Economia

Novas Diretrizes da OMS: Até 45% do Risco de Demência Pode Ser Prevenido

ResumoOrganização Mundial da Saúde (OMS) divulgou novas diretrizes indicando que até 45% dos casos de demência podem ser prevenidos ou adiados. Fatores de risco modificáveis incluem perda auditiva, colesterol alto e isolamento social. Ações como controle de saúde auditiva, manejo do colesterol e estímulo à interação social reduzem significativamente o risco.

A OMS divulgou novas diretrizes que apontam que até 45% dos casos de demência poderiam ser prevenidos ou adiados. Fatores como audição, colesterol e isolamento social entram na lista de riscos modificáveis. Veja o que fazer.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 16 de julho de 2026
Novas Diretrizes da OMS: Até 45% do Risco de Demência Pode Ser Prevenido

Novas Diretrizes da OMS: Até 45% do Risco de Demência Pode Ser Prevenido

A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou suas recomendações sobre prevenção de demência. As novas diretrizes indicam que até 45% dos casos poderiam ser prevenidos ou adiados com a adoção de 14 fatores de risco modificáveis. A informação foi publicada em 31 de julho de 2024 no relatório "Dementia prevention, intervention, and care: 2024 update".

O que dizem as novas diretrizes da OMS sobre demência

O relatório da OMS incorpora dois novos fatores de risco em relação à versão de 2020: colesterol alto (LDL) e perda auditiva não tratada. A entidade agora lista 14 fatores que, se controlados, podem reduzir significativamente a chance de desenvolver demência ao longo da vida.

Os 14 fatores de risco modificáveis

  1. Baixa escolaridade - A falta de estímulo cognitivo na infância e juventude aumenta o risco.
  2. Perda auditiva - Um dos novos fatores; o uso de aparelhos auditivos pode reduzir o risco em até 8%.
  3. Colesterol LDL alto - O segundo novo fator; níveis elevados a partir dos 40 anos estão associados a maior risco.
  4. Hipertensão - Pressão alta, especialmente na meia-idade, danifica vasos cerebrais.
  5. Obesidade - O excesso de peso está ligado a inflamação e resistência à insulina.
  6. Tabagismo - Fumar acelera o declínio cognitivo e danifica o sistema vascular.
  7. Depressão - Episódios depressivos recorrentes aumentam o risco de demência.
  8. Isolamento social - A falta de contato social reduz a reserva cognitiva.
  9. Diabetes - O mau controle glicêmico lesa pequenos vasos do cérebro.
  10. Consumo excessivo de álcool - Mais de 21 unidades por semana (cerca de 2 taças de vinho/dia) eleva o risco.
  11. Traumatismo craniano - Lesões na cabeça, especialmente repetidas, aumentam a chance de demência.
  12. Inatividade física - A falta de exercício reduz o fluxo sanguíneo cerebral.
  13. Poluição do ar - A exposição crônica a partículas finas está associada a declínio cognitivo.
  14. Dieta inadequada - O consumo excessivo de gorduras saturadas e açúcares processados prejudica a saúde cerebral.

Segundo a OMS, a adoção de medidas para controlar esses fatores desde a infância até a velhice pode evitar ou adiar até 45% dos casos de demência.

Como aplicar as recomendações da OMS no dia a dia

A prevenção começa cedo. Quem tem entre 40 e 65 anos está na janela crítica para intervir. O neurologista Dr. Marcos Gonçalves, do Hospital das Clínicas de São Paulo, recomenda: "controlar a pressão e o colesterol a partir dos 40 anos é mais eficaz do que esperar os sintomas aparecerem".

Ações práticas para cada fator

  • Auditiva: Faça exames auditivos anuais a partir dos 50 anos. Se houver perda, use aparelho.
  • Cognitiva: Mantenha-se aprendendo: leitura, jogos de tabuleiro, cursos online.
  • Social: Participe de grupos (presenciais ou virtuais) com regularidade.
  • Física: Pratique 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana (caminhada, natação, bicicleta).
  • Dieta: Priorize a dieta mediterrânea: peixes, azeite, frutas, vegetais e grãos integrais.

O que muda com a atualização de 2024

A versão anterior, de 2020, listava 12 fatores. A inclusão do colesterol alto e da perda auditiva reflete novas evidências científicas. Um estudo publicado na revista The Lancet em 2023 já apontava que o tratamento da perda auditiva na meia-idade poderia reduzir o risco de demência em 8%.

A OMS também reforça que a prevenção não é garantia, mas uma estratégia de redução de risco. Mesmo quem tem predisposição genética pode se beneficiar.

Prevenção de demência no Brasil: dados e desafios

No Brasil, estima-se que cerca de 1,2 milhão de pessoas vivam com demência, segundo o Ministério da Saúde. A projeção é que esse número triplique até 2050, com o envelhecimento populacional. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento multidisciplinar para diagnóstico e acompanhamento, mas a prevenção ainda é incipiente.

O neurologista Dr. Paulo Caramelli, da Universidade Federal de Minas Gerais, alerta: "O Brasil tem alta prevalência de fatores de risco como hipertensão, diabetes e obesidade. Controlá-los é uma prioridade de saúde pública".

Perguntas Frequentes

O que é demência?

Demência é uma síndrome caracterizada pela perda progressiva das funções cognitivas (memória, linguagem, raciocínio) que interfere na vida diária. A doença de Alzheimer é a causa mais comum.

A demência tem cura?

Não, a demência não tem cura. O tratamento visa controlar sintomas e retardar a progressão. A prevenção é a melhor estratégia.

Quais são os primeiros sinais de demência?

Esquecimentos frequentes, dificuldade para realizar tarefas rotineiras, mudanças de humor e desorientação espacial são alguns sinais precoces.

Como a perda auditiva está ligada à demência?

A perda auditiva reduz a estimulação cerebral e o convívio social, acelerando o declínio cognitivo. O uso de aparelhos auditivos pode reverter parte desse risco.

O que é reserva cognitiva?

É a capacidade do cérebro de lidar com lesões sem apresentar sintomas. Educação, atividades intelectuais e sociais ajudam a construí-la.

A demência é hereditária?

Há formas genéticas raras, mas a maioria dos casos não é diretamente hereditária. Fatores ambientais e de estilo de vida têm grande peso.

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