Oncoclínicas (ONCO3) vende fatia na Arábia Saudita e fecha acordo
Oncoclínicas (ONCO3) divulgou dois fatos relevantes: venda de participação na Arábia Saudita e acordo de R$ 90 milhões com Unimed Leste Fluminense. Movimentos integram a recuperação extrajudicial protocolada em meados do mês passado.
Oncoclínicas (ONCO3) vende participação na Arábia Saudita e firma acordo de R$ 90 milhões em meio à recuperação extrajudicial
A Oncoclínicas (ONCO3) divulgou nesta segunda-feira (3) dois fatos relevantes: a venda de sua participação em uma joint venture na Arábia Saudita e um acordo de R$ 90 milhões com a Unimed Leste Fluminense. Os movimentos ocorrem em meio à recuperação extrajudicial protocolada em meados do mês passado. A companhia não detalhou os valores da venda no exterior.
O que a Oncoclínicas vendeu na Arábia Saudita?
A companhia formalizou a venda da fatia que detinha na Specialized Medical Treatment Company, correspondente a 45.000.754 ações, ou 27,49% do capital social. O comprador é a Advanced Drug Company for Pharmaceuticals, sociedade constituída de acordo com as leis da Arábia Saudita. O documento não apresentou detalhes sobre os valores envolvidos nessa operação.
Segundo a Oncoclínicas, a venda está alinhada às medidas tomadas no processo de recuperação extrajudicial. A desistência dos planos de atuar no país árabe já havia sido anunciada anteriormente, como parte do esforço de reestruturação.
Acordo de R$ 90 milhões com a Unimed Leste Fluminense
Em um segundo fato relevante, a subsidiária Navarra fechou no dia 31 de julho um acordo com a Unimed São Gonçalo Niterói, operadora da marca Unimed Leste Fluminense. O acordo trata de uma cobrança judicial feita pela Navarra em 1º de junho deste ano, sobre o não pagamento de parcelas previstas em instrumentos de confissão de dívida. O valor cobrado era de R$ 159,2 milhões.
Nos termos do acordo, a Unimed Leste Fluminense pagará à Navarra o valor total de R$ 90 milhões. O acordo será submetido à homologação judicial.
Por que a Oncoclínicas chegou à recuperação extrajudicial?
A situação atual da Oncoclínicas é resultado de uma sucessão de eventos, sendo o principal a tentativa de expansão da companhia após sua oferta pública de ações (IPO) em 2021. A empresa surgiu com tratamentos oncológicos como core do negócio, mas expandiu o foco para clínicas que realizavam diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia, chegando a uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.
Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.
O peso da Selic e das operadoras
Do lado macro, o aumento da taxa básica de juros (Selic) no Brasil impactou o custo financeiro da dívida, a capacidade de geração de caixa e o processo de desalavancagem da companhia. Já no micro, o aumento de revisões pelas operadoras de planos de saúde e o alongamento dos prazos se juntaram ao cenário.
Medidas adotadas para tentar reestruturar
Entre as medidas para tentar pôr a casa em ordem, houve a venda de hospitais adquiridos e o cancelamento de um hospital que seria construído. A empresa também desistiu dos planos de uma joint venture para atuar na Arábia Saudita.
Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte de caixa aplicado em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.
O que esperar dos próximos passos
A venda da participação na Arábia Saudita e o acordo com a Unimed Leste Fluminense são passos concretos no processo de recuperação extrajudicial. A homologação judicial do acordo de R$ 90 milhões ainda depende do aval da Justiça. O mercado acompanha de perto a capacidade da companhia de gerar caixa e reduzir sua alavancagem.
Para investidores, a leitura é cautelosa: a venda de ativos no exterior e os acordos com operadoras ajudam a aliviar o caixa, mas o ciclo de reestruturação ainda é longo. O histórico mostra que a expansão agressiva pós-IPO, combinada com juros altos, cobrou um preço alto. Agora, a prioridade é desalavancar e focar no core oncológico.
Perguntas Frequentes
O que motivou a recuperação extrajudicial da Oncoclínicas?
A recuperação extrajudicial foi motivada por uma sucessão de eventos, principalmente a expansão agressiva após o IPO de 2021, com aquisições de hospitais que não deram certo, além do aumento da Selic e revisões das operadoras de planos de saúde.
Qual o valor da venda da participação na Arábia Saudita?
A Oncoclínicas não divulgou os valores da venda da participação de 27,49% na Specialized Medical Treatment Company para a Advanced Drug Company for Pharmaceuticals.
O que a Navarra acordou com a Unimed Leste Fluminense?
A Navarra, subsidiária da Oncoclínicas, fechou acordo em que a Unimed Leste Fluminense pagará R$ 90 milhões, referente a uma cobrança judicial de R$ 159,2 milhões. O acordo será submetido à homologação judicial.
A Oncoclínicas desistiu de atuar na Arábia Saudita?
Sim, a empresa desistiu dos planos de uma joint venture para atuar na Arábia Saudita, e agora vendeu sua participação na Specialized Medical Treatment Company, alinhada à recuperação extrajudicial.
O que acontece com o acordo de R$ 90 milhões?
O acordo entre Navarra e Unimed Leste Fluminense será submetido à homologação judicial. Até lá, o pagamento de R$ 90 milhões depende da aprovação da Justiça.