# Prévia da inflação encosta no teto da meta e pode favorecer novo corte de juros

> A prévia da inflação de julho (IPCA-15) registrou alta de 0,06%, abaixo da expectativa de 0,22%. O indicador acumula 4,52% em 12 meses, no teto da meta de 4,5%. O resultado benigno pode favorecer um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic.

*Mercado Valor · Economia · 28 de julho de 2026 · Caetano Vidal*

A prévia da inflação de julho surpreendeu o mercado ao avançar apenas 0,06%, bem abaixo da expectativa de 0,22%. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 está em 4,52%, no teto da meta de 4,5%. O resultado benigno pode abrir espaço para um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic 

A prévia da inflação de julho surpreendeu o mercado ao registrar alta de apenas 0,06%, bem abaixo da expectativa de 0,22% coletada pelo mercado. No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 está em 4,52%, encostado no teto da meta de 4,5%. O resultado torna o cenário mais propenso para a autoridade monetária brasileira seguir com o ciclo de corte de juros.

O IPCA-15 de julho avançou 0,06%, abaixo da expectativa de 0,22% do mercado. No acumulado de 12 meses, a inflação está em 4,52%, no teto da meta de 4,5%. O resultado benigno pode favorecer um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Copom em agosto, segundo projeções da XP, Ativa Investimentos e InvestSmart XP.

## O que o IPCA-15 de julho revela sobre a inflação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que capta a variação de preços do dia 15 de um mês até o dia 15 do mês seguinte, foi divulgado nesta terça-feira (28) pelo IBGE. Segundo economistas e analistas, o indicador mostra que a inflação segue pressionada, mas dá sinais positivos.

A equipe de macroeconomia da XP avalia que "a abertura dos dados mostrou uma desaceleração disseminada, e não um choque isolado, com leituras mais brandas em quase todos os principais grupos". A média dos núcleos de inflação cedeu, registrando alta de 0,23%, frente a estimativa de 0,26%. Guilherme Souza, economista da Ativa Investimentos, diz que "a composição do indicador foi extremamente positiva, trazendo sinais consistentes de arrefecimento da dinâmica inflacionária".

## Alimentação e Bebidas: o principal vetor de alívio

O grupo Alimentação e Bebidas teve deflação de -0,66%, bem abaixo do avanço de 0,74% registrado no mês anterior. A queda foi puxada pela Alimentação em Domicílio (-1,14%), impactada pelos preços do tomate e batata.

Na outra ponta, a pressão de alta veio do grupo Habitação, que subiu 0,97%. O grupo Transportes subiu 0,11%, impactado pelas passagens aéreas, que tiveram variação de +11,70%.

## Petróleo e combustíveis: efeito adiado para agosto

A breve trégua nos ataques no Oriente Médio, que fez o preço do petróleo recuar, não impactou o resultado do índice, avalia Gabriel Foglieni, gerente de Investimentos da Eleva Invest. "O IBGE coletou os preços até 15 de julho, e tanto o pico quanto a queda do petróleo aconteceram depois disso", explica.

Ele destaca que os combustíveis até recuaram 0,90% no mês, mas devido à safra do etanol no Centro-Sul. "Como a gasolina carrega 30% de etanol anidro, o etanol mais barato puxa a gasolina para baixo. O efeito do petróleo só deve aparecer no IPCA-15 de agosto, quando também entra em vigor o aumento da mistura para 32%, que joga na direção contrária", avalia.

## Projeções de inflação para 2026: viés de baixa

Com o resultado benigno do IPCA-15, instituições financeiras avaliam a possibilidade de revisar para baixo suas projeções de inflação para o final do ano. A equipe de macroeconomia da XP mantém a estimativa do IPCA de 2026 em 5,2%, mas ressalta que o número apresenta um viés de baixa.

Na mesma linha, a economista do Itaú Luciana Rabelo afirma que o dado de julho adiciona um viés de baixa à projeção do banco, que atualmente é de 5,4% para este ano.

## Selic: novo corte de 0,25 ponto percentual em agosto?

No que diz respeito à política monetária, a leitura mais branda dos preços consolida, para boa parte do mercado, a expectativa de um novo alívio na taxa básica de juros. A projeção da XP, da Ativa Investimentos, e da InvestSmart XP é de que o Copom fará um corte de 0,25 ponto percentual (25 bps) na próxima reunião, marcada para agosto.

Sobre o horizonte de longo prazo, Sara Paixão, analista da InvestSmart XP, destaca que, atualmente, a expectativa do mercado é de que a taxa Selic encerre o ano de 2026 em 14%, como apontou o relatório Focus desta semana.

## Cautela e riscos no radar

Apesar da perspectiva de alívio por parte de alguns agentes, há quem pregue cautela diante dos riscos no radar. André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, pondera que, embora a surpresa tenha sido grande, ela reforça a possibilidade de manutenção da Selic, pois o resultado "dificilmente será suficiente, sozinho, para justificar uma flexibilização monetária". Para André Matos, CEO da MA7 Capital, a decisão segue em aberto entre a aplicação de um novo corte e uma pausa.

Os analistas também alertam para os impactos das novas tarifas dos Estados Unidos sobre as projeções para 2026, com possíveis reflexos no câmbio e nas cadeias de suprimentos. "Um dado favorável isolado não é suficiente para blindar o país de um eventual choque externo de preços", alerta Peterson Rizzo, Head de Relações com Investidores da Multiplike, lembrando que a proteção contra essas pressões depende da credibilidade da política monetária e da manutenção das expectativas de inflação ancoradas.

## Perguntas Frequentes

### O que é o IPCA-15?

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) é uma prévia da inflação oficial do Brasil, calculada pelo IBGE. Ele capta a variação de preços do dia 15 de um mês até o dia 15 do mês seguinte.

### Qual foi o resultado do IPCA-15 de julho?

O IPCA-15 de julho avançou 0,06%, bem abaixo da expectativa de 0,22% do mercado. No acumulado em 12 meses, a inflação está em 4,52%, no teto da meta de 4,5%.

### O que significa a inflação no teto da meta?

A meta de inflação para 2026 é de 4,5%, com teto de 4,5%. Quando a inflação acumulada em 12 meses está nesse patamar, significa que o Banco Central pode ter menos espaço para cortar juros sem comprometer o cumprimento da meta no futuro.

### Qual a projeção para a Selic após esse dado?

A XP, Ativa Investimentos e InvestSmart XP projetam um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Copom em agosto. No entanto, analistas como André Caruso (Pilar Capital) e André Matos (MA7 Capital) pregam cautela, citando riscos externos.

### Como o resultado do IPCA-15 afeta o consumidor?

A desaceleração da inflação, especialmente nos alimentos, alivia o orçamento das famílias. Se o Copom cortar a Selic, o crédito tende a ficar mais barato, o que pode estimular o consumo e o investimento.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/previa-inflacao-encosta-teto-meta-pode-favorecer-novo-corte-juros/
