# Pílula de R$ 2,4 mi por ano: novo normal dos preços de remédios contra câncer

> A Revolution Medicines definiu o preço de tabela de seu novo medicamento contra câncer de pâncreas em cerca de US$ 480 mil (R$ 2,4 milhões) por ano, equivalente a US$ 663 por comprimido. O valor representa um novo patamar de custo para terapias oncológicas de alta complexidade. A precificação reflete investimentos em pesquisa e desenvolvimento, mas amplia desafios de acesso para pacientes e sistemas de saúde.

*Mercado Valor · Economia · 01 de setembro de 2026 · Rubens Athayde*

A Revolution Medicines definiu em cerca de US$ 480 mil (R$ 2,4 milhões) por ano, ou US$ 663 por comprimido, o preço de tabela de seu novo medicamento contra o câncer de pâncreas. Entenda o novo normal dos preços de remédios contra câncer e como isso afeta você.

A Revolution Medicines definiu em cerca de US$ 480 mil (R$ 2,4 milhões) por ano, ou US$ 663 por comprimido, o preço de tabela de seu novo medicamento contra o câncer de pâncreas. No passado, esse valor seria inimaginável; hoje, é o novo normal entre os remédios contra a doença. Uma das terapias CAR-T mais avançadas custa US$ 600 mil por infusão única, e um comprimido diário para câncer gastrointestinal sai por US$ 520 mil anuais. Somente em 2024, nove medicamentos oncológicos foram aprovados e lançados nos Estados Unidos com preços de tabela superiores a US$ 400 mil por ano, segundo levantamento do Institute for Clinical and Economic Review (ICER), organização que avalia o custo-benefício de medicamentos.

O Rasonque, também conhecido como daraxonrasibe, é tomado em dois comprimidos por dia. Brian Crawford, porta-voz da Revolution Medicines, afirmou que o preço "reflete sua diferenciação e o benefício significativo que proporciona aos pacientes". A maior parte do custo deve ser coberta por planos de saúde, com valores variados desembolsados pelos pacientes. Pessoas sem seguro ou com cobertura insuficiente que atendam a critérios financeiros e médicos receberão o medicamento gratuitamente, segundo Crawford.

No estudo clínico que levou à aprovação, pacientes com câncer de pâncreas avançado que receberam o comprimido tiveram sobrevida mediana de 13,2 meses, contra 6,7 meses com quimioterapia. Os resultados geraram entusiasmo entre especialistas, pois foram obtidos em pessoas com poucas opções de tratamento. Stacie Dusetzina, professora de política de saúde da Universidade Vanderbilt, disse que é difícil dizer se o preço é justo: "Esse medicamento tem benefícios clínicos substanciais em relação aos tratamentos existentes, o que nem sempre acontece com medicamentos contra o câncer de preço elevado".

Especialistas criticam a falta de limites. "Permitimos que as empresas farmacêuticas cobrem o que quiserem, sem uma justificativa clara além de quanto elas acreditam que conseguem cobrar", afirmou Aaron Kesselheim, professor de medicina da Harvard University e do Brigham and Women's Hospital. O preço de tabela, porém, não é o valor final: ele é o ponto de partida para negociações que reduzem o preço pago por empregadores ou governo. No caso de medicamentos contra o câncer, o valor final costuma ficar apenas um pouco abaixo do tabelado.

A Revolution Medicines, com sede na região de San Francisco, acumulou US$ 4 bilhões em prejuízos desde 2014, com US$ 3,3 bilhões gastos em pesquisa e desenvolvimento nesta década. A empresa alcançou valor de mercado de US$ 45 bilhões, impulsionada pelas expectativas de que o Rasonque se torne um blockbuster. Mais de 2 mil pacientes tiveram acesso antecipado e gratuito ao medicamento em um programa de acesso ampliado; agora, a companhia transfere esses participantes para cobertura por planos de saúde.

Os gestores de benefícios farmacêuticos (PBMs) têm papel central na definição de quais novos medicamentos serão cobertos. A Caremark, da CVS Health, e a Optum Rx, da UnitedHealth Group, disseram ter iniciado avaliação do Rasonque. David Whitrap, porta-voz da CVS, afirmou que o remédio parece representar um avanço importante, mas que "preços proibitivos podem limitar severamente o número de pacientes capazes de ter acesso a esses avanços". preços de medicamentos oncológicos acesso a tratamentos de alto custo

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/pilula-r-24-mi-por-ano-mostra-8220novo-normal8221-precos-remedios-contra-cancer/
