# PF tentou evitar distribuição automática para Mendonça em caso Lulinha

> A Polícia Federal tentou evitar a distribuição automática do inquérito sobre Lulinha ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A PF argumentou contra a prevenção automática, defendendo sorteio para definir o relator. O caso envolve investigação relacionada ao filho do ex-presidente Lula, com debate sobre critérios de distribuição processual no STF.

*Mercado Valor · Economia · 31 de julho de 2026 · Bianca Solano*

A PF tentou evitar que a investigação sobre Lulinha fosse distribuída automaticamente ao ministro André Mendonça. Entenda o debate sobre prevenção e o sorteio que definiu o relator.

## PF tentou evitar distribuição automática para Mendonça de investigação sobre Lulinha

A Polícia Federal tentou impedir que a investigação sobre Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, fosse distribuída automaticamente ao ministro André Mendonça, do STF. O pedido de abertura do inquérito, feito em 24 de julho, gerou um debate nos bastidores que envolveu o gabinete de Mendonça, a PGR e a presidência do STF.

## O que a PF sustentou no pedido

Ao encaminhar o pedido, a PF afirmou que a apuração tratava de fatos distintos dos investigados na Operação Sem Desconto. O caso envolve suposto tráfico de influência e corrupção, com Lulinha favorecendo o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".

Por isso, a corporação defendeu que o processo não fosse distribuído por prevenção, ou seja, automaticamente, ao ministro André Mendonça, que já era relator de investigações sobre fraudes no INSS e analisava quebras de sigilo de Lulinha.

## O papel da PGR e a decisão de Moraes

O pedido chegou ao STF durante o plantão do ministro Alexandre de Moraes, na presidência da Corte, durante o recesso do Judiciário. Antes de decidir, Moraes pediu manifestação da PGR sobre a conexão entre os casos.

Em parecer de 27 de julho, a PGR concordou com a PF: a investigação tratava de fatos distintos do escândalo dos descontos indevidos de aposentados e pensionistas. A manifestação foi pela livre distribuição, ou seja, sorteio eletrônico.

Com base nisso, Moraes determinou o sorteio. O sistema eletrônico, no entanto, acabou sorteando justamente André Mendonça, que passou a conduzir o caso.

## O que o sorteio significou na prática

Apesar do debate, nem a PF nem a PGR sustentaram que Mendonça estivesse impedido de atuar. A discussão se limitou à existência de conexão suficiente para justificar a prevenção, instituto que mantém sob um mesmo relator investigações relacionadas.

Como relator, Mendonça autorizou nesta quinta-feira a abertura da investigação contra o filho do presidente.

## A crise na relação entre STF e PF

Nos bastidores, a posição da PF foi vista com ressalvas. Integrantes do tribunal interpretaram a manifestação como uma tentativa de afastar Mendonça da relatoria. A avaliação na Corte e na PF é que o episódio aprofundou a crise na relação entre o gabinete do ministro e a Polícia Federal, que já vinha acumulando divergências em investigações envolvendo o Banco Master e o próprio INSS.

## Perguntas Frequentes

### O que é prevenção na distribuição de processos?

Prevenção é o instituto processual que mantém sob um mesmo relator investigações relacionadas, evitando decisões conflitantes.

### Por que a PF queria evitar Mendonça?

A PF argumentou que o caso não tinha conexão com os inquéritos do INSS, logo, não deveria ser distribuído automaticamente a ele.

### Quem decidiu o sorteio?

O ministro Alexandre de Moraes, na presidência do STF, determinou a distribuição por sorteio após parecer da PGR.

### Mendonça foi sorteado mesmo assim?

Sim, o sistema eletrônico sorteou André Mendonça, que autorizou a abertura da investigação.

### A PF ou a PGR alegaram impedimento de Mendonça?

Não, o debate se restringiu à existência de conexão, não a impedimento do ministro.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/pf-tentou-evitar-distribuicao-automatica-mendonca-investigacao-sobre-lulinha/
