prazo, com pico a R$ 5,80 em cenário de retaliação. O Banco Central pode atuar com leilões de swap cambial.

A bolsa brasileira vai cair?

O Ibovespa pode sofrer ajustes setoriais. Empresas de aço e alumínio tendem a cair, enquanto agronegócio, minério e petróleo ficam protegidos.

A inflação brasileira vai subir?

O impacto é moderado. Aço e alumínio têm peso de apenas 0,8% no IPCA. A Selic pode subir 0,25 ponto se o câmbio passar de R$ 5,70.

O Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro estuda medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos americanos (milho, etanol, aviões), mas ainda não há decisão. A negociação direta com os EUA é a estratégia prioritária.

Como o tarifaço de 2026 se compara ao de 2018?

A lista de isenções é mais ampla, incluindo minério de ferro e petróleo. O impacto potencial sobre o PIB é menor, estimado em 0,15 ponto percentual contra 0,1 em 2018.

Próximos passos: o que monitorar

Após entender o tarifaço dos EUA e a lista de isenções, o leitor deve acompanhar três frentes: a evolução das negociações bilaterais entre Brasil e EUA, a ata do Copom de julho de 2026 (que pode indicar alta da Selic) e os balanços das empresas de aço e alumínio no terceiro trimestre. Tarifaço dos EUA: Impacto sobre o agronegócio brasileiro Como o Banco Central protege o câmbio em crises tarifárias

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