# Tarcísio modera fala no 7/9 após chamar Moraes de ditador

> Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e candidato à reeleição, moderou o discurso para o 7 de Setembro de 2025 após ter chamado o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de "ditador" e "tirano" em 2024. O republicano prepara fala institucional na Avenida Paulista, sinalizando arrependimento a aliados. A mudança busca reduzir atrito com o Judiciário.

*Mercado Valor · Economia · 04 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

Governador de SP e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse a aliados estar arrependido de ter chamado o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de 'ditador' e 'tirano' no 7/9 de 2025. Para este ano, prepara fala mais institucional na Avenida Paulista.

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse a aliados estar arrependido de ter chamado o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de "ditador" e "tirano" no ato de 7 de Setembro do ano passado. Segundo interlocutores, ele prepara para a manifestação deste ano, na Avenida Paulista, um discurso de tom mais institucional e sem ataques pessoais ao magistrado.

A mudança de tom não significa que o governador deixará de criticar o Supremo. A orientação é direcionar o discurso à atuação institucional da Corte e à cobrança pela apuração de suspeitas envolvendo seus integrantes, sem repetir os ataques pessoais de 2025. Nesta semana, Tarcísio afirmou que o STF está "sob suspeição" e que a confiança na instituição não será recuperada com "silêncio e corporativismo" após as revelações envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Segundo fontes ouvidas pelo Broadcast Político, o tom incisivo adotado por Tarcísio em 2025 refletiu o ambiente do ato e o clamor do público presente. "Ia ficar ruim para ele ali se não fizesse críticas duras", afirmou um interlocutor. Na avaliação de aliados, se o episódio ocorresse hoje, o governador não repetiria o discurso nos mesmos termos. No ato de 2025, Tarcísio afirmou que não aceitaria a "ditadura de um poder sobre o outro" nem que "um ditador paute o que devemos fazer", em referência a Moraes. "Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes", disse o governador.

A manifestação ocorreu às vésperas da retomada, pelo Supremo, do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. À época, Tarcísio também era apontado como possível candidato da direita à Presidência da República em 2026. Antes daquele episódio, Tarcísio mantinha boa interlocução com ministros do STF e era visto como uma "ponte" entre a Corte e o bolsonarismo. Segundo aliados, porém, o avanço do processo contra Bolsonaro e a perspectiva de uma condenação pesada intensificaram a pressão da ala mais radical de sua base e da família do ex-presidente para que o governador endurecesse o discurso.

Segundo interlocutores, "o momento agora é outro". Na campanha pela reeleição, Tarcísio busca se afastar da chamada polarização e preservar o apoio de eleitores de centro. Pesquisa Atlas/Estadão divulgada nesta quinta-feira, 3, mostra o governador na liderança, com 51,1% das intenções de voto, ante 39,9% do ex-ministro Fernando Haddad (PT), resultado que lhe garantiria a vitória no primeiro turno. Tanto Tarcísio quanto o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), devem participar do ato na Paulista, organizado pela campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

A campanha pretende aproveitar uma data que se tornou símbolo do bolsonarismo para reunir apoiadores e demonstrar força popular. Foi no 7 de Setembro de 2021, também na Paulista, que Jair Bolsonaro fez um de seus mais duros ataques a Alexandre de Moraes e afirmou que deixaria de cumprir decisões do ministro. A mobilização ganhou importância depois que o lançamento da candidatura de Flávio na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi considerado por aliados aquém das expectativas.

Na avaliação de interlocutores de Tarcísio, os recentes desdobramentos envolvendo Moraes e Vorcaro tendem a fortalecer Flávio eleitoralmente, ao alimentar as críticas ao STF e mobilizar a base bolsonarista. O entorno do governador passou a considerar o senador ligeiramente favorito na disputa presidencial. Essa percepção elevou a expectativa de adesão ao evento, que deverá ter no desgaste da Corte um de seus principais elementos de mobilização. Tarcísio e Nunes são vistos como os principais cabos eleitorais de Flávio em São Paulo. Embora tenha cumprido poucas agendas ao lado do candidato e não o tenha mencionado no debate Band/Estadão, o governador busca apresentar seu apoio como uma defesa da continuidade do legado de Jair Bolsonaro.

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