Economia

Setores sem exceção à tarifa dos EUA veem perda de competitividade no mercado global

ResumoA tarifa dos EUA sobre aço, alumínio, carne e etanol sem exceções causa perda imediata de competitividade para setores exportadores brasileiros. A medida impacta diretamente cadeias produtivas inteiras, reduzindo a capacidade de concorrência no mercado global e prejudicando as exportações nacionais desses produtos.

Setores sem exceção à tarifa dos EUA veem perda de competitividade imediata, com impacto direto sobre exportações de aço, alumínio, carne e etanol. A medida atinge cadeias produtivas inteiras.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 17 de julho de 2026
Setores sem exceção à tarifa dos EUA veem perda de competitividade no mercado global

Setores sem exceção à tarifa dos EUA veem perda de competitividade

A nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre importações brasileiras deixou de fora setores estratégicos da pauta exportadora nacional. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aço, alumínio, carnes bovina e suína, etanol e calçados não foram contemplados nas listas de exceção anunciadas pelo governo americano em maio de 2026. A exclusão acarreta perda de competitividade imediata para esses segmentos.

Os setores sem exceção à tarifa dos EUA veem perda de competitividade que se traduz em queda na margem de lucro e redução do volume exportado. Aço e alumínio, por exemplo, passam a pagar sobretaxa de 25% sobre o valor da mercadoria. Carne bovina e suína, etanol e calçados sofrem tarifas adicionais que variam de 10% a 20%, dependendo do código NCM.

Impacto sobre a siderurgia e metalurgia

A siderurgia brasileira é uma das mais afetadas. Dados do Instituto Aço Brasil indicam que os EUA são o segundo maior destino do aço nacional, atrás apenas da China. Com a tarifa de 25%, o preço do aço brasileiro no mercado americano sobe de US$ 800 para US$ 1.000 por tonelada, perdendo competitividade frente a fornecedores do Canadá e do México, que mantêm isenção parcial.

O alumínio segue o mesmo caminho. A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) reportou que as exportações para os EUA caíram 12% no primeiro mês após a medida, com impacto direto sobre a receita de empresas como Albras e Novelis.

Carne e etanol: o agronegócio na mira

O agronegócio brasileiro também sente os efeitos. O setor de carnes, que responde por 18% das exportações agropecuárias para os EUA, foi excluído das exceções. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a tarifa adicional de 15% sobre carne bovina e suína reduz a margem do produtor em até 5 pontos percentuais.

O etanol, por sua vez, perde espaço no mercado americano. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) calcula que a tarifa de 20% sobre o etanol brasileiro torna o produto inviável frente ao etanol de milho dos EUA, que não paga a sobretaxa.

Calçados e têxteis: cadeia produtiva pressionada

O setor calçadista, concentrado no Rio Grande do Sul e em São Paulo, também não obteve exceção. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) aponta que as exportações para os EUA representam 22% do total do setor. Com a tarifa de 18%, o preço do par de sapatos brasileiro sobe de US$ 25 para US$ 29,50, perdendo competitividade para concorrentes asiáticos.

Consequências macroeconômicas

O Banco Central estima que a perda de competitividade nesses setores pode reduzir o saldo da balança comercial brasileira em até US$ 4 bilhões em 2026. O PIB industrial, que já opera com capacidade ociosa de 22%, pode sofrer contração adicional de 0,3 ponto percentual.

O governo brasileiro estuda medidas de compensação, como a abertura de novos mercados na Ásia e no Oriente Médio, mas o ciclo sempre vira: tarifas elevadas reduzem exportações, que diminuem a arrecadação e o emprego nos setores afetados.

Perguntas Frequentes

Quais setores foram excluídos das exceções tarifárias dos EUA?

Aço, alumínio, carnes bovina e suína, etanol e calçados não foram contemplados nas listas de exceção.

Qual a tarifa aplicada sobre aço e alumínio brasileiros?

Sobretaxa de 25% sobre o valor da mercadoria, sem exceção para o Brasil.

Como a tarifa afeta o preço do etanol brasileiro nos EUA?

A tarifa de 20% torna o etanol brasileiro inviável frente ao etanol de milho americano, que não paga a sobretaxa.

O governo brasileiro pode reverter a medida?

O governo estuda medidas de compensação, como abertura de novos mercados, mas a reversão depende de negociação bilateral.

Qual o impacto estimado na balança comercial?

O Banco Central estima perda de até US$ 4 bilhões no saldo da balança comercial brasileira em 2026.

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