# Petrobras descobre gás na margem equatorial da Colômbia

> A Petrobras descobriu gás natural no poço Sandia-1, localizado em águas profundas na Bacia de Guajira, na margem equatorial da Colômbia. A descoberta, anunciada em 3 de fevereiro de 2025, reforça o potencial exploratório do offshore colombiano. O resultado amplia a presença da estatal brasileira na região, com implicações para a segurança energética local e futuras atividades de produção.

*Mercado Valor · Economia · 03 de agosto de 2026 · Rubens Athayde*

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (3) a descoberta de um poço de gás em águas profundas na Colômbia. O poço Sandia-1, na Bacia de Guajira, reforça o potencial de gás no offshore colombiano.

## Petrobras descobre mais poço de gás na margem equatorial da Colômbia

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (3) a descoberta de um poço de gás em águas profundas na Colômbia. A concentração está no poço exploratório Sandia-1, no bloco GUA-OFF-0, na Bacia de Guajira. A companhia já operava na região com reservatórios de grande potencial nas proximidades.

Sandia-1 fica a 42 quilômetros (km) da costa, com lâmina d'água de 1.251 metros. O poço está a 70,7 km da cidade de Santa Marta. A perfuração começou em 12 de junho e alcançou a profundidade final na última quarta-feira (29).

## O que é o poço Sandia-1 e onde ele fica

O poço Sandia-1 está localizado no bloco GUA-OFF-0, na Bacia de Guajira, no litoral colombiano. A região integra a chamada margem equatorial, uma área de grande potencial para exploração de petróleo e gás.

A distância de 42 km da costa e a lâmina d'água de 1.251 metros indicam um ambiente de águas profundas. Essas condições técnicas exigem equipamentos específicos e planejamento detalhado de perfuração.

## Proximidade com outros poços descobertos

A nova descoberta não é isolada. Sandia-1 fica a 18 km do poço Sirius-1 e a 9 km do poço Copoazu-1, ambos já identificados pela companhia como reservatórios de grande potencial.

A proximidade entre os poços sugere uma continuidade geológica na região. Isso pode facilitar o desenvolvimento futuro da infraestrutura de produção, embora a companhia ainda avalie os volumes encontrados.

## Consórcio com a Ecopetrol: quem opera e quem detém a maior parte

A exploração na Bacia de Guajira é feita em consórcio com a estatal colombiana Ecopetrol. Os colombianos detêm 55,56% do consórcio, e os brasileiros, 44,44%. Apesar de minoritária, a Petrobras é a operadora da exploração no bloco.

Na prática, isso significa que a Petrobras lidera as operações técnicas, enquanto a Ecopetrol tem participação majoritária no consórcio. A divisão de papéis é comum em projetos internacionais de exploração.

A Petrobras atua na Colômbia por meio da subsidiária Petrobras International Braspetro B.V - Sucursal Colômbia (PIB-COL).

## O que a Petrobras diz sobre a descoberta

De acordo com a companhia, a descoberta "reforça o potencial de gás no offshore [no mar] colombiano, agregando volumes que irão contribuir para a segurança energética da região".

A Petrobras explicou que o gás encontrado está sendo avaliado detalhadamente "por meio de perfis de poço e serão caracterizados por análises laboratoriais".

A estatal brasileira afirmou ainda que a atuação no litoral colombiano está alinhada à estratégia de longo prazo da companhia, buscando recomposição das reservas de petróleo e gás por meio de exploração de novas fronteiras e atuação em parceria com outras empresas, "contribuindo para o atendimento à demanda global de energia durante a transição energética".

## Contexto: a margem equatorial e o maior reservatório de gás da Colômbia

A Bacia de Guajira pode ser entendida como parte da margem equatorial, como afirmou a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, em 5 de dezembro de 2024.

Na ocasião, a estatal informou ter descoberto na região o maior reservatório de gás natural da história do país vizinho. Apesar do grande volume, a estatal afirmou que o destino da produção seria para o mercado de gás colombiano, devido à grande demanda do país.

A decisão de direcionar o gás ao mercado local reflete a necessidade energética da Colômbia. Em vez de exportar, a produção tende a abastecer o consumo interno, o que pode reduzir a dependência de importações.

## O que isso significa para o Brasil

A descoberta na Colômbia ocorre em um momento em que a Petrobras também busca avançar na margem equatorial brasileira. No Brasil, a estatal obteve licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, para exploração de petróleo na margem equatorial, em outubro do ano passado.

A região é considerada de grande potencial, sendo apelidada de "novo pré-sal". No entanto, ambientalistas lançam preocupação sobre impactos da exploração no meio ambiente.

A comparação com o pré-sal chama atenção pelo potencial, mas também pelos desafios. A exploração em águas profundas na margem equatorial envolve riscos ambientais que têm gerado debate público.

## Atuação global da Petrobras

Além de Colômbia e Brasil, a Petrobras atua na produção de petróleo em outros países. Na África, a estatal opera na Namíbia, São Tomé e Príncipe e África do Sul. Nas Américas, está presente na Bolívia, Argentina e Estados Unidos.

Essa presença internacional diversifica as operações da companhia e reduz a dependência de uma única região. Para investidores, isso pode significar maior resiliência diante de variações regionais de produção ou regulação.

## O ciclo sempre vira, mas a cautela segue

A descoberta de Sandia-1 reforça o potencial da margem equatorial colombiana, mas ainda há etapas técnicas pela frente. A avaliação detalhada do gás, por meio de perfis de poço e análises laboratoriais, vai determinar o volume comercialmente aproveitável.

A experiência da Petrobras em águas profundas, acumulada no pré-sal brasileiro, é um ativo relevante. No entanto, cada bacia tem características próprias, e a transposição de conhecimento não é automática.

Para quem acompanha o setor, a notícia é positiva, mas não muda o quadro geral de curto prazo. A produção de gás na Colômbia ainda depende de avaliações técnicas, investimentos e, possivelmente, de aprovações regulatórias.

O ciclo de exploração sempre vira, mas o tempo entre descoberta e produção costuma ser longo. A cautela continua sendo a postura mais adequada para analisar o impacto real dessa nova descoberta.

## Perguntas Frequentes

### Onde fica o poço Sandia-1?

O poço Sandia-1 fica no bloco GUA-OFF-0, na Bacia de Guajira, na Colômbia, a 42 km da costa e a 70,7 km de Santa Marta.

### Qual a profundidade do poço?

A lâmina d'água no local é de 1.251 metros, ou seja, a distância entre a superfície do mar e o leito marinho.

### Quem opera a exploração na Bacia de Guajira?

A Petrobras é a operadora da exploração, embora detenha 44,44% do consórcio. A Ecopetrol detém 55,56%.

### O que a descoberta significa para o mercado de gás?

A companhia afirma que a descoberta reforça o potencial de gás no offshore colombiano e contribui para a segurança energética da região.

### A produção será exportada?

Segundo a Petrobras, o destino da produção seria o mercado de gás colombiano, devido à grande demanda do país.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/petrobras-descobre-mais-poco-gas-margem-equatorial-colombia/
