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Palavras de Warsh pesam mais que alta do Fed

O Federal Reserve deve elevar a taxa de juros nesta quarta-feira pela primeira vez desde 2023, movimento motivado pela inflação persistentemente alta e pelo avanço global dos custos de financiamento. A decisão coloca sob escrutínio a forma como o chair do banco central dos EUA, Kevin Warsh, vai descrever a primeira mudança na política monetária sob seu mandato.

A alta esperada é de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%. O comunicado sai às 15h no horário de Brasília, junto com as projeções econômicas trimestrais atualizadas, que incluem as estimativas dos dirigentes para a taxa de juros no fim do ano.

O contraste entre a decisão americana e o cenário doméstico deve estar entre os principais catalisadores para os mercados brasileiros nos próximos dias. Por aqui, a Selic meta segue em 14,00%, patamar que mantém o diferencial de juros elevado e sustenta a leitura de que o juro composto não perdoa quem ignora o custo de oportunidade.

O aumento vai na direção oposta ao que o presidente Donald Trump esperava quando nomeou Warsh neste ano para liderar o Fed. Trump declarou na ocasião que contava com uma trajetória de queda dos juros e, recentemente, ameaçou impor novas tarifas de importação caso o banco central não reduza o custo dos empréstimos.

Mesmo assim, a elevação se tornou quase inevitável. A inflação nos EUA aparenta estar presa acima da meta de 2% do Fed, os custos globais dos empréstimos de longo prazo sobem e Warsh enfrenta dúvidas sobre sua disposição de contrariar as exigências de Trump.

A questão central agora é como Warsh vai enquadrar a decisão e se os investidores globais em títulos a verão como uma resposta confiável à inflação, que está acima da meta há mais de cinco anos e subiu desde o início do atual mandato de Trump na Casa Branca.

"Se houver um aumento e for unânime, isso é um sinal forte", afirmou Robert Sockin, economista-chefe para os EUA da PGIM, sobretudo se as projeções que acompanham o comunicado indicarem outro aumento neste ano e talvez novamente em 2027. Sockin prevê três altas nos EUA.

Embora Warsh diga que quer evitar falar demais sobre a trajetória dos juros, Sockin avalia que o discurso do chair no simpósio econômico de Jackson Hole, no mês passado, trouxe linguagem adequada ao momento. "Vejo isso como algo semelhante à orientação que ele deu em Jackson Hole. Ou seja, se a inflação não voltar a cair com rapidez suficiente, teremos mais trabalho a fazer", disse. "O que seria desafiante é se ele soasse dovish e dissesse que se trata de um pequeno ajuste. Os mercados reagiriam mal a isso."

As projeções divulgadas em junho mostravam o grupo dividido: nove dos 19 membros avaliavam que os juros precisariam subir pelo menos 0,25 ponto até o fim de 2026, enquanto outros nove previam manutenção nos níveis atuais ou corte de 0,25 ponto. Warsh, que não gosta do gráfico de pontos, não apresentou projeção própria.

Lia Hartmann
Especialista em renda fixa
Especialista em renda fixa.
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