# STF retomará julgamento de Moraes? Próximos passos

> O Supremo Tribunal Federal ainda não tem data para retomar o julgamento que pode abrir investigação contra Alexandre de Moraes. O pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a análise, e o placar de 4 a 3 não respondeu à questão central.

*Mercado Valor · Economia · 16 de setembro de 2026 · Bianca Solano*

Sessão do STF terminou sem data para retomar o julgamento que pode abrir investigação contra Alexandre de Moraes. Pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a análise e o placar de 4 a 3 não respondeu à questão central.

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a sessão da terça-feira (15) sem data definida para retomar o julgamento que pode resultar na abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes. A análise foi interrompida por um pedido de vista de Flávio Dino, que tem até 90 dias para devolver o processo.

O STF ainda não tem data para retomar o julgamento sobre Alexandre de Moraes. Flávio Dino pediu vista e tem até 90 dias corridos, contados da publicação da ata da sessão, para devolver o processo. Ele pode liberar antes desse prazo. Se não devolver, o caso fica automaticamente liberado. A nova data da sessão presencial caberá à Presidência do STF.

O prazo de 90 dias é um limite, não uma obrigação. Dino pode devolver os autos a qualquer momento e permitir que Edson Fachin marque a continuação do julgamento. Caso utilize todo o período regimental, a discussão pode ficar suspensa até depois das eleições de outubro. O marco inicial da contagem é a publicação da ata da sessão em que ocorreu o pedido de vista.

Esse cenário é apontado como o mais provável porque o ministro, ao pedir o adiamento, citou o fator eleitoral e a necessidade de impedir pressões externas, mencionando novas ameaças de sanções feitas pelos Estados Unidos a integrantes da Corte.

O pedido de vista ocorreu antes de o Supremo entrar no mérito sobre a eventual investigação de Moraes. Os ministros ainda discutiam uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes para decidir se o procedimento deveria ser analisado junto ao caso envolvendo André Mendonça. O placar ficou em 4 a 3 pela manutenção dos processos separados.

Votaram nesse sentido Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e André Mendonça. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam a reunião dos casos. Dino também havia se manifestado pela análise conjunta, mas seu voto deixou de integrar o placar depois do pedido de vista. Quando o processo voltar ao plenário, essa questão precisará ser concluída antes de a Corte avançar sobre a possível investigação.

O pedido de vista abriu uma segunda dúvida: o que acontecerá com a sessão marcada para 23 de setembro, destinada a analisar separadamente os questionamentos sobre a atuação de André Mendonça. Até a manhã da quarta-feira (16), essa sessão permanecia marcada, mas há incerteza no Supremo sobre os próximos passos. Existe expectativa de que Fachin possa decidir pelo adiamento.

A questão está diretamente ligada ao pedido de Dino. Gilmar propôs reunir os dois procedimentos justamente para que as acusações envolvendo Moraes e Mendonça fossem examinadas conjuntamente. Se o julgamento sobre Mendonça ocorrer no dia 23 enquanto Dino ainda estiver com vista do processo de Moraes, os dois casos seguirão, na prática, tramitando separadamente. Se houver mudança de calendário, o Supremo poderá aguardar a devolução do processo para voltar a discutir a unificação.

A suspensão também significa que o placar de 4 a 3 registrado na terça-feira não responde à principal questão que levou à convocação da sessão: se os documentos elaborados pela Polícia Federal que apontam indícios de envolvimento entre o ministro e Daniel Vorcaro são válidos e suficientes para sustentar a abertura de uma investigação contra Moraes. Os votos trataram apenas da forma como os processos devem tramitar. Não há, neste momento, decisão do STF autorizando ou rejeitando a investigação, nem data definida para que essa resposta seja dada.

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