# Palavras de Warsh pesam mais que alta do Fed

> Kevin Warsh, chair do Federal Reserve, define o tom da decisão de política monetária dos EUA nesta quarta-feira. O Fed eleva os juros para a faixa de 3,75% a 4,00%, primeiro aumento desde 2023. A comunicação de Warsh sobre o enquadramento da decisão pesa mais nos mercados que o próprio ajuste.

*Mercado Valor · Economia · 16 de setembro de 2026 · Lia Hartmann*

O Fed deve elevar os juros nesta quarta-feira pela primeira vez desde 2023, para a faixa de 3,75% a 4,00%. O mercado agora observa como Kevin Warsh, chair do banco central dos EUA, vai enquadrar a decisão.

O Federal Reserve deve elevar a taxa de juros nesta quarta-feira pela primeira vez desde 2023, movimento motivado pela inflação persistentemente alta e pelo avanço global dos custos de financiamento. A decisão coloca sob escrutínio a forma como o chair do banco central dos EUA, Kevin Warsh, vai descrever a primeira mudança na política monetária sob seu mandato.

A alta esperada é de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%. O comunicado sai às 15h no horário de Brasília, junto com as projeções econômicas trimestrais atualizadas, que incluem as estimativas dos dirigentes para a taxa de juros no fim do ano.

O contraste entre a decisão americana e o cenário doméstico deve estar entre os principais catalisadores para os mercados brasileiros nos próximos dias. Por aqui, a Selic meta segue em 14,00%, patamar que mantém o diferencial de juros elevado e sustenta a leitura de que o juro composto não perdoa quem ignora o custo de oportunidade.

O aumento vai na direção oposta ao que o presidente Donald Trump esperava quando nomeou Warsh neste ano para liderar o Fed. Trump declarou na ocasião que contava com uma trajetória de queda dos juros e, recentemente, ameaçou impor novas tarifas de importação caso o banco central não reduza o custo dos empréstimos.

Mesmo assim, a elevação se tornou quase inevitável. A inflação nos EUA aparenta estar presa acima da meta de 2% do Fed, os custos globais dos empréstimos de longo prazo sobem e Warsh enfrenta dúvidas sobre sua disposição de contrariar as exigências de Trump.

A questão central agora é como Warsh vai enquadrar a decisão e se os investidores globais em títulos a verão como uma resposta confiável à inflação, que está acima da meta há mais de cinco anos e subiu desde o início do atual mandato de Trump na Casa Branca.

"Se houver um aumento e for unânime, isso é um sinal forte", afirmou Robert Sockin, economista-chefe para os EUA da PGIM, sobretudo se as projeções que acompanham o comunicado indicarem outro aumento neste ano e talvez novamente em 2027. Sockin prevê três altas nos EUA.

Embora Warsh diga que quer evitar falar demais sobre a trajetória dos juros, Sockin avalia que o discurso do chair no simpósio econômico de Jackson Hole, no mês passado, trouxe linguagem adequada ao momento. "Vejo isso como algo semelhante à orientação que ele deu em Jackson Hole. Ou seja, se a inflação não voltar a cair com rapidez suficiente, teremos mais trabalho a fazer", disse. "O que seria desafiante é se ele soasse dovish e dissesse que se trata de um pequeno ajuste. Os mercados reagiriam mal a isso."

As projeções divulgadas em junho mostravam o grupo dividido: nove dos 19 membros avaliavam que os juros precisariam subir pelo menos 0,25 ponto até o fim de 2026, enquanto outros nove previam manutenção nos níveis atuais ou corte de 0,25 ponto. Warsh, que não gosta do gráfico de pontos, não apresentou projeção própria.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/palavras-warsh-podem-ter-mais-peso-esperada-alta-taxa-juros-pelo-fed/
