Economia

Tarifaço nos EUA atinge 36,5% das exportações do agro brasileiro, diz CNA

ResumoA Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o tarifaço dos Estados Unidos atinge 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro. Carnes, café e suco de laranja estão entre os produtos mais expostos à medida protecionista norte-americana.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos deve atingir 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro. Carnes, café e suco de laranja estão entre os produtos mais expostos. Entenda os números e as consequências.

Otávio Bandeira
Otávio Bandeira Analista de mercado de capitais · 17 de julho de 2026
Tarifaço nos EUA atinge 36,5% das exportações do agro brasileiro, diz CNA

Tarifaço deve atingir 36,5% das exportações do agro brasileiro aos EUA, diz CNA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos deve atingir 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro. Carnes bovina e de frango, café e suco de laranja estão entre os produtos mais expostos. O impacto potencial sobre a receita do setor pode chegar a US$ 4,5 bilhões, segundo a entidade.

O que diz a CNA sobre o tarifaço americano

A CNA divulgou nota técnica na qual analisa o impacto das novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos agropecuários brasileiros. O levantamento considera a pauta exportadora de 2025 e as alíquotas anunciadas até junho de 2026. "O tarifaço atinge 36,5% do valor exportado pelo agro brasileiro aos EUA", afirma a entidade.

O estudo da CNA aponta que, entre os segmentos mais atingidos, estão as carnes (bovina e de frango), o café, o suco de laranja e o etanol. Para cada produto, o impacto varia conforme a alíquota aplicada e o volume exportado.

Setores mais afetados pelo tarifaço

Carnes: bovina e de frango

As carnes lideram a lista de produtos mais expostos. Juntas, representam cerca de 40% das exportações do agro brasileiro para os EUA. A alíquota média aplicada às carnes subiu para 12,5%, contra 2,5% anteriores. Para o frango, a tarifa passou de 3% para 15%, impactando diretamente a competitividade do produto brasileiro.

Café e suco de laranja

O café brasileiro, que responde por 18% das exportações do agro para os EUA, enfrenta tarifa de 10%. O suco de laranja, com 12% de participação, teve alíquota elevada para 15%. Ambos os produtos têm baixa elasticidade de demanda no mercado americano, o que pode atenuar parcialmente o impacto sobre a receita.

Etanol

O etanol, que vinha crescendo em participação, foi taxado em 20%. A medida atinge diretamente as usinas do Centro-Sul, que exportaram 1,2 bilhão de litros para os EUA em 2025 impacto do tarifaço no etanol brasileiro.

Reação do governo brasileiro

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que está em negociação com o governo americano para reduzir as alíquotas. A CNA sugeriu a abertura de consultas formais no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), caso não haja avanço nas conversas bilaterais.

O governo brasileiro também estuda medidas de compensação para os produtores mais afetados, como linhas de crédito especiais e ampliação de acordos comerciais com outros parceiros, como a União Europeia e a China.

Impacto econômico e perspectivas

A CNA estima que o tarifaço pode reduzir em até US$ 4,5 bilhões a receita do agronegócio brasileiro com exportações para os EUA em 2026. O montante representa cerca de 8% do total exportado pelo setor no ano passado.

Para o consumidor americano, o efeito deve ser o aumento dos preços de carnes, café e suco de laranja. Para o produtor brasileiro, a perda de competitividade pode levar à busca por novos mercados, como o asiático e o europeu.

Perguntas Frequentes

O tarifaço já está valendo?

Sim, as novas alíquotas foram aplicadas a partir de 1º de junho de 2026, segundo o governo americano.

Quais produtos brasileiros estão mais expostos?

Carnes bovina e de frango, café, suco de laranja e etanol são os mais afetados, segundo a CNA.

O que o Brasil pode fazer para retaliar?

O governo brasileiro pode acionar a OMC e buscar compensações bilaterais, como redução de tarifas para outros produtos.

O tarifaço afeta o consumidor brasileiro?

Indiretamente, sim. A perda de receita pode pressionar o câmbio e encarecer insumos importados, mas o principal impacto é sobre o produtor rural.

Há chance de reversão das tarifas?

Sim, as negociações bilaterais estão em andamento. A CNA e o Mapa trabalham para reduzir as alíquotas nos próximos meses.

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