# PF pediu mansão de Vorcaro como base em MG; Mendonça negou

> A Polícia Federal solicitou ao ministro André Mendonça autorização para instalar o Grupo de Investigação contra Corrupção em uma mansão de Daniel Vorcaro, em Belo Horizonte, avaliada em R$ 12 milhões. O relator negou o pedido, apontando custos de adaptação do imóvel e risco de depreciação do bem apreendido.

*Mercado Valor · Economia · 12 de setembro de 2026 · Bianca Solano*

A PF pediu autorização ao ministro André Mendonça para instalar o Grupo de Investigação contra Corrupção em uma mansão de Daniel Vorcaro, em Belo Horizonte, avaliada em R$ 12 milhões. O relator negou e apontou custos de adaptação e risco de depreciação do bem.

A delegada Janaina Palazzo, responsável pelo caso Master, pediu ao ministro André Mendonça, relator da investigação no Supremo, autorização para que a Polícia Federal ocupasse uma mansão do banqueiro Daniel Vorcaro em Belo Horizonte (MG) como base do Grupo de Investigação para Repressão à Corrupção e Lavagem de Dinheiro em Minas Gerais. O imóvel tem 2.697,56 metros quadrados e avaliação de R$ 12 milhões. Mendonça negou.

A resposta direta: o pedido foi feito porque o grupo, recém-criado, não tem sede física adequada. A Superintendência Regional da PF em Minas funciona provisoriamente em dois prédios locados, já que o antigo edifício foi demolido e a nova instalação só deve ficar pronta em 2028, segundo a própria corporação. Mendonça considerou que a mansão tem natureza residencial e recreativa, incompatível com a rotina de uma unidade policial.

## O que o pedido da PF descrevia

No documento enviado ao relator, a PF relata que as diligências localizaram uma residência na Rua Jornalista Djalma Andrade, no bairro Belvedere, além de um imóvel vizinho em reforma. Funcionários das propriedades confirmaram que ambas pertenciam ao banqueiro.

A corporação descreveu a casa como um espaço com quartos, salas de estar, áreas de lazer, espaço gourmet com bares, academia, spa e quadras de jogos. Apesar do padrão dos móveis, os investigadores registraram que não encontraram obras de arte, joias, cofres, veículos, aparelhos eletrônicos nem dinheiro em espécie.

## Por que Mendonça negou

O ministro assinalou que a autorização de uso de bem constrito por órgão público deve observar a utilidade administrativa, a adequação à finalidade, os custos de adaptação e manutenção e a preservação do valor patrimonial. Para ele, as fotografias juntadas aos autos corroboram o caráter residencial e recreativo do imóvel.

Mendonça listou as intervenções que seriam necessárias: estações de trabalho, infraestrutura de rede e segurança de dados, controle de acesso, áreas de arquivo, salas de reunião, custódia documental, adequações elétricas, climatização, acessibilidade, mobiliário funcional e rotinas de manutenção. Segundo o relator, tais modificações gerariam despesas elevadas e poderiam descaracterizar ou depreciar o bem, em prejuízo da finalidade preventiva da constrição.

## O que muda no caso

A negativa mantém o grupo de investigação sem sede própria em Minas e preserva o imóvel como bem constrito, sem adaptações que pudessem reduzir seu valor. O pedido revela ainda como a PF tentou resolver a falta de estrutura física do destacamento, criado recentemente e voltado, segundo a corporação, à análise estratégica e à produção de inteligência policial no combate à corrupção.

Ministros do Supremo devem se reunir na próxima terça-feira para decidir sobre investigação relacionada à ligação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. O imóvel vizinho à mansão está registrado em nome da Cemaf Participações e Administração de Bens S/A, que afirma ter vendido a propriedade em abril de 2025 por R$ 20 milhões à Viking Participações Ltda., administrada pelo banqueiro. A Viking é a mesma companhia que firmou contrato de R$ 50 milhões para que a família do ministro Alexandre de Moraes assumisse cotas de duas aeronaves de Vorcaro.

Já a primeira casa, avaliada pela Prefeitura de Belo Horizonte em R$ 12,48 milhões, está registrada em nome do empresário Márcio Barbosa Silva Bissoli, morto em 2018. Segundo o inventariante do espólio, o imóvel foi vendido em 2022 por R$ 30 milhões à Super Empreendimentos e Participações S.A., representada por Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro. A PF destaca que a venda foi feita por contrato particular, sem escritura pública nem registro em cartório, e previa cláusula de sigilo, o que os investigadores classificam como contrato de gaveta.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/pf-pediu-usar-mansao-r-12-mi-vorcaro-como-base-mg-mendonca-negou/
