# Selic em 13,75%? Itaú BBA vê espaço para mais cortes de juros

> O Itaú BBA projeta a Selic em 13,75% ao fim de 2026, revisando a previsão anterior de 14%. A redução da estimativa decorre de economia e inflação mais fracas, que ampliam o espaço para cortes adicionais na taxa básica de juros. A projeção atualizada reflete um cenário de desaceleração, sem comprometer a meta de convergência inflacionária.

*Mercado Valor · Economia · 31 de julho de 2026 · Rubens Athayde*

O Itaú BBA revisou suas projeções e agora espera a Selic em 13,75% ao fim de 2026, abaixo da previsão anterior de 14%. A mudança reflete economia e inflação mais fracas, abrindo espaço para mais cortes de juros.

## Selic em 13,75%? Itaú BBA vê economia e inflação mais fracas abrindo espaço para mais cortes de juros

O Itaú BBA revisou suas projeções para a economia brasileira e passou a enxergar um cenário de desaceleração mais intensa da atividade, inflação menos pressionada e espaço para um ciclo maior de cortes na taxa Selic. A principal mudança foi na expectativa para a taxa básica de juros, que agora deve terminar 2026 em 13,75%, abaixo da previsão anterior de 14%.

Segundo os economistas do banco, a combinação de uma atividade econômica mais fraca com uma inflação mais comportada cria espaço para a continuidade do ciclo de flexibilização monetária. O relatório ressalta, porém, que ainda não há compromisso com os próximos passos do Banco Central.

## O que a revisão do Itaú BBA significa para a Selic e seus investimentos

A mudança na projeção da Selic é relevante para quem investe em renda fixa, ações e até mesmo para quem tem dívidas atreladas aos juros. Uma Selic menor tende a reduzir a rentabilidade de títulos pós-fixados, mas pode beneficiar ativos de risco, como a bolsa. Para o bolso do consumidor, juros mais baixos costumam baratear o crédito e estimular o consumo.

## PIB 2026 e 2027: crescimento menor reflete atividade fraca

O Itaú também reduziu a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A estimativa para 2026 caiu de 2,1% para 1,9%, refletindo os indicadores de atividade mais fracos divulgados nos últimos meses. Para 2027, a previsão passou de 1,7% para 1,5%, incorporando os impactos esperados de um forte fenômeno El Niño sobre a safra agrícola do próximo ano.

## Mercado de trabalho: desemprego sobe em 2027

No mercado de trabalho, a instituição manteve a expectativa de taxa de desemprego em 5,7% para 2026, mas elevou a projeção para 2027 de 6% para 6,1%, em linha com a perspectiva de desaceleração mais intensa da economia. Isso sugere que o mercado de trabalho deve perder força gradualmente, o que pode pressionar o consumo e a renda das famílias.

## Inflação IPCA 2026 e 2027: revisão para baixo

O banco também revisou para baixo suas estimativas para a inflação. A projeção para o IPCA de 2026 caiu de 5,4% para 5,1%, enquanto a de 2027 foi reduzida de 4,5% para 4,4%. Segundo o relatório, a revisão para este ano reflete leituras recentes mais favoráveis do índice de preços e a expectativa de manutenção da bandeira tarifária verde na conta de energia elétrica até o fim de 2026.

Já para 2027, a menor inércia inflacionária contribui para a revisão baixista. O Itaú destaca, no entanto, que os riscos permanecem assimétricos para cima. Entre os fatores de preocupação estão a possibilidade de um El Niño mais intenso e os custos elevados dos fertilizantes, que podem pressionar os preços dos alimentos ao longo do próximo ano.

## Dólar: projeções mantidas em R$ 5,30 e R$ 5,50

Para o câmbio, o Itaú manteve as projeções de dólar em R$ 5,30 no fim de 2026 e R$ 5,50 em 2027. Na avaliação do banco, a moeda brasileira continua sustentada no curto prazo pelos juros domésticos elevados e por termos de troca mais favoráveis. No entanto, a expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos deve voltar a pressionar o real no fim deste ano.

## Fiscal: déficit primário inalterado

Na área fiscal, as projeções permaneceram inalteradas, com déficit primário de 0,5% do PIB em 2026 e de 0,6% em 2027. Apesar de avaliar que o balanço de riscos ficou mais equilibrado no curto prazo, impulsionado pela alta do petróleo e pela redução da fila do INSS sem impacto fiscal relevante até o momento, o Itaú afirma que continuam existindo riscos relacionados à compensação da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.

Para o médio prazo, o banco reforça que a necessidade de um ajuste fiscal relevante permanece como um dos principais desafios para a economia brasileira. impacto da selic na renda fixa o que é ipca e como afeta seus investimentos

## Perguntas Frequentes

### Quando a Selic deve cair para 13,75%?

O Itaú BBA projeta que a Selic termine 2026 em 13,75%, mas não há compromisso com os próximos passos do Banco Central. A decisão dependerá dos dados de atividade e inflação.

### O que significa a revisão do PIB para o investidor?

A redução da projeção de crescimento do PIB indica desaceleração econômica, o que pode impactar setores cíclicos da bolsa e a rentabilidade de empresas ligadas ao consumo interno.

### A inflação menor favorece a renda fixa?

Sim, uma inflação mais baixa tende a reduzir a pressão sobre os juros futuros, o que pode beneficiar títulos prefixados e pós-fixados, embora a rentabilidade real dependa do patamar da Selic.

### O dólar deve subir ou cair até o fim de 2026?

O Itaú BBA manteve a projeção de R$ 5,30 para o fim de 2026, mas alerta que juros mais altos nos EUA podem pressionar o real no fim deste ano.

### Quais são os principais riscos para as projeções?

Os principais riscos são um El Niño mais intenso, custos elevados de fertilizantes e a necessidade de compensação fiscal da ampliação da isenção do Imposto de Renda.

---

Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/selic-1375-economia-inflacao-mais-fracas-abrem-espaco-mais-cortes-juros-segundo-/
