Economia

Petróleo cai cerca de 2%, mas caminha para alta semanal de 13%

ResumoOs preços do petróleo Brent e WTI caem cerca de 2% nesta sexta-feira (24), mas registram alta semanal de 13%. A escalada no Oriente Médio, com ataques no Mar Vermelho e fechamento do Estreito de Ormuz, pressiona a oferta global e sustenta os ganhos acumulados na semana.

Os preços do petróleo Brent e WTI recuam cerca de 2% nesta sexta-feira (24), mas ainda caminham para fortes ganhos na semana. A escalada no Oriente Médio, com ataques no Mar Vermelho e fechamento do Estreito de Ormuz, pressiona a oferta global e pode impactar os preços dos combus

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 24 de julho de 2026
Petróleo cai cerca de 2%, mas caminha para alta semanal de 13%

Os preços futuros do petróleo recuam nesta sexta-feira (24), mas ainda caminham para fortes ganhos na semana devido às preocupações com a interrupção dos fluxos de energia no Mar Vermelho e aos temores de uma nova escalada na guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irã.

Os contratos futuros do Brent caíam US$ 1,82, ou 1,81%, para US$ 98,87 por barril às 4h57 (horário de Brasília), depois de terem encerrado a sessão anterior com alta de 7%, acima de US$ 100 pela primeira vez desde maio, após os houthis alinhados ao Irã afirmarem ter atingido dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho. Mesmo assim, o contrato permaneceu no caminho para uma valorização de 13% nesta semana.

Por que o petróleo cai hoje, mas sobe na semana?

A queda de cerca de 2% nesta sexta-feira é um movimento técnico de realização de lucros após a forte alta de 7% na quinta-feira. No acumulado semanal, porém, o Brent valoriza 13%, e o WTI, 10%. O motivo principal é a escalada no Oriente Médio, que ameaça a oferta global de petróleo em duas rotas críticas.

O Estreito de Ormuz praticamente secou

O número de petroleiros que atravessaram o Estreito de Ormuz caiu para apenas um nesta quinta-feira (23), o menor nível desde 7 de maio, de acordo com dados de rastreamento de navios da Kpler, empresa de análise de dados. A rota é o corredor mais importante para o transporte de petróleo do mundo.

O Mar Vermelho sob bloqueio

A rota marítima de Bab el-Mandeb, que controla o acesso do Mar Vermelho ao Oceano Índico, é o segundo corredor mais importante para o transporte de petróleo, atrás apenas do Estreito de Ormuz. Os houthis alinhados ao Irã haviam declarado no início da semana que estavam impondo um bloqueio naval à Arábia Saudita, que vinha desviando seu petróleo por meio de oleodutos para contornar o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.

O que dizem os analistas sobre a oferta de petróleo

"Os potenciais problemas de oferta que o mercado enfrenta agora são maiores do que em qualquer outro momento durante a guerra", afirmaram analistas do ING em uma nota divulgada hoje. "Não apenas os fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz praticamente secaram, como também há riscos evidentes para os fluxos de petróleo da Arábia Saudita através do Mar Vermelho."

"Uma nova escalada no Golfo e os temores de um alargamento do conflito estão colocando em risco uma parcela significativa da oferta de petróleo."

O papel do Irã e dos Estados Unidos

O Irã vinha pressionando os houthis a fechar a passagem de Bab el-Mandeb para o Mar Vermelho caso os Estados Unidos continuassem atacando a infraestrutura energética iraniana, após uma trégua provisória entre os dois países ter entrado em colapso há duas semanas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu "responsabilizar o Irã" por quaisquer novos ataques.

Cazaquistão: mais um risco de oferta

Também ontem, o Ministério da Energia do Cazaquistão informou que empresas petrolíferas reduziram temporariamente a produção depois que supostos ataques de drones ucranianos forçaram o fechamento do principal terminal de exportação do país no Mar Negro.

O Consórcio do Oleoduto do Cáspio (Caspian Pipeline Consortium) deixou de receber petróleo do Cazaquistão após suspender os carregamentos devido a ataques contra petroleiros no terminal, informaram fontes da indústria na terça-feira (21). A rota é responsável por cerca de 2% do fornecimento diário mundial de petróleo bruto.

O Ministério da Energia do Cazaquistão não especificou a dimensão das reduções na produção, mas uma fonte afirmou que o maior campo petrolífero do país reduziu sua produção em mais da metade.

Impacto no Brasil: o que esperar dos combustíveis?

Para o consumidor brasileiro, a alta do petróleo no mercado internacional pode pressionar os preços da gasolina e do diesel nas refinarias da Petrobras. A estatal adota a política de paridade de importação (PPI), que acompanha as cotações externas. Se o Brent continuar acima de US$ 100, o repasse para as bombas pode ocorrer em semanas.

No entanto, a queda de curto prazo desta sexta-feira não altera a tendência semanal de alta. O mercado monitora os próximos passos dos houthis, do Irã e dos EUA para calibrar o risco de interrupção prolongada da oferta.

Perguntas Frequentes

O petróleo vai continuar subindo?

Depende da escalada no Oriente Médio. Se o Estreito de Ormuz continuar fechado e o Mar Vermelho sob bloqueio, a oferta global pode encolher, pressionando os preços para cima.

Como a alta do petróleo afeta o Brasil?

O Brasil importa derivados de petróleo. Se o Brent subir, a gasolina e o diesel podem ficar mais caros nas refinarias, com possível repasse ao consumidor.

O que é o Estreito de Ormuz?

É a rota marítima mais importante para o transporte de petróleo do mundo. No dia 23 de janeiro, apenas um petroleiro o atravessou, o menor nível desde maio, segundo a Kpler.

Quem são os houthis?

Grupo alinhado ao Irã que atua no Iêmen. Eles afirmaram ter atingido dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho e declararam bloqueio naval à Arábia Saudita.

O que é o Consórcio do Oleoduto do Cáspio?

Rota que transporta petróleo do Cazaquistão, responsável por cerca de 2% do fornecimento diário mundial. Suspendeu carregamentos após ataques a petroleiros no terminal do Mar Negro.

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