# Respeito se conquista, não se herda, diz CEO da Sumirê

> Renata Takae Minami, CEO da Sumirê, construiu a liderança a partir de experiências como caixa, organização de estoque e moradia na Bahia. A trajetória de quase uma década fundamenta o plano de faturar R$ 600 milhões em 2026. A executiva afirma que respeito se conquista, não se herda.

*Mercado Valor · Economia · 03 de agosto de 2026 · Bianca Solano*

Antes de liderar a Sumirê, Renata Takae Minami foi caixa, organizou estoque e morou na Bahia. A trajetória de quase uma década virou base da sua liderança e do plano de faturar R$ 600 milhões em 2026.

## Respeito se conquista, não se herda, diz CEO da Sumirê

Renata Takae Minami, CEO da Sumirê, aprendeu na prática que herdar o negócio da família não bastava. Antes de assumir a rede de perfumarias, ela trabalhou no caixa, organizou estoque, recebeu mercadorias e abriu lojas. A trajetória levou quase uma década e virou a base da sua liderança.

## O caminho do caixa à presidência da Sumirê

Ser filha do fundador nunca foi garantia de ocupar a cadeira de CEO. Na Sumirê, Renata precisou passar por praticamente todas as etapas da operação antes de comandar a empresa, que hoje reúne 20 famílias e 48 acionistas.

Quando voltou ao negócio da família, em 2009, depois de trabalhar na multinacional Procter & Gamble, ela imaginava que contribuiria com processos e gestão. O primeiro desafio, porém, foi outro.

"Quando eu voltei, eu voltei para o chão de loja. Ele [pai de Renata] falou: 'Você não vai sentar aqui do lado, vai para a loja, vai aprender'. Fui caixa. Fui arrumar estoque, recebi mercadoria e abri uma loja para ele."

## Aprendizado na operação: loja nova, cidade nova

Segundo Renata, o aprendizado começou literalmente na operação. Ela precisou abrir uma loja do zero, em uma cidade onde a empresa ainda não tinha presença.

"Você vai abrir essa loja do chão. Então, é desde planta de loja, pedreiro, fazer recrutamento, entrevista, marketing, divulgação numa cidade nova que a gente não tinha loja", lembrou a executiva durante entrevista para o programa Do Zero ao Topo.

A preparação não terminou nas primeiras lojas. Para aprofundar o conhecimento sobre o varejo, Renata se mudou para a Bahia, onde assumiu a gerência de uma unidade da empresa durante cinco anos. A experiência permitiu acompanhar toda a rotina operacional e compreender as dificuldades enfrentadas pelas equipes.

## Por que conhecer o chão de loja mudou a liderança

Ela afirma que conhecer todas as etapas do negócio se tornou uma das principais bases da sua liderança. "Hoje, qualquer trabalho que a gente vai fazer, qualquer número que a gente vê lá por trás, eu sei como é fazer lá no chão. Eu sei como é o dia a dia", lembra a CEO.

Mesmo assim, convencer o fundador de que a empresa precisava mudar levou tempo. Segundo a executiva, foram quase dez anos até conquistar autonomia para liderar a transformação da empresa.

"É difícil quando o fundador fala: 'Eu faço isso até hoje e dá certo'. Convencer ele é difícil", diz Renata. Hoje a Sumirê é uma das maiores redes de beleza do país, com mais de 75 lojas.

## Carreira fora da empresa da família

Antes de retornar à Sumirê, Renata buscou construir uma carreira fora da empresa da família. Mudou-se para São Paulo para estudar, trabalhou nos Estados Unidos como camareira para aprender inglês e, depois, ingressou na Procter & Gamble, onde teve contato com processos, planejamento e gestão corporativa.

Ela afirma que a passagem pela multinacional foi fundamental para enxergar o potencial de profissionalização da Sumirê. "Eu sabia que tinha que aprender tudo para trazer de volta para a empresa do meu pai."

Essa filosofia acompanhou a executiva até a presidência da Sumirê e se tornou um dos pilares do processo de profissionalização que transformou uma rede formada por dezenas de negócios familiares independentes em uma empresa com estrutura corporativa e planos de faturar R$ 600 milhões em 2026.

## O estigma de ser filha do dono

Renata conta ainda que nunca quis ser reconhecida apenas por carregar o sobrenome da família. "Eu voltava como filha do dono, inegável. Mas eu não queria ter esse estigma. Eu tive que trabalhar e provar para todo mundo que eu estava ali porque eu merecia estar ali", diz.

Essa postura aparecia até nos pequenos gestos do cotidiano. Durante a abertura de uma loja no interior de São Paulo, por exemplo, ela conta que utilizava ônibus para ir e voltar do trabalho ao lado da gerente da unidade.

"Ela ficou tão sem graça porque nem imaginava que eu estava indo e voltando de ônibus", relembra com bom humor.

Para Renata, experiências como essa ajudaram a construir relações de confiança dentro da empresa.

## O que a trajetória de Renata ensina sobre sucessão familiar

A história da CEO da Sumirê mostra que sucessão não é automática. O processo de formação, que incluiu passar por caixa, estoque, abertura de lojas e gerência na Bahia, foi desenhado para garantir que a executiva conhecesse o negócio na prática antes de liderar.

Para quem vive situação parecida, o caso sugere que a experiência operacional pode ser tão importante quanto o conhecimento de gestão. A passagem pela Procter & Gamble trouxe processos e planejamento; o chão de loja trouxe a compreensão do dia a dia. A combinação dos dois virou a base da liderança.

O plano de faturar R$ 600 milhões em 2026 mostra o resultado desse processo: uma rede de perfumarias que se profissionalizou e ganhou escala.

## Perguntas Frequentes

### Renata Minami sempre trabalhou na Sumirê?

Não. Antes de voltar à empresa da família, em 2009, ela trabalhou nos Estados Unidos como camareira e depois na Procter & Gamble, onde aprendeu processos e gestão corporativa.

### Quanto tempo Renata levou para conquistar autonomia na Sumirê?

Segundo a executiva, foram quase dez anos até convencer o fundador e conquistar autonomia para liderar a transformação da empresa.

### O que Renata fez na Bahia?

Ela se mudou para a Bahia e assumiu a gerência de uma unidade da Sumirê durante cinco anos, acompanhando toda a rotina operacional do varejo.

### Qual é o plano de faturamento da Sumirê?

A empresa planeja faturar R$ 600 milhões em 2026, segundo a executiva.

### Onde assistir ao episódio completo do Do Zero ao Topo?

O programa está disponível em vídeo no YouTube e em versão de podcast em plataformas como Apple Podcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/respeito-se-conquista-nao-se-herda-diz-ceo-sumire/
