# Setores lançam campanha para adiar votação da 6×1

> A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e 34 federações lançaram campanha nacional para adiar a votação da PEC que extingue a escala 6×1 no Senado. O setor terciário argumenta que a mudança elevaria custos operacionais, pressionaria preços ao consumidor e exigiria reestruturação de contratos de trabalho. A proposta impacta diretamente a jornada de trabalhadores e a competitividade empresarial.

*Mercado Valor · Economia · 31 de agosto de 2026 · Bianca Solano*

A CNC e 34 federações lançaram campanha nacional para que o Senado adie a votação da PEC que extingue a escala 6×1. Entenda os argumentos do setor terciário e o impacto para consumidores e trabalhadores.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e as 34 federações que integram o sistema lançaram, neste fim de semana, campanha nacional pedindo ao Senado que adie a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 e altera a jornada de trabalho no país. O movimento usa o lema "A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não" para convencer os senadores de que uma mudança constitucional dessa dimensão não deve ser deliberada em meio ao período eleitoral e em um cenário de fragilidade econômica.

Segundo a CNC, o setor terciário, que reúne comércio, serviços e turismo, enfrenta juros elevados, crédito restrito, alto endividamento das famílias, inadimplência recorde entre empresas e redução de investimentos. As entidades também citam o fim da "Taxa das Blusinhas" como fator que amplia a concorrência com produtos importados e pressiona o varejo nacional. De acordo com a confederação, mais de 90% dos trabalhadores do setor atuam no regime 6×1. Uma redução compulsória da jornada elevaria os custos operacionais, o que poderia resultar em repasse de preços ao consumidor, diminuição de vagas formais e crescimento da informalidade.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou que a entidade não é contrária à discussão sobre melhores condições de trabalho, mas defende cautela e embasamento técnico. "O setor terciário não se opõe ao debate sobre o bem-estar do trabalhador, mas uma decisão dessa magnitude exige análise técnica, diálogo e profunda responsabilidade. Votar uma alteração constitucional dessa dimensão de forma apressada e às vésperas de um processo eleitoral coloca em risco a estabilidade de milhões de micro e pequenas empresas e a manutenção dos empregos formais", disse Tadros.

A confederação sustenta que mudanças na jornada deveriam ocorrer por meio de convenções e acordos coletivos, mecanismo previsto na legislação desde a reforma de 2017. Esse modelo permitiria que empregadores e trabalhadores negociassem condições adequadas às diferentes realidades econômicas e regionais. No Rio, o presidente da Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, afirmou que os segmentos dependem de funcionamento em horários estendidos e aos fins de semana, o que exigiria atenção especial. "Precisamos ter cuidado para que uma medida que busca melhorar as condições de trabalho não termine provocando a redução de postos de trabalho. É fundamental encontrar um equilíbrio que preserve os empregos, a atividade econômica e, ao mesmo tempo, avance nas condições oferecidas aos trabalhadores", afirmou.

Para o consumidor, o impacto pode vir pelo bolso: se os custos subirem, o repasse de preços é um risco concreto. Para o trabalhador, o receio é a redução de vagas formais. O debate, agora, fica nas mãos do Senado, que decide se a votação ocorre antes ou depois das eleições.

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